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Os 50 anos da novela mais longa da história da Rede Globo até hoje

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Pela sua grande repercussão, não falta quem tome Irmãos Coragem, de Janete Clair, como a novela mais longa da Rede Globo: foram 328 capítulos, exibidos de junho de 1970 a junho de 1971. Mas há outra história que, por pouca diferença, vence esse clássico – hoje, bastante esquecida.

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Em 5 de junho de 1968, a TV Globo, Canal 4 do Rio de Janeiro, levou ao ar às 19h o primeiro capítulo de A Grande Mentira, novela de Hedy Maia dirigida por Fábio Sabag e Marlos Andreucci. Gravada em São Paulo, com a presença de atores paulistas no elenco, era uma tentativa da emissora de agradar ao público dessa praça, onde a Tupi, a Excelsior e a Record tinham grande simpatia dos espectadores e, por isso, a disputa pela audiência era mais acirrada do que no Rio, casa da Globo e onde já mostrava bom desempenho. Na emissora paulista da Globo a exibição de A Grande Mentira começou em 27 de maio, inicialmente às 21h30 e depois às 19h30.

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Reportagem da época com os protagonistas Cláudio Marzo e Myriam Pérsia (Blog Revista Amiga e Novelas)

O ponto de partida da história de A Grande Mentira é o atropelamento da jovem pobre Maria Cristina (Myriam Pérsia), que a faz conhecer o jovem milionário Roberto (Cláudio Marzo). Os dois se apaixonam e enfrentam diversos obstáculos, em especial a grande oposição da mãe de Roberto, a malvada Veridiana Albuquerque Medeiros (Neuza Amaral).

Edney Giovenazzi interpretou o outro vilão da novela, Paulo Bacelar, e Eloísa Mafalda interpretou uma senhora idosa, Dona Elvira, embora tivesse apenas 43 anos na época. Maria Helena Dias dividiu-se em duas personagens: a Baronesa Palmira, de 70 anos, e sua filha Sandra, de 30. Turíbio Ruiz viveu o mordomo Heitor, que trabalhava na mansão dos Albuquerque Medeiros.

Edney Giovenazzi e Cláudio Marzo em A Grande Mentira

A menina Marina Koscialkowski venceu um concurso promovido pela Globo, que teve a inscrição de mais de 200 interessadas, e ganhou o papel da filha dos protagonistas, Ana Lúcia. Outras seis finalistas do concurso acabaram participando da novela também, interpretando amigas de Ana Lúcia.

No elenco ainda as presenças de Gilberto Martinho, Hélio Souto, Theresa Amayo, Felipe Carone, Karin Rodrigues, Diana Morel, Regina Macedo, Maria Pompeu, Nilson Condé, Cecília Maciel, Roberto de Cleto e Dante Rui, entre outros.

Hélio Souto e Maria Helena Dias em A Grande Mentira

Veridiana foi um dos papéis de maior destaque da carreira de Neuza Amaral na televisão. Ironicamente, apesar de desprezar a nora em razão de sua origem pobre, Veridiana rejeitava nela justamente a própria origem, que antes de ser rica e elegante ganhou a vida como manicure. O desfecho da personagem, que enlouquecida ateou fogo ao próprio vestido, marcou os telespectadores na época.

Neuza Amaral em depoimento ao Projeto Memória Globo

Uma curiosidade que marcou a trajetória da novela foi a troca do casal protagonista pela supervisora do departamento de novelas da Globo na época, Glória Magadan, a certa altura dos trabalhos, o que gerou a revolta dos telespectadores e motivou a volta de Cláudio Marzo e Myriam Pérsia.

O último dos 341 capítulos de A Grande Mentira foi ao ar em junho de 1969. Com uma tônica mais puxada para o dramalhão, que a emissora abandonou na virada para os anos 1970 ao modernizar seu departamento de teledramaturgia, A Grande Mentira talvez não tivesse sido reprisada, mesmo que resistisse aos incêndios que as instalações da Globo sofreram em 1971 e 1976. É uma pena que esta e outras novelas dos primeiros anos da emissora, que se consagrou como líder no setor e na TV brasileira de modo geral, não existam mais e tenham ficado apenas na lembrança de quem pode acompanhá-las. Abaixo, um disco de Ângela Maria, a “Sapoti”, com uma música homônima da novela que serviu de tema a ela. “Foi mentira, meu amor/Quiseram nosso mal/Foi mentira o que passou/Vencemos afinal/Podem ver em nosso olhar/Luz e um só calor/Outro sol em nossas vidas/Um caminho só de amor…”

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