Ataques a João e Camilla só vão parar quando Rodolffo assumir que foi racista

Sertanejo ainda chama fala preconceituosa no BBB 21 de "brincadeira", e fãs ofendem pivôs de sua eliminação

Publicado em 25/6/2021
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

O BBB 21 terminou há quase dois meses, mas João Luiz Pedrosa e Camilla de Lucas não têm paz. Nas redes sociais, a dupla de amigos formada dentro do reality show da Globo seguem recebendo ofensas e ataques de fãs de Rodolffo inconformados com a saída dele em um paredão marcado por uma fala racista do sertanejo contra o professor. O cantor ainda não reconheceu o teor preconceituoso do comentário e o chama de “brincadeira”.

Em 13 de abril, Fátima Bernardes presenteou Rodolffo, uma semana após sua eliminação, com três livros de temática antirracista para ensinar a ele que a comparação do cabelo black power de João Luiz a uma peruca desarrumada era discriminatória. O cantor exibiu ao vivo, no Encontro, os exemplares de Torto Arado (Itamar Vieira Junior), Quarto de Despejo (Carolina Maria de Jesus) e Pequeno Manual Antirracista (Djamila Ribeiro).

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Antes de Fátima, Tiago Leifert explicou a Rodolffo por que o comentário contra o cabelo de João foi racista. Duas celebridades brancas, apoiadas por personalidades negras (o “guru” de Leifert foi Babu Santana), tentaram mostrar ao ex-brother o que sempre esteve distante de sua criação e de sua família (justificativas dele para se defender da alegação de racismo). Nada adiantou, como pode ser observado nesta entrevista ao jornalista André Piunti, há duas semanas.

“É claro que existem certos tipos de coisas que a gente fala em uma roda de amigos, existem certas brincadeiras com pessoas que a gente tem mais intimidade, que a gente conhece de fato, que a gente não vai falar para uma pessoa que acabou de conhecer. Algumas das poucas brincadeiras que eu fiz lá dentro repercutiram de forma confusa lá dentro e aqui fora, e viraram polêmica. Mas, graças a Deus, foram coisas que não me incriminaram de fato, não me incriminaram perante à sociedade, ao público que estava assistindo. A maioria das pessoas que eu vejo na rua e falam que estavam assistindo ao programa fala que ‘não, tudo que você falou lá dentro a gente fala aqui fora’, ‘isso é brincadeira que a gente faz no dia a dia’.”

Rodolffo ainda não entendeu a gravidade de sua fala por estar rodeado de pessoas que não vivem o racismo ou simplesmente o normalizam. O pai do cantor, por exemplo, usou cabelo black power na juventude, mas estimulou o ódio contra João nas redes sociais até a saída do professor no paredão seguinte.

Quando a coluna pede para Rodolffo assumir que sua fala foi racista, não significa que ele é racista desde que nasceu e deve se apresentar à polícia porque cometeu um crime. A maioria dos brasileiros já presenciou ou cometeu um ato racista, o que infelizmente é compreensível já que o país foi o último do Ocidente a abolir a escravidão.

O que a coluna sugere é apenas que o ex-brother reconheça que comparar um black power a uma peruca desajeitada é preconceituoso, não engraçado. Não tem a ver com quem você fala, Rodolffo, mas com a raiz deste comentário, que praticamente acaba com o poder de um dos maiores símbolos antirracistas: o cabelo crespo (reveja a “aula” de Babu Santana contada a você por Tiago Leifert).

Rodolffo está no auge do sucesso. A música Batom de Cereja, lançada com seu parceiro de dupla, Israel, está entre as mais ouvidas nas plataformas de streaming há mais de dois meses. Também é compreensível que ele, como maior nome do sertanejo em 2021, não tenha tempo para analisar sua fala preconceituosa em função dos inúmeros compromissos de trabalho. Entretanto, a demora do cantor alimenta o ódio de seus fãs por João e Camilla.

A pergunta que fica é: quando Rodolffo vai realmente ler Torto Arado, Quarto de Despejo e Pequeno Manual Antirracista? Não quer dizer que ele nem abriu os livros. Pode até ter lido, porém sem absorver o conteúdo para, enfim, entender como seu comentário foi racista.

É urgente que Rodolffo aprenda que comparar cabelo crespo com peruca desarrumada é racismo. Só assim João e Camilla de Lucas poderão finalmente vislumbrar a paz que tanto almejam e merecem ter.

Siga o colunista no Twitter e no Instagram.

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Em Alta

Carregando...

Erro ao carregar conteúdo.

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio