ONG que tirou RedeTV! do ar por homofobia em 2005 prepara ação contra Sikêra Jr.: “Está a favor da morte”

Apresentador do Alerta Nacional já declarou que "mataria" um filho gay

Publicado em 29/6/2021
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As declarações homofóbicas de Sikêra Jr. podem trazer à RedeTV! um prejuízo maior do que o financeiro, após empresas cancelarem contratos de patrocínio em função de falas preconceituosas durante o programa Alerta Nacional. A emissora corre o risco de sair do ar como em 2005, quando foi punida pela Justiça após exibir pegadinhas que incentivavam a violência contra a população LGBTQIA+.

Esta é a avaliação do coletivo Intervozes, que atua pelo direito do ser humano à comunicação e teve papel fundamental na punição à RedeTV! há 16 anos, quando foi acionada pelo Ministério Público em decorrência de pegadinhas exibidas no programa Tarde Quente, de João Kleber, com agressões a atores caracterizados como gays.

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Na ocasião, seis entidades se uniram ao MP em uma Ação Civil Pública exigindo uma indenização de R$ 20 milhões por violação de direitos humanos, a suspensão do Tarde Quente por 60 dias e a exibição de programas sobre diversidade e respeito às diferenças. Mesmo derrotada na Justiça, a RedeTV! descumpriu a decisão e teve seu sinal cortado em 14 de novembro de 2005, véspera do aniversário da emissora, que comemorou seu sexto ano de inauguração fora do ar.

Os atores Gustavo e Aílton, caracterizados como “bichinhas”, apanham em pegadinha do Tarde Quente, em 2005 (Reproduç˜ão/RedeTV!)

Ouvidos pela coluna, dois fundadores do coletivo Intervozes que participaram ativamente do embate contra a RedeTV! consideram a homofobia de Sikêra Jr. mais grave do que a do programa de João Kleber, pelo fato de a emissora ser reincidente, ou seja, passível de punição semelhante ou pior à determinada pela Justiça em 2005.

Coordenadora do Intervozes, Iara Moura afirma à coluna que o coletivo atuará contra a violação de direitos humanos praticada por Sikêra Jr.: “Estamos mantendo contato com o Ministério Público. Não sabemos se vamos entrar no caso como amicus curiae [“amigo da Corte”, colaborador da Justiça], mas fazemos monitoramento permanente nos casos envolvendo este apresentador”.

Na última segunda-feira (28), o Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública contra Sikêra Jr. e a RedeTV! por falas discriminatórias contra a população LGBTQIA+ em 25 de junho. O apresentador, ao criticar uma campanha publicitária da rede Burger King contra a LGBTfobia, relacionou a homossexualidade a pedofilia e uso de drogas. O MPF e o coletivo Nuances pedem R$ 10 milhões de indenização por danos morais coletivos (valor a ser destinado à estruturação de centros de cidadania LGBTQIA+).

Em 4 de junho, outra ação do MPF exigiu de Sikêra Jr. o pagamento de R$ 2 milhões a serem revertidos a entidades representativas feministas, além de R$ 200 mil a uma mulher discriminada por ele no programa Cidade em Ação, da TV Arapuan (afiliada da RedeTV! na Paraíba), em 2018. O canal cumpriu parte do acordo e exibiu vídeos educativos contra a violência à mulher, porém o apresentador não pediu desculpas pelas declarações preconceituosas e migrou para a TV A Crítica, onde transmite ao vivo programa Alerta Nacional pela RedeTV!.

“Ele escolheu se colocar a favor da morte. Foi explícito nas palavras, disse que ‘se tivesse um filho veado, mataria’. No país que mais mata travestis e pessoas trans, em um momento de pandemia e do crescimento do discurso de ódio contra a população LGBTQIA+, ele abre precedentes ainda mais perigosos. Todas as notícias que vemos de pais que matam filhos por causa da orientação sexual e identidade de gênero, todas as travestis e trans assassinadas nas ruas e têm o direito à vida negado, com certeza encontram um incentivo no discurso do Sikêra na TV aberta, que alcança milhões de brasileiros. Ele comete esse discurso com intenção, e precisamos cobrar respostas sobre essa responsabilidade. Não é à toa, não é por erro, senão não seria recorrente. É diário, é um modelo de negócios muito lucrativo que traz a ele diversos ganhos financeiros”, critica a coordenadora do coletivo Intervozes.

No Twitter, o perfil Sleeping Giants Brasil mobilizou seus seguidores a pressionarem empresas que patrocinam o Alerta Nacional a partir da tag #desmonetizasiqueira. Tim, Ford e MRV cancelaram campanhas e contratos veiculados na TV ou na internet associadas ao apresentador. Outro patrocinador é o governo federal. Apoiador de Jair Bolsonaro, Sikêra faturou R$ 120 mil para, em tese, conscientizar a população sobre o coronavírus. Na prática, criticou o distanciamento social e desestimulou a vacinação.

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