Há 28 anos, estreava Kananga do Japão

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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No dia 19 de julho de 1989, a extinta Manchete colocava no ar a novela Kananga do Japão. Escrita por Wilson Aguiar Filho e trazendo Christiane Torloni e Raul Gazolla como protagonistas, a trama tinha a importante missão de devolver o prestígio da teledramaturgia da emissora, que vinha em baixa.

A história de Kananga do Japão se passa durante a revolução de 1930 e 1932, a Intentona Comunista, o Integralismo e a Segunda Guerra Mundial, e tinha como cenário principal o Grêmio Recreativo Familiar Kananga do Japão, que dava nome à trama. O lugar era uma casa noturna localizada na Praça Onze, onde aconteciam muitos eventos. Quem sempre frequentava o lugar era Dora (Christiane), uma moça de família abastada, mas que perdeu tudo depois da quebra da Bolsa de Valores de Nova York. E é ali que ela conhece Alex (Gazolla), por quem se interessa. Mas desejando voltar a ter a vida de antes, resolve se casar com o milionário Danilo (Giuseppe Oristanio), enquanto Alex se casa com Lisete (Elaine Cristina).

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O tempo passa e todos ficam profundamente infelizes. Letícia (Tônia Carrero), mãe de Danilo, se apaixona por Alex, e ele resolve aproveitar desta paixão para aplicar um golpe do baú, e se separa de Lisete. Ao mesmo tempo, Dora se divorcia e passa a se encontrar com Alex. O caso é descoberto pelo jornalista Noronha (Claudio Marzo), que publica uma charge em que a mulher era a personagem. Dora, então, se vinga de Noronha, matando-o com vários tiros.

Kananga do Japão foi muito bem-sucedida na missão de elevar os índices de audiência da Manchete, derrubados com a novela Olho por Olho. Antes disso, as tramas da emissora passavam por altos e baixos: a primeira novela, Antonio Maria (1985), não fez muito sucesso, mas foi substituída por Dona Beija, que foi um êxito total; depois vieram Novo Amor, Tudo ou Nada e Mania de Querer, que não repetiram o sucesso da trama protagonizada por Maitê Proença; aí vieram Corpo Santo, Helena e Carmem, três novelas que elevaram os índices; até que chegou Olho por Olho e a faixa sucumbiu.

Assim, como uma espécie de operação de emergência, a direção da Manchete recorreu ao autor de Dona Beija, Wilson Aguiar Filho. A ele, foi encomendada uma sinopse de um folhetim que mostrasse o Grêmio Recreativo Familiar Kananga do Japão, ideia que partiu do próprio Adolpho Bloch, dono da emissora. E a Manchete não economizou na produção, investindo 20 milhões de dólares na atração que vinha forte para fortalecer a dramaturgia da emissora. “Se essa novela não der certo, a Manchete desistirá da dramaturgia”, declarou o então diretor artístico da Manchete, Jayme Monjardim.

Deu certo. A trama estreou com impressionantes 20 pontos no Ibope na Grande Rio de Janeiro, enquanto registrou seis na Grande São Paulo. Um grande êxito, comparado com Olho por Olho, que costumava marcar seis pontos no Rio de Janeiro e dois pontos em São Paulo. Na época, um ponto no Ibope equivalia a 154 mil telespectadores. No decorrer dos capítulos, a trama manteve-se em alta, tornando-se uma das novelas mais bem-sucedidas da história da Manchete. Além do sucesso de público, Kananga do Japão conquistou a crítica especializada, que apontou a qualidade do texto e da produção, extremamente caprichada. Tanto que a história foi agraciada com o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) nas categorias cenografia, trilha sonora, figurino, abertura e revelação feminina (Cristiana Oliveira).

Kananga do Japão teve 208 capítulos e foi produzida por Jayme Monjardim com a colaboração de Rodrigo Cid, Sérgio Perricone, Gil Haguenauer, Guto Graça Mello, Colmar Diniz e Guilherme Arantes, sob a direção de Carlos Magalhães e Tizuka Yamasaki. A trama foi substituída por Pantanal, maior sucesso da Rede Manchete.

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Relembre a premiada abertura de Kananga do Japão:

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