O grande sucesso Pantanal estreava há 28 anos

Juma Marruá (Cristiana Oliveira), em Pantanal
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No dia 27 de março de 1990, a extinta Manchete lançava a novela de maior sucesso de sua história. Pantanal, de Benedito Ruy Barbosa, foi um verdadeiro fenômeno de audiência, conquistando o público com suas belas imagens da região pantaneira e narrando a saga de Juma Marruá (Cristiana Oliveira), mulher que, dizia-se, se transformava em onça. A trama chegou a bater a Globo e dar trabalho à emissora dos Marinho.

Pantanal narrava a saga da família Leôncio, cujo patriarca, José Leôncio (Claudio Marzo), era dono de uma fazenda de gado na região que dá nome à novela. Quando jovem, já dono de terras no Pantanal, José Leôncio (Paulo Gorgulho na primeira fase) foi ao Rio de Janeiro para cobrar uma dívida e acabou se envolvendo com a mimada Madeleine (Ingra Liberato/Ítala Nandi). A família dela já havia sido rica, mas estava falida. E seu pai, viciado em jogo, aceita que a filha se case com José Leôncio para tentar recuperar seu prestígio. Madeleine, então, vai morar no Pantanal com José Leôncio, mas não se adapta à vida na fazenda e vai embora, levando consigo seu filho Jove.

Anos depois, José Leôncio vive na fazenda em companhia de Filó (Jussara Freire) e do filho dela, Tadeu (Marcos Palmeira), afilhado dele, e a quem tem como filho. Jove (Marcos Winter), já adulto, decide ir ao Pantanal conhecer o pai, mas passará por maus bocados ao tentar a vida na fazenda. “Moço de cidade grande”, Jove é ridicularizado pelos peões e se sente rejeitado pelo pai, além de ter despertado certa rivalidade com Tadeu. Ao mesmo tempo, ele se envolve com Juma Marruá (Cristiana Oliveira), uma moça criada como selvagem pela mãe, Maria Marruá (Cassia Kis), que fora assassinada.

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Jove decide retornar ao Rio de Janeiro levando Juma consigo, mas a adaptação dela na cidade grande é muito difícil. A “onça”, então, decide retornar ao Pantanal, e Jove resolve voltar à fazenda do pai para não se separar de sua amada. Disposto a provar ao pai que pode ser um peão, Jove se esforça para se adaptar à nova vida, finalmente ganhando a admiração de José Leôncio e a antipatia de Tadeu. E a vida em família dos filhos de José Leôncio ganha ainda novos contornos quando surge mais um filho dele, José Lucas de Nada (Paulo Gorgulho), filho de José Leôncio com a prostituta Generosa (Kátia D’Angelo).

Paralelamente, Pantanal explora também a vida de outros habitantes da região, como o fazendeiro Tenório (Antonio Petrin), rival de José Leôncio, e que vive às turras com a esposa, a quem chama de Maria Bruaca (Angela Leal); a história do peão Tenório (Almir Sater), que todos acreditavam que tinha um pacto com o diabo; ou ainda o divertido romance entre Tadeu e Zefa (Giovanna Gold). Tudo isso sendo permeado pelas belas paisagens do Pantanal, com muitas onças-pintadas e tuiuiús cruzando a tela.

Pantanal foi um marco da TV brasileira. Pela primeira vez, uma novela era praticamente toda gravada em externas, fazendo de sua paisagem um personagem importante da história. Mérito não apenas do autor, Benedito Ruy Barbosa, um perito em tramas rurais, como também do diretor Jayme Monjardim, que conseguia extrair poesia das belas imagens mostradas. Além disso, a trama apostava fundo na sensualidade, com muitos corpos despidos em banhos de rio. O pioneirismo agradou o público, e Pantanal alcançou índices de audiência inimagináveis para a Manchete, batendo nos 40 pontos no Ibope. Exibida às 21h30, a novela chegava a bater a Globo, que se viu obrigada a cancelar sua linha de shows e lançar uma nova novela para enfrentar a concorrente. Assim, programas como TV Pirata saíram do ar, e entrou em cena a novela Araponga, de Dias Gomes. Não deu certo.

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Além disso, como Pantanal entrava no ar no horário em que a novela das oito da Globo, Rainha da Sucata, chegava ao fim, a emissora dos Marinho começou a desenhar estratégias para impedir a perda de público para a concorrente. Uma das ações foi deixar de exibir as “cenas dos próximos capítulos” de Rainha da Sucata, normalmente exibidas ao final de cada capítulo.

Curiosamente, Pantanal foi oferecida à Globo antes de ser produzida pela Manchete. Benedito Ruy Barbosa, que até então era autor de novelas das seis da Globo, tentou emplacar a produção no canal, mas sua proposta era constantemente recusada. Segundo matéria do site Notícias da TV, de 05 de junho de 2016, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, autorizou um estudo de viabilidade do projeto após muita insistência de Ruy Barbosa. Herval Rossano e Atílio Riccó, então, foram ao Pantanal, mas era época de cheias, e os diretores afirmaram que seria inviável gravar ali. Daniel Filho endossou o “laudo” dos diretores e votou contrário à produção. Benedito, então, deixou a emissora e levou sua ideia à Manchete, que bancou a ideia. E o resto é história!

Pantanal foi reexibida pela Manchete de junho de 1991 a janeiro de 1992. Mais adiante, um repeteco da trama foi recrutado para substituir o fiasco Brida, última novela da emissora e que saiu do ar sem um final gravado, em razão da grave crise financeira da emissora. A reprise começou em 26 de outubro de 1998, e foi encerrada em 14 de julho de 1999. Curiosamente, nesta época, a Manchete já havia saído do ar, e a reapresentação foi concluída pela TV!, canal transitório entre a Manchete e a RedeTV!. Houve ainda mais uma reprise, em 2008, quando o SBT adquiriu as fitas da trama num leilão da massa falida da Manchete. Anunciada como a “arma secreta” do canal de Silvio Santos, Pantanal ajudou a reerguer o SBT, que, na época, havia perdido a vice-liderança para a Record.

Com 216 capítulos, Pantanal foi escrita por Benedito Ruy Barbosa e dirigida por Jayme Monjardim, Carlos Magalhães, Marcelo de Barreto e Roberto Naar.

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Reveja a abertura de Pantanal:

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