Como novo conselheiro do Cade está atrasando a fusão entre Disney e Fox no Brasil

Publicado há 7 meses
Por Gabriel Vaquer
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Adiada, pelo menos, até o dia 9 de março, a demora na conclusão da fusão entre Disney e Fox no Brasil tem nome e sobrenome: Luis Henrique Bertolino Braido. O economista, nomeado no início de novembro para uma cadeira no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), está travando a votação do assunto porque ele está se reunindo com as empresas que fizeram propostas oficiais para comprar o Fox Sports, condição dada anteriormente pelo conselho para que a Fox pudesse se fundir com a Disney.

Segundo apurou a reportagem do Observatório da TV, Luis Henrique tinha menos de uma semana de Cade quando o órgão anunciou que iria rever a fusão, em novembro de 2019. O conselheiro está, neste momento, se informando sobre o processo e entendendo o assunto. Foi esse argumento que o Cade usou para explicar a Disney que o assunto não iria entrar na pauta da sessão do Cade do próximo dia 19 de fevereiro.

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Na quarta-feira da semana passada, dia 12 de fevereiro, Luis Henrique Bertolino Braido se reuniu com a Mediapro, grupo espanhol que investe em Esporte, e com a IMG, dona da plataforma de streaming DAZN, em uma videoconferência. A reportagem soube que o conselheiro quis saber detalhadamente quais os planos oferecidos das empresas interessadas no canal esportivo.

Documento do Cade prova reunião de conselheiro com empresas interessadas em comprar o Fox Sports (Reprodução)

Até aqui, na visão do conselheiro, a venda realmente seria o ideal, segundo apurou a reportagem. No entanto, se as empresas realmente não atingiram os requisitos básicos, fica inviável. O grande problema visto pro ele até o momento é que nenhuma das duas empresas se interessaram em toda a estrutura do canal esportivo.

Disney “queimou a largada” em fusão com a Fox no Brasil

Enquanto a Mediapro tem maior interesse nos direitos de transmissão, o DAZN quer a estrutura física. O caso é visto como complexo por todos os conselheiros do órgão. Mas o que também se tem certeza é que se Luis Henrique Bertolino não tivesse chegado faz tão pouco tempo no órgão, a situação já teria sido resolvida.

Também no entendimento dos conselheiros do Cade, a Disney se precipitou ao dar como certa a fusão com o Fox depois de não conseguir vender o Fox Sports. Chefão do canal esportivo, Eduardo Zebini chegou a dizer aos funcionários do canal esportivo, após o Cade dizer que reavaliaria a fusão entre Disney e Fox, que Fox Sports e ESPN Brasil se tornarem uma só seria questão de tempo.

Luis Henrique Bertolino Braido: novo conselheiro do Cade está estudando caso Disney/Fox e atrasando decisão da situação das empresas no Brasil (Divulgação)

A Disney teve essa atitude porque acreditava que Luis Henrique Bertolino seria um aliado na aprovação da fusão, por fazer parte de um governo mais liberal. Luis Henrique Bertolino Braido possui graduação em Economia pela USP, mestrado em Economia pela FGV EPGE e pela Universidade de Chicago, e doutorado em Economia pela Universidade de Chicago. Sua indicação ao Cade foi feita diretamente pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro.

O conselheiro tem um perfil mais liberal e acredita no livre mercado para que empresas de fora invistam no país. Era neste perfil, aliado ao entendimento do Governo em outro caso parecido – a compra da Warner Media pela AT&T – que a Disney já entendia a fusão com a Fox como certa. A Disney já incorporou os canais Fox a sua estrutura e cuida da programação e comercialização de emissoras como o FX e o Nat Geo desde maio de 2019.

Disney está incomodada com lentidão do Cade para julgar fusão com a Fox no Brasil

Como informou o Observatório da TV na semana passada, no último dia 6 de fevereiro, representantes da Disney e membros do Cade tiveram uma reunião tensa em Brasília (DF) na sede do órgão. Os representantes da empresa de entretenimento se disseram bastante incomodados com a lentidão do órgão para definir a situação da fusão entre Disney e Fox no Brasil.

A Disney deixou claro nesta reunião que apresentou todos os pedidos de venda do Fox Sports e cumpriu todas as obrigações que o Cade pediu para aprovar o negócio. Além disso, os representantes da Disney também afirmaram que já provaram que a visão do Cade de que a fusão entre Disney e Fox configura monopólio é equivocada.

Para a Disney, a maior prova disto foi um ofício a Sky que mostrou a audiência dos canais Fox na TV paga. Somando todas as emissoras, os canais mal chegaram a 1.5 ponto de audiência em 2019 – perdendo audiência em relação a 2018. Outro ponto incomodo é que a falta de definição atrapalha investimentos que a Disney quer fazer na área de esportes no Brasil, mercado estratégico para a empresa.

Procurada para falar sobre assuntos relacionados a fusão pelo Observatório da TV, a Disney afirmou que não comenta o assunto. A Comunicação do Cade não respondeu aos contatos da reportagem.

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