Favelas nas novelas: assim como Topíssima, relembre outras histórias que mostraram comunidades e seus conflitos

Publicado há um ano
Por Fábio Costa
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A nova novela da Record TV, Topíssima, que estreou anteontem (21 de maio), tem o Morro do Vidigal, na zona sul carioca, como um de seus principais cenários. É lá que mora o mocinho da história, Antônio (Felipe Cunha), que conquista o coração da milionária Sophia (Camila Rodrigues). O contraste das realidades dos dois e a investigação em torno de uma nova droga, chamada de “Veludo Azul”, que está se espalhando entre os jovens da cidade, têm na ambientação na favela um mote com muitas possibilidades de exploração pela trama criada por Cristianne Fridman. Vamos recordar outros exemplos de presença das favelas nas novelas.

Vidas Opostas (2006/07)

Léo Rosa e Maytê Piragibe, protagonistas de Vidas Opostas, que inovou na abordagem das favelas nas novelas (Divulgação/Record TV)

A primeira novela que mostrou uma favela de maneira mais aprofundada, não apenas pelo viés conhecido da criminalidade que impera, mas também pela ótica dos cidadãos “comuns” que vivem nela, foi produzida pela Record TV. Logo após estrear na emissora com Essas Mulheres (2005), que assinou com Rosane Lima, Marcílio Moraes desenvolveu Vidas Opostas, cujo casal central era formado por um jovem milionário, culto e herdeiro de empresas, Miguel (Léo Rosa), e uma moradora da comunidade do Torto, Joana (Maytê Piragibe).

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Na adolescência, Joana fora namorada de Jeferson (Ângelo
Paes Leme), que em virtude de seu envolvimento com o crime acabou na
penitenciária, onde está no início da história. Ao sair da cadeia, ele deseja
reconquistar Joana, a essa altura já envolvida com Miguel ainda que este seja
noivo da estilista Erínia (Lavínia Vlasak). Posteriormente, Jeferson morre e
Joana passa a ser alvo da cobiça do irmão mais velho dele, Jackson (Heitor
Martinez), um bandido ainda mais perigoso. As cenas do Torto foram gravadas na
comunidade de Tavares Bastos. Posteriormente, as favelas nas novelas ganharam
não apenas fôlego, como grande incentivo.

Duas Caras (2007/08)

Ao invés de abordar o ambiente de uma favela pelo viés da criminalidade, Aguinaldo Silva decidiu fazer em Duas Caras o retrato de uma “favela-modelo”, a partir de sua fictícia Portelinha. A comunidade foi iniciada anos atrás pela ação de Juvenal Antena (Antonio Fagundes), que se tornou seu líder. A palavra de Juvenal é a lei na comunidade, surgida 10 anos antes, a partir de um empreendimento imobiliário da construtora de Marconi Ferraço (Dalton Vigh). Pelo menos até que ele comece a enfrentar o pupilo Evilásio (Lázaro Ramos), que se levanta contra os métodos do padrinho. Embora a intenção fosse fugir do estereótipo da favela como um local perigoso e violento, a novela apresentou cenas de conflito bastante fortes, como a tentativa de tomada da Portelinha por Lobato (Paulo César Pereio), bandido inimigo de Juvenal. Podemos considerar este o primeiro grande exemplo de “favelas nas novelas” da Globo.

Aquele Beijo (2011/12)

A comunidade do Covil do Bagre era alvo da cobiça da empresária Marushcka (Marília Pêra), que reivindicava a posse do terreno, nessa novela de Miguel Falabella para o horário das 19h. Ela desejava construir uma nova unidade de sua loja de artigos de luxo, a Comprare. Todavia, acabou esbarrando na resistência dos moradores da comunidade a deixá-la, influenciados principalmente pela cabeleireira Sarita (Sheron Menezes). Ademais, mal sabia Marushcka que seu filho, separado dela quando bebê, mora no Covil e atende por Ana Girafa (Luís Salém), dona do salão de beleza mais disputado. E que com seu jeito pedante e hostil perderia o marido Alberto (Herson Capri) para Sarita. No decorrer da novela, Marushcka passa por um processo de redenção. E acaba passando a propriedade do terreno para o filho José Rubens. Ou melhor, para Ana Girafa. Aqui, com efeito, as favelas nas novelas tiveram um exemplo mais bem-humorado.

Lado a Lado (2012/13)

A história criada por João Ximenes Braga e Cláudia Lage, ganhadora do Emmy em 2013 na categoria “Melhor Novela”, é ambientada no Rio de Janeiro do começo do século 20. Era numa que os protagonistas Isabel (Camila Pitanga) e Zé Maria (Lázaro Ramos) viviam e foi lá que se apaixonaram. No entanto, a vida pregou uma grande peça nos dois e um mal-entendido leva Isabel a acreditar que Zé Maria desapareceu, quando ele a deixa esperando no altar. Na verdade, ele está preso, já que capoeiristas como ele era não valiam muito aos olhos da polícia. Seu envolvimento com o rico Albertinho (Rafael Cardoso) rende uma gravidez, e a revolta de Zé Maria. O cotidiano dos moradores das favelas nesse período é mostrado através dos núcleos dos dois e daqueles que se relacionam diretamente com eles, como Berenice (Sheron Menezes), Zenaide (Ana Carbatti) e Caniço (Marcello Melo Jr.).

As favelas nas novelas tiveram em Lado a Lado uma representação do princípio desse tipo de habitação no Rio de Janeiro, no Morro da Providência. Os barracos foram construídos por pessoas pobres que antes moravam nos cortiços destruídos pelo processo de modernização e higienização da Capital Federal. Com toda a certeza, uma das melhores produções do horário das 18h da Globo, que merece uma reprise. Quando menos, por sua grande qualidade e pelo importante prêmio que ganhou, apesar de não ter sido considerada um sucesso.

Salve Jorge (2012/13)

Nando Cunha, Roberta Rodrigues, Duda Nagle e Bruna Marquezine em cena de Salve Jorge (Divulgação/ TV Globo)

Morena (Nanda Costa), mocinha dessa história de Glória Perez, era moradora do Complexo do Alemão, junto da mãe, Lucimar (Dira Paes), e do filho Júnior (Luiz Felipe Mello). Enganada por uma promessa de trabalho na Turquia, ela acaba traficada como tantas outras moças para servir à sanha por dinheiro da organização liderada por Lívia (Cláudia Raia), que obriga as jovens a se prostituírem. Vários personagens moravam na favela e representavam a dualidade com os habitantes do asfalto. Entre eles, Lurdinha (Bruna Marquezine), Delzuíte (Solange Badim), Pescoço (Nando Cunha), Maria Vanúbia (Roberta Rodrigues) e Diva (Neusa Borges). As favelas nas novelas foram aqui representadas num elo com a realidade, já que a ocupação do Alemão pelas forças policiais, ocorrida em 2010, teve imagens do jornalismo mostradas em Salve Jorge. Bem como o casal principal, formado por Nanda e pelo policial Théo (Rodrigo Lombardi), se conheceu quando a ocupação ocorreu.

Babilônia (2015)

O morro homônimo no Rio de Janeiro era uma das referências
para o título da novela de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes
Braga. Uma das personagens principais, Regina (Camila Pitanga), foi morar lá
com a família após seu pai, Cristóvão (Val Perré), ser assassinado pela patroa
e amante Beatriz (Glória Pires), o que provoca dificuldades e revolta. Regina
se dispõe a descobrir a verdade sobre a morte do pai, mas sua tumultuada vida
amorosa e a necessidade de sobreviver com trabalho duro a atrapalham nessa
empreitada. Ela tem uma filha com o malandro Luís Felipe (Gabriel Braga Nunes),
mas no decorrer da história se divide entre Vinícius (Thiago Fragoso) e Carlos
Alberto (Marcos Pasquim).

Outra personagem de destaque na história, que cresceu na
favela, era Paula (Sheron Menezes). Graças a seu esforço pessoal e empenho nos
estudos, ela começa a alcançar sucesso como advogada do escritório de Teresa
(Fernanda Montenegro).

I Love Paraisópolis (2015)

Única novela do “gênero favela” não ambientada no Rio de
Janeiro. Alcides Nogueira e Mário Teixeira escolheram Paraisópolis, conhecida e
grande favela de São Paulo, para sua história exibida às 19h. Marizete, ou Mari
(Bruna Marquezine) e Benjamin, o Ben (Maurício Destri), se apaixonam
perdidamente, apesar do abismo que separa seus dois mundos, próximos
geograficamente e bem distantes em vários aspectos. A jovem é moradora da
favela, onde foi criada por Eva (Soraya Ravenle) e Jurandir (Alexandre Borges)
como filha e vive uma ótima relação com todos, especialmente a irmã Pandora, a
Danda (Tatá Werneck). Alvo do amor de Gregório, o Grego (Caio Castro), marginal
da região, ela cai de amores justamente pelo herdeiro da empresa Pilartex, e
sua mãe, Soraya (Letícia Spiller), detesta os moradores de Paraisópolis. O tio
e padrasto de Benjamin, Gabo (Henri Castelli), se alia a Grego em negócios
escusos e vê na favela a possibilidade de ganhar muito dinheiro.

A Regra do Jogo (2015/16)

Tóia (Vanessa Giácomo) e sua mãe Djanira (Cássia Kiss) em A Regra do Jogo (Divulgação/ TV Globo)

Em A Regra do Jogo, João Emanuel Carneiro criou o Morro da Macaca, no qual moravam diversos personagens. Inclusive a mocinha Toia (Vanessa Giácomo), criada lá por Djanira (Cássia Kiss). Esta é a mãe do dúbio Romero Rômulo (Alexandre Nero), que se envolve com Toia e forma com ela e Juliano (Cauã Reymond) um triângulo amoroso. Muito do progresso da Macaca ocorreu em virtude do empreendedorismo da ex-prostituta Adisabeba (Susana Vieira), que construiu diversos imóveis na região e impulsionou seu povoamento.

Além disso, vale lembrar o casal formado pelo arquiteto Rui
(Bruno Mazzeo) e pela estilista Tina (Monique Alfradique). Através deles, a
novela abordou a temática dos personagens de classe média que, por conta de
dificuldades financeiras, opta por morar em favelas e entra em contato com uma
realidade cercada de preconceitos e surpresas.

A Força do Querer (2017)

Rubinho (Emílio Dantas) e Sabiá (Jonathan Azevedo) em A Força do Querer (Divulgação/ TV Globo)

Nessa novela de Glória Perez, duas das personagens centrais
se viram de lados opostos tanto por uma representar a vida do crime e outra a
autoridade policial quanto em virtude de ambas terem o mesmo homem em seus
caminhos. Bibi (Juliana Paes) foi a universitária e mãe de família que trocou
uma vida comum pela aventura de ganhar dinheiro fácil e ter poder na favela
junto ao marido bandido Rubinho (Emílio Dantas). Por outro lado, Jeiza (Paolla
Oliveira) era uma policial dedicada e competente, que acabou se dividindo entre
o amor do machista e grosseirão Zeca (Marco Pigossi), caminhoneiro que não esquecia
a “sereia” Ritinha (Ísis Valverde), e o sério e racional Caio (Rodrigo
Lombardi).

No passado, Caio e Bibi foram noivos, e as grandes
diferenças entre eles tumultuaram o romance. Já conhecidas pela relação
desenvolvida a partir do envolvimento de Rubinho com o crime, a policial e a
mulher de bandido se viram ligadas por um segundo homem. Com efeito, no cenário
da favela um personagem que merece citação é Sabiá (Jonathan Azevedo), chefe do
tráfico no morro e cujos domínios Rubinho almeja conquistar para si.

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