BBB 21: Fala de Rodolffo amplia péssimo histórico de reality com black power

Globo teve problemas com falas racistas em outras edições do programa

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Quem usa cabelo crespo não tem paz no BBB. O assunto mais comentado na TV nas últimas horas é o exemplo mais recente desta constatação. Após ter comparado o black power de João Luiz à peruca com aspecto sujo e desarrumado de sua fantasia de homem das cavernas, Rodolffo reafirmou a semelhança preconceituosa ao vivo, no Jogo da Discórdia da última segunda-feira (5). Humilhado, o professor chorou por ser, mais uma vez na vida, alvo de um comentário maldoso a respeito de seu penteado.

A Globo reagiu ao desabafo com silêncio. Tiago Leifert chamou o intervalo e, na volta, prosseguiu com o programa. Na manhã desta terça, Mais Você e Encontro abordaram a situação. Entretanto, a emissora ainda não provou ser capaz de lidar com casos de racismo dentro do BBB, e não foram poucos.

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Para ficar somente nas edições mais recentes, em 2016 a emissora achou genial incluir na decoração da cozinha uma esponja com o formato de boneco negro com black power. Revoltado, Ronan proibiu os brothers de usarem a peça para lavar louça. O Ministério Público Federal do Rio acionou a Justiça contra a Globo “por dano moral coletivo e discriminação racial”. A emissora defendeu que a esponja “faz parte de uma coleção que retrata ícones de gerações e culturas diversas”.

O BBB 19, marcado pela militância negra, terminou com a vitória de uma das participantes mais controversas da edição: Paula. Sem mostrar qualquer empatia, esbanjou comentários preconceituosos, inclusive sobre cabelos crespos. “Eu também tenho cabelo ruim”, disse ela, sendo repreendida por Gabriela: “Não fala isso. Ruim é preconceito, cabelo não!”. Os participantes pretos da edição foram tachados de “mimizentos”, enquanto a rival loira faturou R$ 1,5 milhão (e um depoimento à polícia no inquérito sobre racismo e intolerância religiosa no reality).

Disposta a limpar a imagem do programa após a desastrosa edição de 2019, a Globo escalou famosos para o BBB 20 e, novamente, explorou o tema racial com um dos protagonistas da temporada: Babu Santana. Durante o confinamento, ele prendeu seu pente no black power e deu uma verdadeira aula: “É o empoderamento black. Antigamente, você não podia ter cabelo comprido porque era ligado a sujeira, alguma coisa feia ou subversiva. Quando você pega o pente e abre o black, o black é a coroa e o pente é a libertação”.

A declaração de Babu foi para Rafa Kalimann, ex-mulher de Rodolffo, que parece não ter visto ou lembrado este importante ensinamento. O sertanejo mais ouvido do Brasil atualmente precisa aprender que negros são mortos por causa de brincadeiras como a dele, sem chamar de “mimimi”, nem reduzir o cabelo crespo a uma criatura das cavernas e muito menos usar o pai como escudo para defender seu preconceito. João merece respeito!

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