Donas de Casa Desesperadas estreava há 10 anos

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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No dia 15 de agosto de 2007, a RedeTV! estreava sua primeira aposta em teledramaturgia. Tratava-se da série Donas de Casa Desesperadas, uma versão nacional do sucesso americano Desperate Housewives, criada por Marc Cherry. A versão brasileira, que na verdade foi filmada na Argentina, contou com Lucélia Santos, Isadora Ribeiro, Tereza Seiblitz, Viétia Zangrandi, Franciely Freduzeski e Sônia Braga nos papéis principais.

Donas de Casa Desesperadas contava o cotidiano dos moradores do bairro de Arvoredo, um lugar aparentemente pacato e tranquilo. No entanto, por trás de cada uma das portas das perfeitas casas que compõem o bairro, muitas coisas estranhas podem acontecer. Quando Alice Monteiro (Sônia Braga) se mata com um tiro na cabeça e passa a observar, do “além”, a vida de suas vizinhas Suzana (Lucélia Santos), Gabriela (Franciely Freduzeski), Elisa (Viétia Zangrandi), Lígia (Tereza Seiblitz) e Vera (Isadora Ribeiro), muitos segredos começam a vir à tona.

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Cada uma das vizinhas vive situações que as deixam à beira de um ataque de nervos. A fogosa Gabriela, por exemplo, trai o marido Carlos (Alexandre Schumacher) com o jardineiro João (Iran Malfitano). Já Elisa vive num mundo impecavelmente perfeito, e ela fará de tudo para manter as aparências mesmo quando descobre que o marido a trai. Enquanto isso, Lígia vive cheia de problemas, tendo de lidar com uma carreira bem-sucedida e, ao mesmo tempo, quatro filhos e um marido que lhe dão bastante trabalho. Já a atrapalhada Suzana e a sedutora Vera passam a viver em pé de guerra quando Miguel Delfino (André di Mauro) chega a Arvoredo. Em meio ao cotidiano destas mulheres, muitos mistérios permeiam o local, que começam com o suicídio de Alice, e se intensificam quando seu viúvo, Paulo (Paulo Reis), mata a vizinha enxerida Marta (Vera Gimenez).

Donas de Casa Desesperadas foi uma grande aposta da RedeTV!, que esperava, a partir da série, consolidar um núcleo de teledramaturgia. A ideia do canal era apostar em formatos alternativos ao das novelas tradicionais, e a produção de séries parecia a melhor saída. Para isso, a emissora fechou um acordo com a Disney – ABC International Television, entrando num pool de emissoras latino-americanas, para a realização de versões latinas diversas de Desperate Housewives, todas gravadas nos estúdios Pol-Ka, na Argentina. Com isso, cada emissora entrava com seu elenco, aproveitando a produção e os cenários da Pol-Ka. Além do elenco, a RedeTV! também contratou o diretor Bruno Barreto, que tocou a versão brasileira da atração.

No entanto, atrasos na produção da versão nacional da série fizeram com que a RedeTV! resolvesse, então, exibir antes a versão original estadunidense, dublada. A emissora exibiu as duas primeiras temporadas da atração e, depois, estreou a versão nacional. O problema é que o roteiro da versão brasuca seguia fielmente o original, e foi apenas traduzido e adaptado pelo roteirista Marcelo Santiago. Ou seja, a RedeTV! ofereceu ao seu público uma história que já havia sido exibida antes, com outro elenco. As comparações, assim, se tornaram inevitáveis.

A adaptação também não foi feliz. O cenário de Arvoredo era bastante parecido com o bairro original, Wisteria Lane. A única diferença era que, enquanto as casas americanas eram de madeira, as latinas eram de alvenaria, mais de acordo com a realidade daqui. Mas as casas sem portões e com belos jardins, tipicamente americanas, aqui ficaram parecendo como as casas de um condomínio fechado luxuoso. Uma condição social que não condizia com o cotidiano dos personagens.

Para completar as esquisitices, boa parte do elenco que interpretava personagens menores, como Júlia (Julieta Calvo), filha de Suzana, ou Felícia (Patrícia Rozas), irmã de Marta, era de atores argentinos. Estes personagens, então, eram dublados em português, o que causava uma diferença evidente entre os diálogos de atores brasileiros e argentinos.

Mas Donas de Casa Desesperadas teve seus trunfos. Um deles é o elenco de protagonistas, com atrizes muito bem escolhidas. Tereza Seiblitz, excelente atriz que acabou “esquecida” pela TV, foi um dos principais destaques vivendo a estressada Lígia. Já Lucélia Santos teve excepcional performance cômica vivendo a engraçada Suzana. A série ainda promoveu a volta de Sônia Braga à TV brasileira, vivendo a “narradora-defunta” Alice.

Mesmo assim, a série não empolgou na audiência. A estreia da série registrou 5,1 pontos com pico de 6,4, considerado esperado pela emissora. Mas foi perdendo audiência no decorrer dos episódios. Por conta do desempenho mediano, não teve uma segunda temporada, o que deve ter frustrado quem assistiu à série, já que a trama termina com um belo de um gancho para uma continuação.

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Reveja a abertura de Donas de Casa Desesperadas:

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