Regina Volpato relembra sua trajetória profissional e afirma sobre apresentar o Mulheres: “Eu precisava me reciclar”

Publicado há 3 anos
Por Cadu Safner
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A televisão brasileira vive um momento dos mais interessantes em suas tardes. Em todos os canais abertos a figura da mulher permanece firme e, com a certeza de que elas dominam o poder de falar diretamente ao público, não importa qual seja este público, elas atingem o telespectador com uma linguagem quase que universal. Por mais que nos tempos atuais a mulher ainda não seja valorizada como deveria, e esteja na luta por um espaço igualitário e justo, a figura da mulher comunicadora tem ganhado o seu merecido espaço na mídia e em valores quantitativos, elas seguem predominando nas emissoras, e isto soma muito para que o cenário de injustiças e pré-conceitos se invertam.

Dar maior valor a figura da mulher na televisão é fundamental e se faz necessário, sempre, e nisto as emissoras brasileiras são um bom exemplo. Numa dessas, a TV Gazeta surpreendeu ao trazer de volta para as telinhas uma das figuras mais emblemáticas, refinada e significativa do cenário artístico da última década, Regina Volpato. Não é fácil falar da jornalista, apresentadora e mãe. Regina despontou nacionalmente conduzindo um programa que tinha tudo para ser apenas mais um, mas o brasileiro enxergou, ali, todas as qualidades humanas necessárias para um apresentador ser reconhecido como um bom apresentador, um caso raro.

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De figura agradável das tardes, passando por uma fase descolada nas manhãs, se rendeu ao youtube, escreveu um livro e, para a alegria de todos, está diariamente nas tardes da TV Gazeta com o programa Mulheres. A equipe do Observatório da Televisão foi atrás de Regina Volpato para saber mais da sua história: Infância, família, escolha da profissão, coberturas jornalísticas, experiências de vida, carreira na televisão e muito mais, vocês conferem tudo nesta entrevista:

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Paulistana, Regina nasceu em São Paulo mas cresceu no interior, antes deste período ela passou uma boa temporada morando em Belém do Pará:

“Meu pai era funcionário público lá em Belém do Pará. Quando eu nasci, acho que eu era do Cambuci. Eu só voltei pra São Paulo quando eu entrei na universidade, aos 17 anos”, relembrou a apresentadora. “Minha infância foi bem normal. Eu era classe média baixa, sempre tive amigos na escola. A vida inteira eu frequentei escola pública, sempre. Alguns amigos daquela época eu tenho até hoje. É comum a gente se distanciar, mas, muitos desses amigos fazem parte da minha vida até hoje”, ressaltou.

Reconhecida não somente pela competência e versatilidade, mas, também pelo bom humor e leveza com que conduz o trabalho e a vida, quando perguntada se durante a infância ela também tinha as mesmas características da vida adulta, ela responde: “O bom humor com certeza sempre fez parte de mim. Eu acho engraçado que eu sempre tive bom humor mas eu não sabia que eu era engraçada. Minha filha dá muita risada comigo”.

Então ela explica: “A vida é muito difícil, se a gente não quebrar com bom humor, uma coisinha deste tamanho se transforma num problema enorme. Às vezes, se a gente consegue dar risada do problema e resolve aqui, morreu aqui. Uma situação que é ruim ou desagradável se resolve com uma boa risada. O bom humor me protege, me salva de muitas situações delicadas, e faz com que eu tenha menos sentimentos ruins.  É importante ficar com memórias boas”.

Regina Volpato apresenta o Mulheres na TV Gazeta (Divulgação)

“Nunca fui rebelde. Estou rebelde agora”, brincou a jornalista aos risos. E continua: “Nunca fui rebelde porque eu sempre quis agradar meus pais com boas notas e com bom comportamento. Sempre fui uma filha que me cobrei muito a atender as expectativas deles. Não acho que seja uma coisa saudável. Eu tentei educar minha filha de uma outra maneira e oriento ela até hoje. Eu acho muito importante a gente ser correto na vida, mas, atender as expectativas dos outros eu não acho que é uma estratégia inteligente na vida. Eu acho que a gente fica fiel aos padrões que aprisionam, ficamos fiéis aos comportamentos que muitas vezes não têm a ver com a gente e que a gente faz só para agradar. E fazer alguma coisa só para agradar não é legal”, avisa.

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Ao dizer que entrou na profissão por exclusão, Regina traduz bem a realidade de muitos jovens nesta idade, que não sabem o que fazer profissionalmente. Dados do Portal Educacional de 2017 apontam que em apenas 10% das escolas existe um trabalho de orientação vocacional. Regina explica os motivos: “Meus pais não tinham muitas condições pra eu ficar fazendo vários vestibulares. A inscrição de um vestibular para quem tem o dinheiro contado é uma inscrição cara. Eu só prestei a FUVEST. O valor fazia a diferença para o orçamento da minha família. Eu já estava contando que a primeira fase eu poderia fazer lá, mas, se eu passasse para a segunda fase eu teria que vir para São Paulo.  Então fui colocando tudo na ponta do lápis e cheguei à conclusão que eu teria uma chance de fazer um vestibular. Não sabia o que eu queria fazer. Eu já sabia que não era nada de exatas, nada de biológicas, então eu fui por exclusão. Não tinha sonho de ser jornalista, muito menos de aparecer na televisão, muito menos de escrever. Vi que sobrou o jornalismo e resolvi fazer isso”. Regina revelou uma curiosa lembrança que seu pai lhe contou: “Eu era pequenininha, com três ou quatro anos, ainda de fraudas, morávamos numa casa muito humilde, e dessas casas que não têm o interruptor de luz embutido na parede, era solto, ele disse que eu pegava este interruptor como se fosse um microfone e ficava imitando o Silvio Santos. Eu não acreditei, mas ele disse que eu realmente imitava o Silvio. Eu fiquei sabendo disto tem pouco tempo. Então, não era um sonho consciente, mas, de alguma maneira já existia alguma coisa dentro de mim”.

Regina Volpato (REPRODUÇÃO: Foto: Iwi Onodera / EGO)

Sem almejar a bancada de um jornal, Regina Volpato é enfática ao dizer que nunca pensou em ser famosa, “Jamais”.

Acanhada, extremamente tímida e retraída. Assim Regina se descreveu quando o assunto era câmera e televisão nos tempos de adolescência: “Na faculdade eu fazia qualquer coisa, menos apresentar trabalhos na frente da classe. Eu não tinha estrutura psicológica para enfrentar as pessoas e falar em público”, explicou, e ressaltou que televisão aconteceu por necessidade.

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Após experiência como repórter de rua e mais tarde como a moça do tempo, Regina Volpato foi parar onde ela menos esperava. Na bancada da Band News: “Foi maravilhoso. Quando eu cheguei na bancada, aquilo pra mim era muita responsabilidade. E é, de fato. Eu tremia, mas foi muito legal. Eu adquiri cultura, eu adquiri uma habilidade porque na Band News os equipamentos eram muito tecnológicos, quem manipulava o teleprompter era o próprio apresentador, no pé, igual acelerador de carro. E isso me desenvolveu uma capacidade de concentração. Na Band News os estúdios eram envidraçados, e as pessoas ficavam no vidro olhando a gente trabalhar. Eu não via ninguém, eu me concentrava tanto no meu trabalho e na câmera que eu não via essas pessoas. E isto foi me dando um poder de improviso, tanto que, nos atentados de 11 de Setembro eu sentei na bancada às nove da manhã e levantei às seis horas da tarde. Eu só consegui por conta do meu poder de concentração, eu foquei ali e fui direto. Quando levantei a cabeça eram seis horas da tarde”, relembrou.

Regina Volpato foi jornalista da Band News (Reprodução: TV Bandeirantes)

Regina Volpato relembra esta como sua maior cobertura jornalística e relata ter sido impactante: “Me lembro que naquele dia quando cheguei em casa, eu abracei a minha filha e só chorava. Até acomodar tudo aquilo na minha cabeça, não houve nada mais impactante que este dia”.

Regina Volpato também foi moça do tempo na Band News (Divulgação: Internet)

CASOS DE FAMÍLIA

Em sua época de ouro no SBT à frente do icônico Casos de Família, hoje apresentado por Christina Rocha, a apresentadora do Mulheres desmistifica alguns rótulos e questões sobre sua conduta no programa, “Era a Regina real, mas, profissional. Ali eu entendi que eu tinha muito mais que ouvir que falar. Não era um personagem, ali eu era muito franca e verdadeira e isto é perceptível até hoje. A Regina de hoje é uma Regina com mais traquejo, mais jogo de cintura e num outro cenário. Lá eram conflitos, desilusões, perdas, e aqui no Mulheres é só alegria. É a mesma Regina, só que num outro contexto, tanto que, quando acontece alguma situação de conflitos e disputa eu vejo que o meu comportamento  é muito semelhante daquele, que é o de ouvir, sem tentar julgar – às vezes é impossível- sem tentar impor a minha opinião”.

Regina Volpato em gravação do Casos de Família, no SBT (Reprodução: SBT)

“Era uma Regina muito franca, eu não tinha referências para fazer o Casos de Família. Muito modestamente, o jeito que eu fiz o Casos foi um jeito que ninguém fez. Sem tirar o mérito das outras apresentadoras: Christina Rocha, Márcia Goldschmidt , Silvia Poppovic. Cada uma tem o seu estilo e eu tenho o meu. Eu apresentei o programa com o meu estilo e tenho muito orgulho disso. Foi tudo desenvolvido graças a muita reflexão e sofrimento. Houve um empenho da minha parte muito intenso pra tentar achar aquele jeito de fazer aquele programa de uma maneira que eu achava interessante e respeitosa, então eu me orgulho muito de ter deixado a minha marca no Casos de Família e ser uma referência neste tipo de programa”.

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Mãe da Rafaela, a apresentadora adora quando a comparam com a filha, afinal a semelhança entre mãe filha é impressionante, “Tenho o maior orgulho”. Rafaela é diferente de Regina quando o assunto é vídeo: “Ela tem horror a câmeras, aparece em raríssimas exceções, tanto que, no meu instagram e no meu canal não tem a Rafaela. Mas ela está sempre nos bastidores”.

Rafaela é filha de Regina Volpato (Divulgação)
Rafaela e Regina em um registro no Rio de Janeiro (Reprodução: Instagram)

Destaque também no youtube, Regina conta que trabalha muito na intuição. Ela acredita que não há uma divisão de público ou que não fala pra um grupo específico: “Não sei nem se existe esta divisão. Eu entendo como um grupo de pessoas que tem consciência crítica, que tem opinião, que tem valores e limites. Eu não subestimo quem me ouve. Jamais. Se eu erro eu me corrijo, se eu acho que estou mal preparada eu me preparo melhor, então, eu não sei se estou falando com homem, mulher, criança, eu sinto este retorno, hoje mais fácil pelas redes sociais, nas ruas, mas sempre foi uma coisa muito intuitiva. Em comum, é este, é o respeito por quem está me ouvindo, pelo horário que eu estou trabalhando. Eu estava à tarde no Casos de Família, estou à tarde com o Mulheres, então eu tenho que ser respeitosa com as pessoas que estão me vendo neste horário e que estão deixando eu entrar em casa. Eu não faço divisão nem por faixa etária, nem por identidade de gênero. Eu tenho esta coisa imaginária de estar falando com um amigo ou amiga, é isto que eu tenho de pano de fundo”.

HEBE CAMARGO

Regina Volpato no programa da Hebe, na RedeTV! (Divulgação)

Muita gente não sabe, mas,  Regina Volpato foi uma pessoa muito querida pela maior estrela feminina da televisão brasileira, Hebe Camargo. Uma relação de amizade, inspiração e admiração: “Eu aprendi com a Hebe participando do programa dela. Hoje eu uso muito das artimanhas dela. Das artimanhas no sentido positivo, no traquejo, quando alguma coisa dava errada, como ela reagia nessas situações. Aprendi muito observando. Dos momentos mais engraçados da minha vida aos momentos mais delicados, ou tristes, Hebe marcou. São muitas memórias”.

Quando perguntada sobre exaustão profissional, ela diz: “Quando eu encerrei o meu contrato no SBT e, naquele momento eu senti que eu precisava me reciclar. É muito tentador a gente fazer a mesma coisa a vida inteira, ainda mais se te pagam bem para isso. Era muito tentador fazer sempre a mesma coisa, pois, o jogo está ganho, você vai lá e faz as coisas e está tudo bem, mas, pra minha vida não tem graça se não tiver desafios.  Seja no relacionamento pessoal ou no trabalho. Eu recuso a me acomodar, ainda que a situação esteja confortável. A situação é confortável no primeiro momento, mas, no segundo momento é o tédio. E Deus me livre viver no tédio, se pra mudar eu preciso me arriscar e me lançar, eu vou. Eu vou fazer isto, como já fiz tantas outras vezes na minha vida e vou fazer todas as vezes que eu achar necessário. Quando eu percebo que eu estou ficando sem criatividade, repetitiva, quando eu estou no automático, eu já entendi que é hora de virar o jogo, para a minha sanidade mental, para minha sanidade física, para o meu bom humor e para o meu cabelo”, afirmou.

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RELIGIÃO

Criada na religião católica, ela choca ao dizer o por que não segue mais esta doutrina: “Me envergonha”. Extremamente religiosa, Regina é daquelas que leem a bíblia. “E também acredito que em muitas coisas que são comuns em todas as religiões. No fundo a gente sabe o que é certo ou errado”.

PERÍODO FORA DA TELEVISÃO

Com intervalos grandes entre o período em que saiu do SBT e antes de chegar até a RedeTV! e após a sua saída da RedeTV!, Regina Volpato achou que nunca mais voltaria para a televisão, e que tudo não tinha passado de uma fase em sua vida profissional: “Quando eu criei o canal do youtube e no mesmo tempo escrevi o livro, na minha cabeça eram novos caminhos profissionais que eu estava trilhando porque televisão já não iria fazer mais parte da minha vida. Eu gostei de escrever o livro, gostei do canal, tanto que retomei. O projeto do segundo livro eu adiei. Então com estes projetos eu me encontrei e foi super desafiador e ai a gente vai vendo como essas experiências vão dando mais lastro para fazer outras coisas. Seja agora no Mulheres entrevistando alguém, seja escrevendo, tudo se afinou no meu raciocínio”, disse ela comemorando os ganhos de experiência com canal e com o livro, e completou: “Com o canal pude entrevistar -no tempo da internet- pessoas de grandes valores do país e figuras muito interessantes, muito inspiradoras, são brasileiros que a gente não vê na mídia. No youtube é um jeito de satisfazer esta vontade minha de conversar com essas pessoas e de fazer os registros dessas conversas que são as entrevistas”.

2018 chegou e a vida de Regina Volpato deu um novo giro de 360 graus. A TV Gazeta fez um de seus maiores acertos dos último tempos e contratou a apresentadora para ocupar a vaga deixada por Cátia Fonseca, hoje apresentadora do Melhor da Tarde, na Band. Regina inicialmente estava apenas cobrindo férias, mas, o retorno do público e da crítica especializada foi tão forte e positivo, que a emissora, sem querer, viu ali, o seu triunfo. Alguém que, naquele momento estava na melhor forma e no melhor momento para que tudo encaminhasse para a oficialização no posto de apresentadora do Mulheres.

Regina conta detalhes de como tudo aconteceu: “Eu já estava super feliz e me sentindo muito desafiada para fazer um mês. Eu disse pra mim mesma: ‘Eu vou, mas pra fazer direitinho. Não quero fazer feio e quero deixar saudades’. Então eu disse isso para o Ocimar, que foi quem me convidou, falei para a Marines (Diretora artística da TV Gazeta). Quando a vaga que era temporária passou a ser definitiva, o posto também não era meu, eu fui avaliada durante este período. E eu acho muito bom, em todos os trabalhos eu sempre tive que passar por uma avaliação”.

MULHERES

Regina Volpato cobriu férias de Cátia Fonseca no Mulheres (Reprodução: TV Gazeta)

Caminhando para o quinto mês como apresentadora do Mulheres, Volpato trouxe um ritmo diferente, mais alegria e mais vida ao produto mais antigo da televisão brasileira. Não que Cátia Fonseca também não tenha conduzido com maestria, não só com maestria, mas com encanto também. Porém, cada uma com o seu jeito e peculiaridades. Regina recebeu uma missão e, é normal, em ritmo televisivo, que o público precise de um tempo para se acostumar com o novo, para que a produção ganhe as graças do telespectador. Isto leva tempo. Foi assim com Fátima Bernardes no Encontro, com Christina Rocha no Casos de Família, com Xuxa na Record, Cátia Fonseca na Band.

Mas o público não precisou se acostumar com Regina Volpato no vespertino da TV Gazeta. É como se ela já fosse de casa. Ela explica que o sucesso do Mulheres se deve a toda equipe, “É mesma equipe há muito tempo, uma equipe super entrosada. Eu cheguei com a obrigação de me inserir nesta equipe que já se dava muito bem. E pra mim foi muito fácil, a equipe é muito boa e competente, as pessoas se dão bem e fui muito bem recebida. O que tem de mim ali, sou eu. A única coisa que eu acrescento é o meu jeito, eu estar ali fazendo da maneira que eu sei fazer, da maneira que eu posso fazer, e tentando me superar a cada dia”.

Regina Volpato se tornou apresentadora oficial do Mulheres em Fevereiro de 2018 (Divulgação)

O programa Mulheres vai ao ar de segunda a sexta, sempre a partir das 14hrs na TV Gazeta. Um programa recheado de bom conteúdo, com a participação de profissionais talentosos como o jornalista Fefito, a Tia, Tutu, Sylvinho Rezende e os grandes profissionais da culinária, horóscopo e informações do jornalismo. É uma grande prestação de serviço nas tardes da televisão brasileira. Tudo isto comandado pela nossa querida Regina Volpato. Na direção, o experiente Ocimar de Castro.

+ OBSERVATÓRIO DA TELEVISÃO

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