Há 20 anos, o sucesso A Indomada chegava ao fim

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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No dia 10 de outubro de 1997, a Globo exibia o último capítulo de A Indomada, sucesso do horário das oito. A trama de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares trazia Adriana Esteves como a protagonista Helena, dando nova projeção à atriz, que passaria a acumular bons trabalhos na TV a partir desta história de realismo fantástico criada por Silva e Linhares.

A Indomada se passa em Greenville, uma pequena cidade do interior de Pernambuco que foi colonizada por ingleses. Por isso, o local mantém uma série de tradições da Inglaterra, e seus habitantes têm o hábito de misturar inglês com português. Ali vive Eulália (Adriana Esteves), irmã de Pedro Afonso Mendonça e Albuquerque (Claudio Marzo), um dos homens mais importantes do local. Ela vive um romance proibido com o humilde Zé Leandro (Carlos Alberto Ricceli), para amargor de Pedro Afonso e sua esposa, a beata Maria Altiva (Eva Wilma). Os Mendonça e Albuquerque passam a perseguir Zé Leandro, e Eulália o ajuda a fugir e, pouco tempo depois, dá a luz Lúcia Helena, filha dele.

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15 anos depois, surge em Greenville o forasteiro Teobaldo Faruk (José Mayer), que se interessa por Eulália. Ela, porém, vive a esperar Zé Leandro, ao lado da filha Helena (Leandra Leal). Altiva, então, passa a desprezar Teobaldo, achando um absurdo um forasteiro sem eira nem beira querer se aproximar dos Mendonça e Albuquerque. Humilhado, Teobaldo decide se vingar de Altiva, comprando todas as promissórias de dívidas de Pedro Afonso, que é viciado em jogo. Ao mesmo tempo, Zé Leandro retorna e decide fugir com Eulália e Helena, mas o casal acaba morrendo na fuga, e Helena é a única sobrevivente. Teobaldo, então, propõe deixar que os Mendonça e Albuquerque continuem vivendo na casa que agora pertence a ele, e ainda oferece uma mesada ao casal, desde que eles prometam a mão de Helena a ele. O acordo é feito, e Helena deixa Greenville para estudar fora, prometendo retornar para cumprir sua promessa.

Alguns anos depois, Helena (Adriana Esteves) está de volta à Greenville e se casa com Teobaldo, pedindo a ele como presente de casamento a usina de álcool Monguaba, que pertencia à família de Pedro Afonso, mas estava desativada. Ele concorda, e Helena passa a se dedicar à usina. Ao mesmo tempo, a jovem não concorda em consumar o casamento com Teobaldo, deixando-o furioso, já que sua meta é ter um filho com o sangue dos Mendonça e Albuquerque para se vingar, definitivamente, de Altiva. Começa, então, uma queda-de-braço constante entre os dois, que viverão às turras. Porém, aos poucos, a tensão entre Helena e Teobaldo se transforma em amor.

Enquanto isso, a beata Altiva toca o terror em Greenville. Sempre dizendo ser uma defensora da moral e dos bons costumes, a vilã inferniza a vida de todos, principalmente de Zenilda (Renata Sorrah), dona do bordel Casa de Campo. Ali, a divertida mulher lidera suas “camélias”, entre elas Maribel (Monica Carvalho), que realiza o sonho de se casar e deixar de ser prostituta, e Dinorah (Carla Marins), que tem o mesmo sonho da colega. Greenville é liderada pelo prefeito Ypiranga Pitiguary (Paulo Betti), um político de ideias tolas e megalômanas, como decretar a mão inglesa no trânsito da cidade, causando o caos. Ele vive em pé de guerra com a juíza Mirandinha (Betty Faria), que é linha dura e não deixa passar nada, e também é casado com a fogosa Scarlett (Luiza Tomé), filha do deputado Pitágoras (Ary Fontoura), que despreza a esposa Cleonice (Ana Lúcia Torre), enquanto nutre uma paixão por Altiva, que se aproveita dele para colocar em prática seus planos mirabolantes.

Tentando se livrar da dependência de Teobaldo e sair da falência, Altiva, então, arma para casar seu filho Hércules (Marcos Winter), sem saber que ele se casou em segredo com Inês (Isabel Fillardis), sobrinha de Florência (Neusa Borges), empregada da casa dos Mendonça e Albuquerque. A escolhida é Dorothy (Flavia Alessandra), a desengonçada filha mais nova de Pitágoras. Mas o mundo de Altiva virá abaixo mesmo quando descobrir que seu marido Pedro Afonso se apaixonou por Zenilda, sua pior inimiga. E, também, quando um grande segredo seu vem à tona: no passado, Altiva teve um filho com Richard (Flavio Galvão), e escondeu esse fato de todos, criando Artêmio (Marcos Frota) como adotivo e, depois, dizendo que ele era filho de sua irmã, a alcoólatra Santinha (Eliane Giardini).

A Indomada foi um grande sucesso, e fez história ao narrar, com muito bom humor, o cotidiano dos habitantes de Greenville. Os tipos não dispensavam o “five o’clock tea” e sempre repetiam expressões como “O xente mai gódi”, frase que se tornou um bordão da vilã Altiva. A personagem, aliás, era um dos principais trunfos da novela, sempre com frases geniais proferidas da boca de uma inspiradíssima Eva Wilma. No final, ao morrer queimada, Altiva surge diante de todos pelo céu de Greenville, dizendo que um dia retornaria “I’ll be back!”, repetiu ela. Outro destaque era o “Cadeirudo”, um sujeito de ancas amplas que atacava as mulheres da cidade em noite de lua cheia. A identidade da criatura foi revelada apenas na reta final: tratava-se de Lourdes Maria (Sonia de Paula), beata que queria assustar as “mulheres da vida”.

Destaque também para a abertura, que trazia a então desconhecida Maria Fernanda Cândido correndo e se transformando em elementos da natureza para ultrapassar barreiras que surgiam em seu caminho. Enquanto corria, ouvia-se o tema “Maracatudo”, de Sérgio Mendes. Curiosamente, a música foi alterada durante a reprise da novela, em 1999, no Vale a Pena Ver de Novo, e substituída por “Unicamente”, de Deborah Blando, que também fazia parte da trilha sonora.

A atriz Claudia Abreu foi a primeira cotada para viver Eulália na primeira fase, e Helena na terceira, mas Adriana Esteves ficou com as personagens. Foi um divisor de águas na carreira da atriz, que havia sido bastante criticada em Renascer e, depois, migraria para o SBT, onde participou de Razão de Viver. Voltou à Globo como protagonista e, a partir dali, acumularia personagens antológicos, como a Sandrinha de Torre de Babel, e a Catarina de O Cravo e a Rosa.

Com 203 capítulos, A Indomada foi escrita por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, com colaboração de Maria Elisa Berredo e Nelson Nadotti, e dirigida por Marcos Paulo, Roberto Naar e Luiz Henrique Rios, com direção-geral e de núcleo de Marcos Paulo.

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Relembre a abertura de A Indomada:

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