Único brasileiro no elenco de Sense8, Eduardo Semerjian afirma: “O pessoal me recebeu sorrindo como se eu já fosse da equipe”

Publicado há 4 anos
Por Leandro Lel Lima
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Único brasileiro a integrar uma das séries de maior sucesso da atualidade, Sense8, da Netflix, Eduardo Semerjian foi escolhido através de um teste para receber durante a Parada Gay de 2016 parte do elenco da atração gravada no Brasil.

Mais precisamente no capitulo seis da segunda temporada, o personagem de Eduardo recebe Lito Rodriguez no aeroporto e ainda comanda uma das maiores paradas gays do mundo, realizada em plena avenida Paulista, que contou com alguns atores e ainda uma plateia formada por milhares de brasileiros.

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Eduardo possui uma longa carreira na TV, no teatro e no cinema. Integrou o elenco de Maysa e Rei Davi, Globo e Record, respectivamente, além de algumas peças, entre elas, Caros Ouvintes, de Otavio Martins, e Trolio e Cressida, de Jô Soares. No cinema rodou Minha Mãe É Uma Peça 2 com Paulo Gustavo. Na Netflix este é o segundo trabalho.

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Em entrevista exclusiva ao Observatório da Televisão, o ator que é descendente de armênios, falou sobre os bastidores de Sense8, além de outros projetos como a série O Negócio, HBO, Rotas de Ódio, Universal Channel, e ainda uma participação que fez em Carinha de Anjo do SBT: “Não sabia como receberiam minha interpretação, já que optei por fazer algo bem solto, ousado. Mas no fim das contas foram tão receptivos que eu só me diverti depois”, revela o ator sobre a série.

Confira entrevista:

Como surgiu o convite para Sense8?

Os produtores da série fizeram um acordo com a O2 Produtora, que todo mundo conhece, pra fazer uma produção local, com brasileiros, auxiliando os profissionais de cada área da série. Uma das coisas que a O2 fez foi o teste de elenco pra utilizar um ator pra esse papel que eu faço, o “Parade Host”. A Cecília Homem de Mello e todo pessoal do casting da O2 já me conhece há bastante tempo, e sabem que eu falo inglês, pois já tinha feito uma participação no filme “Blindness”, baseado no livro do Saramago, anos atrás. O engraçado é que eu fui o último ator a ser testado. E no fim das contas deu certo.

Nesta temporada, Sense8 veio para o Brasil. Você foi escolhido para ser o apresentador da Parada Gay, falou para milhares de pessoas e ainda em inglês. Ficou nervoso? Como foram as gravações?

Exato, fui escolhido nesse teste feito entre atores brasileiros, e já no teste era necessário falar tudo em inglês. Havia um texto enviado previamente e no teste pediram pra improvisar também. Improvisar em uma língua que não a nossa não é muito simples, por mais que fale a tal língua. Não fiquei nervoso no teste, mas na gravação sim, exatamente antes de ficar frente a frente com aquele público enorme da Parada. Não sabia como receberiam minha interpretação, já que optei por fazer algo bem solto, ousado. Mas no fim das contas foram tão receptivos que eu só me diverti depois.

Teve a oportunidade de conversar com o elenco da série?

Tive, claro! Na verdade, toda a maquiagem, figurino, etc foi feita junto com eles, e logo de cara, no primeiro dia de filmagem (foram dois pra mim) o pessoal me recebeu sorrindo, brincando, e como se eu já fosse da equipe. São todos muito legais, e não só do elenco, e contracenar com o Miguel, Alfonso e Erendira foi uma delícia. Os outros não contracenei, até porque na história eles não estão fisicamente lá. Só na cabeça do Miguel / Lito. Fiz mais amizade especialmente com o Alfonso Herrera, que eu não conhecia, mas que soube depois, é famosíssimo por conta do personagem em Rebelde, o original mexicano. E só soube depois. falamos de mil coisas: teatro, TV, cinema, futebol etc. Há os mais quietinhos e os mais agitados. Mas todos são de uma doçura e uma simpatia que eu confesso, não esperava.

Como tem sido o retorno do público?

Tem sido bárbaro! Eu faço uma participação em duas cenas, numa passagem do personagem Lito por São Paulo pra Parada Gay. Mas mesmo assim, tenho recebido várias mensagens de amigos e, principalmente, no Instagram de gente que não conheço, me parabenizando, e dando um carinho até inesperados. Além de mim, as pessoas gostam muito da série e vejo muita gente empolgada. Todo mundo já pensando na terceira que, pelo fato de ser gravada em vários países, por ser uma produção complicada, deve demorar pra sair, creio eu.

Não é a primeira vez que você trabalha em uma série da Netflix, certo?

Verdade, eu já tinha feito uma participação, também em inglês, na série Lillyhammer, com Steven Van Zandt como protagonista. Ele é conhecido por ser um dos parceiros do chefão da Família Soprano e por ser guitarrista da banda do Bruce Springsteen. Uma figura muito engraçada. O convite veio sem teste, através de uma produtora de casting do Rio de Janeiro com quem já trabalhei algumas vezes, chamada Marcela Altberg. Eu apenas mandei cenas de outros trabalhos que havia feito em inglês e ela os repassou pra produção da série. E logo veio o convite. O personagem era um diplomata brasileiro, e a cena uma conversa entre um advogado norueguês e Frank, o personagem do Van Zandt. Irônica, engraçada, a cena foi bem divertida. 95% dos profissionais dessa série são noruegueses, e eles foram sensacionais comigo também.

Ser ator lhe possibilita interpretar inúmeros personagens. Você também fez uma participação em Carinha de Anjo…

Pois é, Carinha de Anjo veio no meio do ano passado (2016), em meio a outros trabalhos que eu estava fazendo também. Felizmente pude conciliar com a peça que estava ensaiando e depois apresentando (Troilo e Cressida, de Shakespeare, com direção de Jô Soares). O convite surgiu através da produtora de casting do SBT, Liliane di Giorgio, que me conhecia de outras peças de teatro, e outros trabalhos na TV, como Maysa e Rei Davi. Foi um trabalho diferente pra mim, porque como a novela é infantil, a interpretação também fica mais carregada, digamos assim, pra puxar pra um certo tipo de humor. Mesmo meu personagem (Murilo Rossi) sendo um cara duro, difícil, brigão, mandão, ele acabava sendo um mote de humor, até pelo exagero que havia nas atitudes e no modo de falar e tratar os outros. Algo como “ele é grosseiro, mas é divertido”. Também foi um prazer trabalhar pela primeira vez no SBT, onde tudo é bem leve, e as pessoas se tratam com muito carinho e respeito. Foi uma belíssima primeira experiência no SBT e sou muito grato.

Em 2018 você também integra o elenco de outras séries brasileiras. A quarta temporada de O Negócio pela HBO e mais uma série inédita do Universal. O que o público pode esperar desses dois novos projetos?

Foi até interessante, pois eu já sabia que gravaria O Negócio, desde Agosto de 2016, e pude me preparar em todos os sentidos: profissional, com o personagem, agendas etc… O que eu não contava, era com o fato de ser chamado pra gravar Rotas do Ódio, que virá ao ar pelo Universal Channel no começo de 2018, ao mesmo tempo que gravava O Negócio, e apresentava Troilo e Cressida no teatro. Assim sendo, fevereiro, março e abril foram meses muito difíceis em termos de agenda e até mental pra me dividir entre os 3 trabalhos. Troilo e Cressida acabou no meio de fevereiro, e isso já me livrou um pouco a cara. mas as duas séries gravei ao mesmo tempo, sempre conversando com as respectivas assistentes de direção pra resolver questões de datas de filmagem. Cheguei a gravar uma série pela manhã e outra à tarde, no mesmo dia. (risos)

Sobre as temporadas em si, O Negócio, produzido pela Mixer, e que passa na HBO há 4 anos, terá sua última agora. Acabaremos a série na quarta mesmo. Então o que as pessoas podem esperar é um desfecho pra Karin, Luna, Magali e Mia e a Blue. Há um aspecto que me chamou atenção demais nesse fechamento: o foco na discussão de preconceitos contra o que é padrão na sociedade. Já Rotas do Ódio, com produção da Panorâmica, uma produtora carioca, também foca seu tema e universo em preconceitos. E acho que vai chamar muita atenção pela contundência da série. É um policial que retrata nossa sociedade violenta, e lá a gente vê tudo que temos discutido esses tempos: racismo, violência contra a mulher, homofobia, violência urbana, corrupção. Enfim, acho que vai chocar muita gente quando estrear. Vai ao ar pelo Universal Channel.

Três séries imperdíveis que passam na sua TV?

Minhas séries favoritas? Uia… vamos lá: House (um dos personagens mais fantásticos da teledramaturgia que eu já vi), Game of Thrones, e Mad Men, que estou assistindo agora, e já estou achando deslumbrante. Há outras claro, mas se tem que escolher 3…

Novos projetos para teatro, cinema e TV?

Bom, primeiro que tirei um tempinho pra descansar a cabeça, porque gravar duas séries e fazer uma peça ao mesmo tempo não é mole, e fora que não tive férias na virada do ano. Devo fazer mais cinema esse ano, que adoro e não tenho feito muito. Meu último longa foi uma participação em Minha Mãe é uma peça 2 ano passado. Primeiro, nos últimos meses deste ano vou finalizar as filmagens de um longa metragem, que pretendemos que vire série, chamado Supernova, com roteiro e direção de Guilherme Tensol, que protagonizo junto com Greta Antoine e mais uma atriz que está fechando (por isso não posso dizer o nome, mas é uma grande atriz e que todo mundo conhece). Também sou um dos produtores desse filme, produzido pela Maffia.io, produtora de Uberaba. O universo tratado nesse filme é o da cabala, e é um thriller psicológico. O outro filme que vai sair do papel provavelmente ainda este ano é um roteiro de Otavio Martins (sempre eu e ele trabalhando juntos, risos) e Juliana Araripe, que tem o nome provisório de Quem casa, quer casa. Uma comédia deliciosa, popular, e meu personagem é o chefe do protagonista. Ele deveria ser um cara que levantasse o ânimo do amigo, mas só piora as coisas. É divertidíssimo. A produção é de Diane Maia e Joana Mariani. Além disso, tenho desejo de viabilizar uma peça de teatro que já foi sucesso no cinema mundial, e que não posso ainda dizer qual é, e estou negociando uma outra série, mas enquanto não fechar não tenho como dizer qual é também. No meio de negociação é complicado afirmar coisas com 100% de certeza. Mas o certo, é que o que virá pra frente, é muito legal e estou extremamente animado.

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