Há 10 anos, terminava Pé na Jaca

Publicado em 16/06/2017

No dia 16 de junho de 2007, chegava ao fim a novela Pé na Jaca. Trata-se da última novela de Carlos Lombardi na Globo, emissora onde emplacou sucessos como Bebê a Bordo, Quatro por Quatro e Uga Uga. Em Pé na Jaca, o autor foi feliz ao mesclar seu típico humor com uma trama que pregava sobre o valor da amizade verdadeira.

Pé na Jaca começa em 1984, quando cinco crianças se conhecem numa fazenda da pequena cidade de Deus Me Livre, próxima à Piracicaba, interior de São Paulo. Ali, sem se darem conta das diferenças sociais que os separam, os cinco pequenos passam as férias juntos e juram amizade eterna. Entretanto, os anos se passam, e os cinco nunca mais se reuniram novamente. Até que, por um revés do destino, todos se veem tendo de recomeçar a vida, e escolhem justamente Deus Me Livre para viverem uma nova história.

Em Deus Me Livre, vivem Gui (Juliana Paes) e Beth (Deborah Secco). A primeira se tornou uma dona de casa quando se casou com o filho de Último Botelho Bulhões (Fúlvio Stefanini), um poderoso dono de uma fábrica de bebidas da região. Já Beth tornou-se uma noviça, mas guarda um ressentimento porque acredita ser filha bastarda de Último e, portanto, herdeira do empresário. Enquanto isso, em São Paulo, Arthur Fortuna (Murilo Benício) é um importante homem de negócios, casado com Vanessa (Flavia Alessandra). Mas um golpe o leva a perder tudo, tendo de se mudar de mala e cuia para a fazenda de jaca do seu tio José (Leonardo Villar), em Deus Me Livre. Já em Paris vive Maria Bo (Fernanda Lima), sobrinha de Último e modelo internacional, que, após uma crise no casamento, se vê tendo de retornar ao Brasil. Ali ela cruza com Lance (Marcos Pasquim), que está fugindo de um homem que quer matá-lo, após Lance dormir com sua mulher.

E é assim que Gui, Beth, Arthur, Maria e Lance, os cinco amigos de infância, finalmente se reúnem em Deus Me Livre, tendo a chance de retomar a amizade e recomeçarem suas vidas. Gui fica viúva e se aproxima de Arthur, que a ajuda a lutar pela herança da fábrica de bebidas após a morte de Último. Já Lance e Maria tentam retomar um namoro iniciado na adolescência, mas o aventureiro precisa resolver traumas do passado com sua ex-mulher Dorinha (Carla Marins) e seu filho adolescente. Já Maria precisa, também, enfrentar sua tia Morgana (Betty Lago), outra que está de olho na herança de Último. E Beth, por sua vez, passa a armar para prejudicar os quatro amigos, tentando reaver o que acreditava ser seu de direito.

Pé na Jaca mesclou momentos de pura emoção com o humor non sense e cheio de referências de Carlos Lombardi. Tal mistura resultou numa história cheia de momentos hilários. Um dos destaques da obra é Arthur, um tipo engraçado muitíssimo bem construído por Murilo Benício. Cheio de cacoetes e manias, Arthur arrancava risos com suas trapalhadas e a mania que tinha de trocar os nomes de todos, incluído aí o nome de sua amada Guinevere, a Gui. Ele a chamava de “Genoveva”, “Guilhotine”, entre outras variações. Uma das melhores cenas acontece quando Arthur descobre que Último morreu e resolve sambar em pleno velório. Seu romance com Gui era fofo e contava com a torcida da audiência, assim como o casal Maria e Lance, lindo e regado à música “Cheiro de Amor”, com Maria Bethânia. Houve um troca-troca de casais no decorrer da novela, mas Gui e Arthur ficam juntos no fim, assim como Maria e Lance. Já Beth se torna a grande vilã da história, tentando prejudicar os amigos de infância, mas, aos poucos, ela se redime com a ajuda deles, e os cinco têm um belo final feliz.

Para o conflito central de Pé na Jaca, Carlos Lombardi teve como referência principal a lenda do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, daí o nome dos personagens Arthur, Guinevere, Lance (de Lancelotti), Morgana e Merlin (Humberto Martins). Além disso, Lombardi fazia um sem-número de referências pop em seu texto, citando séries como Lost, Battlestar Galactica, Heroes e Monk, entre outras. Além disso, teve uma das mais simpáticas aberturas de novela de todos os tempos, com uma animação que mostrava os animais da fazenda de jaca cantando e dançando ao som de “Eu Ando OK”, com Zizi Possi. Outra curiosidade é que Nair Bello, uma das atrizes preferidas de Carlos Lombardi, chegou a gravar cenas como Gioconda, avó de Vanessa. Mas ela entrou em coma ainda no início das gravações, e teve de ser substituída por Arlette Salles. Gioconda, assim, se tornou a tia de Vanessa e teve cenas hilárias, mas não ficou até o final da trama. Nair Bello morreu alguns meses depois.

Pé na Jaca obteve média geral de 29,5 pontos de audiência, não sendo considerada um sucesso. Mesmo assim, conquistou fãs ardorosos, que lembram com carinho da novela até hoje. Foi escrita por Carlos Lombardi, com colaboração de Vinícius Vianna, Filipe Miguez, Nélio Abbade e Sebastião Maciel, e dirigida por Ary Coslov, Gustavo Fernandez, Marco Rodrigo, Paola Pol Balloussier e Paulo Silvestrini com direção geral e de núcleo de Ricardo Waddington.

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Reveja a cena do reencontro dos cinco amigos, uma das mais belas de Pé na Jaca: