“Tenho um pouco de inveja da Elvira” afirma Ingrid Guimarães sobre sua personagem em Novo Mundo

Publicado há 4 anos
Por João Paulo Reis
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Ingrid Guimarães voltou às novelas em Novo Mundo, trama das 18h da Globo, e chamou a atenção do público com vilã cômica Elvira. A atriz que também apresenta o programa Além da Conta do GNT recebeu jornalistas após uma gravação da novela nos Estúdios Globo e contou sobre a experiência de interpretar uma das vilãs da trama e de sua parceria com Vivianne Pasmanter e Guilherme Piva. Confira:

Ingrid Guimarães derruba Chay Suede e se machuca em gravação de Novo Mundo

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Como é fazer essa personagem e como está sendo para você o retorno às novelas?

Maravilho! Eu fiz pouca novela aqui dentro, mas sou uma atriz que fez muitas séries, e essa volta para as novelas aconteceu da melhor maneira possível, porque eu queria muito fazer uma coisa diferente, e esta personagem é diferente de tudo o que já fiz. Foi a melhor oportunidade que eu podia ter tido nesse momento. Primeiro pela época, depois o sotaque que me leva pra outro lugar de interpretação porque você acaba não só fazendo o sotaque mas tentando fazer o humor no sotaque e também porque é uma personagem que passeia pela tragédia, pelo drama e pela comédia.

Como você se preparou para fazer esse humor mesmo com a dificuldade do sotaque?

O humor em si tem a ver com o jeito que se fala. Vi muito comediante português, muita novela portuguesa, vivi o mundo português para me preparar. Absorvi essa teatralidade da mulher portuguesa, muito dramática.

O fato de ser uma antagonista te atraiu mais?

Muito. A comédia geralmente é inserida nas novelas num núcleo separado, e acho um sonho poder fazer um personagem de comédia que está tão dentro da história. Eu separei o casal principal, olha que responsa.

Como tem sido o retorno do público?

Maravilhoso. Nunca imaginei que uma novela das 18h tivesse tanto apelo nas ruas. Achei que era um público diferente, de donas de casa, mas não é. Claro que eu estou bombando com as velhinhas, toda hora uma me para na rua pra dizer “Eu adoro a Elvira, adoro o seu sotaque”. Só a minha filha, de 7 anos que não gosta do meu sotaque porque fico muito tempo em casa treinando. O que gosto na Elvira é o fato dela não ser uma antagonista odiosa, em alguns momentos a gente até sente pena dela.

Ela ama o Joaquim, personagem do Chay Suede?

Ela ama. Eu construí uma personagem apaixonada. Essas maldades todas que ela faz,creio que seja por amor, e por isso não a acho uma vilã tradicional como o Thomaz (Gabriel Braga Nunes). Acho genial que ela é igual uma mendiga, já pediu esmola na rua e a auto-estima dela não cai. Ela se sente sempre linda, poderosa, e a melhor atriz da Europa.

E você tem essa auto-estima assim como a personagem?

Quem me dera! Eu estou aprendendo com ela. Eu fiz uma personagem que passava por esse lugar que é a Leandra Borges, que é aquele tipo de pessoa que acredita em si em qualquer situação.

Saiu uma nota dizendo que você teria pedido para diretores outros trabalhos que não fossem comédia e lhe negaram afirmando que você interpretava sempre o mesmo papel. É verdade?

Não, pra começar isso é uma fofoca errada. Eu não acho que tem nenhum problema o ator oferecer o que ele tem de melhor, mas tenho muito trabalho. Nem estou preocupada com isso, é só olhar minha carreira, estou numa fase da vida que já fiz sucesso na televisão, no teatro e no cinema então não preciso provar mais nada. O que eu quero é fazer coisas diferentes, mas não tenho problemas em fazer um De Pernas Pro Ar de novo, mas com o tempo de carreira a gente vai priorizando aqueles lugares que a gente nunca foi.

O que você acha do figurino?

Espetacular esse figurino porque ajuda a contar a história. De cara o público percebe quem são aquelas pessoas. São figurinos que te ajudam muito, e tem aquela coisa gasta.

Sua personagem circula por vários núcleos.

O Chay fala a melhor coisa sobre a Elvira, ele diz que a Elvira é a “mulher núcleo”, porque ela mesma tem o próprio núcleo dela, e pelo visto vou continuar passeando. E deu muito mais certo ela cair no núcleo da Vivianne (Pasmanter) e do (Guilherme) Piva do que imaginamos que fosse dar. Costumamos dizer nos bastidores que são Didi, Dedé, Mussum e Zacarias.

Como tem sido a parceria com a Vivianne Pasmanter e com o Guilherme Piva?

O Piva e a Vivi já fizeram cenas que eu e o Chay tivemos tanto ataque de riso que tiveram que botar uma pessoa na frente da gente e a gente ficar atrás pra conseguir continuar. Eu e o Piva somos da mesma escola: do teatro e da comédia. Quando eu soube que minha personagem interagia com o personagem dele pensei “Meu Deus, vou cair na minha turma”, aí a Vivi trouxe uma bagagem diferente porque ela já fez muita novela, então foi uma troca. Eu e o Piva trouxemos o tempo de comédia, e ela trouxe aquela verdade que ela já tem das novelas e isso deu muito certo.Os dois foram pra um lugar ousado, que eles cospem em mim, eles babam e eu me perguntava se o público iria gostar disso e deu muito certo. Tem horas que estamos gravando e eu tenho até nojo. Teve uma cena que ele (Guilherme Piva) veio me beijar e eu disse “Não vou conseguir te beijar”. Ele e a Vivi ficam com essa prótese nojenta e quando eles tiram da boca dá vontade de vomitar (risos).

E essa cena que vocês gravaram agora?

A Elvira tem um tipo de mandinga, acho que daqui a pouco vai ter um monte de gente fazendo isso, que ela coa o café na calçola dela para o Joaquim se apaixonar por ela e ele nunca toma. Outro dia o Dom Pedro tava na casa dela e ela tratando Dom Pedro como se fosse amigo íntimo, daí ela tirou o café praticamente da boca dele para dar ao Joaquim, e o Licurgo tomou o café que era para o Joaquim tomar e se apaixonou. Isso vai acabar num ménage.(risos). Eles têm uma relação de amor e ódio que o público adora.

Ela faz loucuras por amor. Você acha válido um mulher que ama dessa forma?

Eu tenho até um pouco de inveja dela. Se um homem não ficasse afim de mim eu já desistiria dele na hora, mas acho bonito quem tem essa entrega.

Como você está lidando com o seu tempo?

Eu achei que novela fosse super tranquilo porque outros programas geralmente a gente mexe no texto junto, cria junto, e eu pensava “Vai chegar um textinho, vou decorar e pronto”, mas não é nada assim. Eu como faço todos os núcleos, trabalho todos os dias. Ontem a Elvira já colou nos empregados da corte, um outro núcleo, (risos) só falta ela ir para o núcleo dos índios. Sobre lidar com o tempo, acordo muito cedo, fico com a minha filha antes de ela ir para a escola, e tento vê-la à noite quando chego. Ontem mesmo eu saí daqui toda suja pra chegar em casa a tempo de vê-la acordada. Não dá pra sair daqui e encontrar ninguém, é daqui pra casa. O legal dessa novela é que as crianças podem ver e minha filha assista constantemente.

Recentemente você fez uma postagem no Instagram sobre a dificuldade que você passou na época da peça Cócegas. Qual o balanço que você faz da sua carreira?

Foi um milagre! Deus uma hora falou “deixa eu ajudar essa moça” (risos). Na época de Cócegas a gente tinha R$ 400 para montar a peça. Eu e a Lolô (Heloísa Perissé) éramos muito duras e ela tem uma coisa fofa: Ela me liga todo dia 27 de abril que foi quando a peça estreou e diz “Nesse dia nossa vida mudou”. Já tinha feito Confissões de Adolescente na TV, que foi um sucesso e com o dinheiro consegui comprar um apartamento, que foi o que me salvou quando fiquei dura, mas o Cócegas realmente mudou tudo e o teatro mudar a vida de alguém é muito difícil, e me emociona. Dizem que eu saí pela porta do fundo da Globo e entrei pela porta da frente.

Você chegou a conseguir tudo o que almejou?

Muito mais do que almejei. Acho que conseguir viver do seu trabalho num país em que a cultura está sempre em último lugar já um mérito. Ser dona da sua profissão, que no meu caso escrevo e produzo, é maravilhoso. O cinema foi uma surpresa divina pra mim também, porque nunca fui chamada para nada. Sempre eu que fui atrás. Meu telefone nunca tocou fácil, e acho de verdade que Deus disse “Vou te botar nesse lugar aqui porque você foi muito legal, não brigou com as colegas” (risos).

*Entrevista realizada pelo jornalista André Romano.

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