Caminho das Índias estreava há nove anos

Publicado há 3 anos
Por André Santana
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

No dia 19 de janeiro de 2009, estreava no horário nobre da Globo a novela Caminho das Índias. Mais uma vez, Gloria Perez explorava as diferenças entre culturas para contar uma história de amor proibido. No entanto, ao contrário de tramas como O Clone, que narrava o amor de um brasileiro e uma descendente de marroquinos e muçulmana, em Caminho das Índias a autora mostrou o amor entre indianos, separados pelo sistema de castas.

Na trama, Maya (Juliana Paes) é uma funcionária de um telemarketing do Rajastão, e pertence a uma tradicional família da casta dos comerciantes. Enquanto isso, Bahuan (Márcio Garcia) é um indiano que estuda nos Estados Unidos, mas sofre humilhações por ser um dalit, ou “intocável”, parte do contingente humano que os textos sagrados definem como “a poeira aos pés do deus Brahma”. Um dalit é considerado impuro, a mais baixa entre as castas indianas. O sistema de castas já foi banido da Índia, mas muitos ainda seguem tal costume.

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Quando Maya e Bahuan se apaixonam, a família dela se coloca contra, pois não aceita que a mocinha se envolva com um dalit. Ao mesmo tempo, Manu (Osmar Prado) e Kochi (Nívea Maria), os pais de Maya, estão buscando um bom noivo para ela, e o escolhido é Raj (Rodrigo Lombardi), um bem-sucedido empresário, filho de Opash (Tony Ramos) e Indira Ananda (Eliane Giardini). Maya e Bahuan planejam uma fuga, mas ele decide partir sozinho em razão de seu trabalho, prometendo a ela retornar dali a um ano. Grávida e sem saída, Maya acaba se casando com Raj, sendo que este mantinha um caso com a brasileira Duda (Tânia Khalil). Aos poucos, porém, Maya e Raj começam a construir um amor, apaixonando-se verdadeiramente.

Enquanto trabalhava com telemarketing, Maya foi secretária remota da empresa brasileira Cadore, comandada pelos irmãos Raul (Alexandre Borges) e Ramiro (Humberto Martins). O primeiro é casado com Silvia (Débora Bloch), mas se deixa envolver por Yvone (Letícia Sabatella), uma psicopata que almeja tomar tudo o que ele tem, fazendo-o forjar a própria morte. Já Ramiro é casado com a desvairada Melissa (Christiane Torloni), uma mulher fútil que se nega a enxergar que o filho Tarso (Bruno Gagliasso) tem sérios problemas psicológicos. Havia ainda o núcleo do bairro da Lapa, onde morava Abel (Anderson Müller), guarda de trânsito casado com a fogosa Norminha (Dira Paes), uma mulher ousada que vive se insinuando para os homens da região.

Caminho das Índias estreou um tanto morna, mas, aos poucos, foi envolvendo o público, tornando-se um sucesso. A autora aproveitou elementos do cinema indiano e trouxe um clima de Bollywood ao núcleo passado na Índia, com muitas cores e música. Em praticamente todos os capítulos, os indianos apareciam dançando em casa, o que virou piada até no Casseta & Planeta, Urgente!. O humorístico exibia a sátira Com a Minha nas Índias, na qual em todo capítulo havia a “hora da dancinha”.

O casal principal inicial, Maya e Bahuan, não agradou ao público. Aos olhos da audiência, Bahuan não foi bom para a mocinha, abandonando-a grávida sem razões muitos fortes para isso. Enquanto isso, Raj, terceiro vértice do triângulo, era um homem moderno, antenado e muito carismático. Sendo assim, quando Maya e Raj se casaram, o público torceu para que eles ficassem juntos. Bahuan, então, perdeu força na história, tornando-se quase um vilão que, aos poucos, perdeu importância, envolvendo-se com a inexpressiva Shivani (Thaila Ayala). Já Raj se apaixonou verdadeiramente por Maya e terminou seu relacionamento com Duda, fazendo com que Murilo Rosa entrasse no elenco como Lucas, novo interesse amoroso dela. Assim, o grande conflito de Maya era esconder a verdade sobre a paternidade de seu filho, enquanto enfrentava as armações de Surya (Cléo Pires), esposa de seu cunhado Amithab (Danton Mello).

Juliana Paes foi a primeira e única atriz cogitada por Gloria Perez para viver Maya, já que a autora considerou que a artista tinha o tipo físico ideal para viver uma heroína indiana. O empecilho era que Juliana integrava o elenco de A Favorita, novela que antecedeu Caminho das Índias. Mas Gloria teve seu pedido atendido e a atriz deixou a história de João Emanuel Carneiro. Sua personagem, a jornalista Maíra, acabou morrendo nas mãos da vilã Flora (Patrícia Pillar).

Já Márcio Garcia foi convidado para viver Bahuan logo que retornou à Globo, após ter passado uma temporada na Record, onde comandava o programa O Melhor do Brasil. A promessa era que Márcio participasse da novela e, depois, ganharia seu próprio programa. Mas seu personagem não aconteceu e Márcio esperou por anos a fio para retomar seu trabalho de apresentador, o que só aconteceu em 2016, com a estreia do Tamanho Família. E Rodrigo Lombardi foi uma aposta da trama. Após os bons desempenhos do ator como coadjuvante nas novelas Bang Bang, Pé na Jaca e Desejo Proibido, Lombardi ganhava aqui um antagonista no horário nobre, que acabou se tornando protagonista. Com o sucesso de Raj, Rodrigo Lombardi ganhou status de estrela da emissora.

A novela popularizou expressões como Are Baba (“Puxa vida!”), Atchá (expressão de satisfação), Baguan Keliê (“Meu Deus!”), Firanghi (palavra pejorativa para estrangeiro, que não segue os costumes do país), Mamadi (mãe), Baldi (pai) e Namastê (“o Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em você”). Caminho das Índias também popularizou por aqui a música indiana, chegando a lançar um CD apenas com a trilha sonora indiana da novela. A moda indiana também esteve em alta por aqui, e os assessórios e maquiagem usados por Maya ganharam as ruas.

Em abril de 2009, Gloria Perez se afastou da novela durante um período para a retirada de um linfoma na tireoide. A novelista contou com a colaboração temporária de Carlos Lombardi e Elizabeth Jhin, mas não interrompeu o trabalho. Quem também enfrentou problemas de saúde foi Mara Manzan, intérprete de Ashima, uma indiana que tocava uma pastelaria no Brasil, que se afastou das gravações devido a um tratamento de quimioterapia. Na trama, Ashima fez uma viagem à Índia, e Ana (Thais Garayp), prima da personagem, ficou em seu lugar. Mara Manzan voltou para as gravações no dia 28 de abril de 2009, e permaneceu na trama até o desfecho. Foi a última novela da atriz, que faleceu dois meses após o fim da trama.

Caminho das Índias foi a primeira novela da Globo a ganhar o Emmy Internacional na categoria Melhor Telenovela. O prêmio catapultou a carreira internacional da trama, que se tornou uma das tramas mais vendidas da Globo junto com Avenida Brasil, O Clone e Da Cor do Pecado. Foi reexibida pelo Vale a Pena Ver de Novo de 27 de julho de 2015 a 1° de abril de 2016, em 180 capítulos.

Com 203 capítulos, Caminho das Índias teve direção de Fred Mayrink, Leonardo Nogueira, Luciano Sabino, Roberto Carminatti e Marcelo Travesso, com núcleo e direção geral de Marcos Schechtman.

Leia também:

Há 19 anos, estreava a novela Suave Veneno

Relembre a abertura de Caminho das Índias:

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio