Com personagens lineares, Flávio Migliaccio encantou gerações com seu talento

Flávio Migliaccio levou o talento do Teatro Arena para as telonas e telinhas, onde se eternizou com tiozões e viúvos cômicos

Publicado há 2 meses
Por Arthur Pazin
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Foi encontrado morto, na manhã desta segunda-feira (4), em seu sítio em Rio Bonito, no Rio de Janeiro, Flávio Migliaccio

Dono de um talento único, o ator, que iniciou a carreira no teatro de rua das periferias da capital paulista, tinha em sua veia cômica o melhor de seus atributos.

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No Teatro de Arena, onde fez história, o pupilo do italiano Ruggero Jacobbi abriu espaço para se consagrar no cinema com o Tio Maneco, personagem aventureiro do longa Aventuras com Tio Maneco, comédia dos anos 70 também produzida pelo próprio Flávio.

Flávio Migliaccio como Tio Maneco no cinema (Foto: Divulgação)

O icônico tio que colocava os sobrinhos em diversas emboscadas foi parar na TV, em uma série homônima da TVE e rendeu, ainda, continuação na telona.

Naquela mesma década, o ator também passou a deixar seu rosto conhecido na televisão. Xerife, seu personagem da novela O Primeiro Amor (1972), de Walther Negrão, ganhou uma série, que ficou no ar de 1972 a 1974.

Paulo José e Flávio Migliaccio como Shazan e Xerife nos anos 70 (Foto: DIvulgação/TV Globo)

Em Shazan, Xerife e Cia, série supervisionada por Daniel Filho, o mecânico atrapalhado protagonizou ao lado de Shazan (Paulo José) aventuras pelo país a bordo de sua camicleta (caminhão com bicicleta) à procura de emprego e aventuras, deparando-se com as mais inusitadas situações.

O entusiasmado personagem arrancou risadas e cativou desde crianças a idosos, principalmente pela busca de realizar seu grande sonho: construir a bicicleta voadora.

Nas novelas, um misto de comédia e emoção

Anos mais tarde, novas gerações estiveram em contato com a grandiosidade de seu talento nas telenovelas, especialmente pelos papéis populares que ele viveu.

O destaque de Flávio Migliaccio nos folhetins surgiu, principalmente, nas obras de Silvio de Abreu, atual chefe da teledramaturgia da TV Globo.

Em 1990, o ator deu vida a Seu Moreiras, o verdureiro do bairro de Maria do Carmo (Regina Duarte), a Rainha da Sucata. Com um ar simples e desprezado pela filha Nicinha (Marisa Orth), o comerciante sustentava não só a família como enchia de mimos sua pretendente, Dona Armênia (Aracy Balabanian).

Flávio Migliaccio e Aracy Balabanian como Seu Moreiras e Dona Armênia em Rainha da Sucata (Foto: Divulgação/TV Globo)

Apesar de sempre provocar um riso com seu jeito desleixado, a atuação de Migliaccio na trama abria espaço para que o telespectador enxergasse a ingenuidade da personagem, que escondia por trás de todo seu jeito rude e inconformado com a ‘fama’ da filha solteira, um humano carente e solitário.

A dureza ao mesmo tempo carinhosa que Migliaccio entregou a Seu Moreiras também pôde ser percebida pelo público dois anos depois, em Perigosas Peruas, novela de Carlos Lombardi.

Flávio Migliaccio como Venâncio em Perigosas Peruas (Foto: Divulgação/TV Globo)

Na trama das sete, o ator interpretou Venâncio, ex-militar inconformado com a situação caótica do País. Pai da protagonista Cidinha (Vera Fischer), o delegado linha dura não protegeu nem mesmo a própria filha e viveu um drama na relação com o filho, João Maluco (Felipe Martins).

Sua relação com o filho foi interrompida quando o menino tinha apenas dez anos e fugiu de casa, sob a acusação de ter acidentalmente matado a mãe.

Em 1995, divertiu os telespectadores na pele do Tio Vitinho, feirante que trabalhava junto com o protagonista Juca (Tony Ramos), seu sobrinho. Divertido e mulherengo, o personagem desejava, loucamente, a prostituta Quitéria (Vera Holtz) e acabou envolvido com Marizete (Catarina Abdalla).

Flávio Migliaccio como Tio Vitinho em A Próxima Vítima (Foto: Reprodução/Viva)

Em Senhora do Destino (2004), o ator voltou a chamar a atenção do público com mais um de seus personagens solitários e turrões. Seu Jacques, pai de Alberto (Thiago Fragoso) era um aposentado casca grossa caidinho por Djenane (Elizângela) e que vivia de olho nas artimanhas de Nazaré (Renata Sorrah).

Flávio Migliaccio como Seu Jacques em Senhora do Destino (Foto: Reprodução/TV Globo)

Na novela, ele tocou o público com cenas comoventes do personagem que também enfrentava os dramas do alcoolismo. Antes de despedir-se do horário nobre como autor, Silvio de Abreu escalou Flávio Migliaccio para viver Fortunato.

Jackie (Alexandra Richter) e Fortunato (Flávio Migliaccio) em Passione (Foto: Reprodução/TV Globo)

Novamente como o tiozão que o consagrou no início da carreira, o ator divertiu a galera vivendo o irmão da falecida mãe de Olavo (Francisco Cuoco), um idoso descolado, que vivia como cão e gato com Clô (Irene Ravache), a sobrinha do emergente empresário.

Com papéis parecidos, Flávio Migliaccio se despediu do público na TV trocando o tiozão a la brasileira por um tipo das Arábias. De 2011 a 2015, o ator ficou marcado para as novas gerações como Seu Chalita, um libanês viúvo de meia idade que quer se casar de qualquer forma.

Flávio Migliaccio como Seu Chalita em Tapas e Beijos (Foto: Divulgação/TV Globo)

Em Órfãos da Terra, sua última novela na TV, Flávio encarnou novamente um personagem árabe do núcleo cômico. Mamede era um imigrante que não simpatizava em nada com seu vizinho, o judeu Bóris (Osmar Prado).

Os dois travaram ao longo da trama, uma rivalidade, a princípio por causa de seus cães e depois, pela paixão entre os netos, Ali (Mouhamed Harfouch) e Sara (Verônica Debom).

Mamede (Flavio Migliaccio) e Bóris (Osmar Prado) em Órfãos da Terra

*Com informações de Nilson Xavier

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