Há 28 anos estreava Tieta, um clássico da teledramaturgia brasileira

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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No dia 14 de agosto de 1989 estreava na faixa das 20 horas da Rede Globo a novela Tieta. Escrita por Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn, livremente inspirada no romance Tieta do Agreste, de Jorge Amado, a trama imortalizou as personagens Tieta e Perpétua, de Betty Faria e Joana Fomm.

Tieta gira em torno da personagem-título que, quando jovem, foi escorraçada pelo pai Zé Esteves (Sebastião Vasconcelos), já que o conservador homem se sente desonrado em razão do comportamento ousado da filha. Tieta (Claudia Ohana), humilhada, deixa a pequena Santana do Agreste, no nordeste brasileiro, jurando um dia retornar para se vingar de sua família e dos habitantes do local.

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25 anos depois, Tieta (Betty Faria) ressurge linda, rica e exuberante, disposta a se vingar de sua família. Numa cidade cercada pelo conservadorismo e, principalmente, pela hipocrisia, uma figura exuberante e extremamente franca como Tieta chama a atenção de todos. Ela vive em pé de guerra com sua irmã, a beata Perpétua (Joana Fomm), que não concorda com o espírito liberto de Tieta. Mas a mulher, ainda disposta a se vingar, se envolve justamente com Ricardo (Cássio Gabus Mendes), seu sobrinho, filho de Perpétua. Sendo assim, o sonho de Perpétua de tornar o seu filho padre se torna ameaçado.

Em meio a esta briga de família, Santana do Agreste é o palco para diversas brigas ideológicas. A principal envolve Ascânio (Reginaldo Faria), um idealista que sonha com o progresso, mas esbarra nas ideias do Capitão Dário (Flavio Galvão), que tenta preservar o meio-ambiente na cidade e na região. A cidade ainda abriga diversos tipos antológicos, como o prefeito Arthur da Tapitanga (Ary Fontoura) e suas “rolinhas”, ou Carol (Luíza Tomé), amante do perigoso Modesto Pires (Armando Bógus), um homem capaz de tudo para não perder o seu poder. Carol é apaixonada por Osnar (José Mayer), o grande amor de Tieta. Elisa (Tássia Camargo) é outro destaque da trama: em crise com o marido Timóteo (Paulo Betti), ela tem sonhos românticos com o ator Tarcísio Meira.

Tieta foi um grande sucesso do horário das 20 horas, mas sua origem é curiosa. A trama foi produzida às pressas em razão da decisão de J. B. de Oliveira Sobrinho, o Boni, então todo-poderoso da Globo. Inicialmente, caberia à Barriga de Aluguel, de Gloria Perez, substituir O Salvador da Pátria, novela de Lauro Cesar Muniz exibida às 20h entre 1988 e 1989. Boni achou Barriga de Aluguel muito dramática, e queria que a substituta da novela de Sassá Mutema (Lima Duarte) fosse uma história mais leve. Assim, Tieta acabou sendo escalada, enquanto Barriga de Aluguel foi realocada para a faixa das 18 horas (onde foi um grande sucesso, diga-se).

Em razão de tal decisão, a atriz Betty Faria se viu obrigada a emendar duas novelas das oito, já que ela integrava o elenco de O Salvador da Pátria. Em entrevista ao Donos da História, do Viva, a atriz contou que Zélia Gattai, esposa de Jorge Amado, disse a ela que o marido estava escrevendo um romance cuja personagem principal deveria ser vivida por ela numa possível adaptação. Quando o romance saiu, Betty Faria se mostrou bastante interessada em dar vida a ela. O diretor Daniel Filho também contou certa vez que encontrou o escritor em Paris, em 1974, quando escrevia a obra, e que o escritor desejava Betty Faria como a personagem-título.

Por isso, os direitos de adaptação da obra foram negociados com intermediação da própria Betty Faria e, assim, só ela poderia protagonizar a novela. E assim foi feito. O tempo que Tieta demora para chegar toda poderosa de volta à Santana do Agreste foi o único tempo de descanso que a atriz teve entre uma novela e outra. E tudo correu como previsto, pois a atriz fez uma Tieta memorável.

Tão memorável quanto Tieta era Perpétua, tipo genialmente criado por Joana Fomm. A atriz resolveu dar uma cara mais caricata, quase como um cartoon à beata com ares de vilã, e muitos achavam que o tom over seria fatal para a personagem. Pois foi exatamente o contrário: Perpétua se tornou uma grande mania e, até hoje, é considerada o grande momento de Joana Fomm na televisão brasileira.

O folhetim estreou com média de 70 pontos na Grande São Paulo. Em sua penúltima semana, entre 19 e 24 de março de 1990, Tieta registra uma média de 71 pontos, e seu último capítulo, marcou 78 pontos. Sua média geral foi de 65 pontos na Grande São Paulo. Teve 196 capítulos e contou com direção de Reynaldo Boury, Ricardo Waddington e Luiz Fernando Carvalho e direção geral e núcleo de Paulo Ubiratan. Atualmente, Tieta pode ser vista no canal Viva, de segunda a sábado, às 15h30.

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Reveja a abertura de Tieta:

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