Simone Gutierrez fala sobre ser mãe adotiva em Órfãos da Terra: “Filho tem que nascer do coração”

Publicado há um ano
Por Greicehelen Santana
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Aline Nassar passou por um grande drama na novela Órfãos da Terra. Interpretada por Simone Gutierrez, a personagem entrou em um quadro de depressão após perder a filha no parto. Ter uma menina era um grande sonho dela – que já era mãe de dois meninos.

Distante da família e dos amigos por três anos, Aline encontra no Centro dos Refugiados uma nova esperança: uma pequena menina órfã que, de imediato, lhe enche de carinho. Incentivada por Rania (Eliane Giardini), a esposa de Caetano (Glicério Rosário) decide adotar a criança.

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Em entrevista ao Observatório da Televisão, Simone Gutierrez falou sobre o luto e depressão que sua personagem enfrentou na trama. Ao longo da conversa, a atriz também comentou sobre sua relação com a maternidade na vida real.

Além disso, Gutierrez ainda explicou o seu processo de emagrecimento, analisou os desafios de trabalhar a dramaticidade de sua personagem em um núcleo onde o humor é presente e muito mais. Confira tudo a seguir:

Repercussão da novela

Como está sendo a repercussão da novela para você?

Está sendo
uma surpresa incrível. Sem contar que eu sou fã de carteirinha de Duca Rachid e
Thelma Guedes, sou até suspeita para falar. É muito legal porque as pessoas
estão se envolvendo muito com a história. Eu vejo pela minha família e as
pessoas que encontro na rua. Já fiz algumas novelas aqui [na Globo], e o jeito
como as pessoas estão recebendo essa trama é muito diferente de quase todas as
coisas que eu já fiz aqui. Acho que a temática é muito envolvente, é um assunto
que está sendo muito importante de ser falado agora. Isso está causando uma
empatia em quem assiste. Às vezes, as pessoas vêm falar com a gente na
esperança de dizer alguma coisa para ajudar na trama. É muito legal
!”

O elenco tinha noção do sucesso que Órfãos da Terra faria?

Pela
temática e importância do assunto, não poderia ser diferente. Eu acho que
estamos vivendo em tempos tão difíceis. Falar sobre cuidar do próprio, sobre as
pessoas estarem em refúgio, você se colocar no lugar do outro. Pensar no que a
pessoa passa para chegar aqui [no Brasil] quando acontece uma tragédia no país
em que ela vive. Tem muito tabu, as pessoas acham que quem vem de lá é bandido.
Então eu acho que inesgotável a fonte de histórias que temos para contar dessas
pessoas que passam por esse tipo de tragédia
.”

A personagem

Fala um pouquinho sobre a sua personagem, a Aline.

A Aline é
a filha da Rania, que é a Eliane Giardini, e do Miguel, que é o Paulo Betti. Inclusive,
eu estou amando contracenar com eles, aprendo todos os dias. Ela quer ter uma
menina, já tem dois filhos. Na verdade, ela é bem aquela típica mulher que se
acha na obrigação de fazer as vontades do marido. Às vezes não é tanto por
conta dela, mas é por causa do marido, para ela ser uma boa esposa. Ela quer dar
uma filha mulher porque sabe que é uma vontade do marido dela. Ela faz um
tratamento para engravidar, fica grávida dessa menina, mas, infelizmente, perde
na hora do parto. E a história depois é linda! Porque ela acaba se envolvendo
com os refugiados e uma criança refugiada escolhe ela como mãe. Ela [a menina]
está sem o pai e sem a mãe, não consegue falar com ninguém no centro dos
refugiados, mas escolhe a Aline. Só fala com ela, só dorme no colo dela. Então
vai ser uma história muito linda porque filho tem que nascer do coração, não
precisa nascer da barriga. Eu acho que amor incondicional é isso. Você gostar
da pessoa, se entregar e se doar para um ser humano independente de cor, raça,
credo
.”

O drama da Aline

A trama da Aline também fala de um outro assunto importante, que é a adoção. Você tem recebido comentários sobre esse tema?

É engraçado porque sempre que eu conto um pouquinho dessa história, muita gente fala comigo: ‘eu tenho uma pessoa na minha família’; ‘eu tenho uma amiga’; ‘você está falando sobre a minha história. Eu também sempre tive vontade de ter uma menina, não consegui e adotei’. Por isso que eu acho que a novela faz tanto sucesso, porque ela é muito contemporânea, são assuntos muito fortes. A gente sempre fala que é história de novela, a gente nunca acredita que realmente existem essas pessoas que passam por essas situações.”

Rania (Eliane Giardini) em Órfãos da Terra (Reprodução)

A cena do parto

Como você se preparou para gravar a cena em que a Aline perde a filha no parto?

É uma coisa que não fazia parte da minha história. Eu tive um trabalho incrível com a Ana Kfouri, que é a nossa preparadora de elenco. Eu falei para ela que estava em pânico. Porque todas as vezes que eu fiz uma cena dramática, era um drama diferente porque era cômico. E esse, na verdade, é um drama familiar, é a perda de um ente querido. Então eu fui muito por esse lado, de buscar alguma coisa que me frustrasse. É difícil dizer o que pensamos na hora [da gravação], mas eu fui muito fundo no que me causava tristeza mesmo. Principalmente em relação ao outro. Perder um pai ou uma mãe já é difícil. Agora, imagina um filho ou uma filha que você levou nove meses na barriga e morre no dia do parto. Eu não tenho nem noção do tamanho dessa dor. E ela [a bebê] não estava morta antes de nascer, ela morreu na hora do parto.”

“Eu sou muito difícil de chorar”

Você chegou a conversar com mães da vida real que passaram por essa situação?

Não. Eu fui mais no lance do meu interior mesmo. Eu sou uma pessoa muito bem resolvida em tudo, mas eu ainda não passei por essa situação. Então eu não sei como reagiria, por mais que conversasse com alguém. Uma coisa é você ter um filho e pensar em passar por isso. E uma coisa é você tentar imaginar passar por isso. Eu fui morar sozinha com 22 anos, fui dar aula com 14. Eu sou uma pessoa que resolve, então é muito difícil eu ficar depressiva, triste. Eu tento resolver e passar para frente. Eu sou muito difícil de chorar. Quando terminei de gravar a cena, uma menina da caracterização falou assim: ‘nossa, senti a sua dor’. Isso foi tão legal! Eu consegui passar uma verdade. Eu procurei passar o máximo de verdade de uma dor que eu sinto de perder alguma coisa de um amor incondicional.

Aline enfrenta depressão

Após a perda da bebê, a Aline fica três anos em depressão. Como você se preparou para essa fase?

Essa foi uma questão que eu conversei muito com a preparadora, porque eu não sabia se ia conseguir chorar. Uma semana antes de eu começar a gravar, eu assisti uma entrevista do Tony Ramos no Faustão falando que você não precisa chorar para chorar. A lágrima, às vezes, é a última que cai. Aí eu me desapeguei dessa coisa de precisar chorar e deixar vir. Isso está sendo muito legal para mim, estou crescendo muito como profissional. Porque se eu consegui fazer isso bem, eu vou ter a certeza de que estou melhorando na minha profissão. A princípio, eu tentei passar uma sensação de perda.”

Aline (Simone Gutierrez) e Caetano (Glicério Rosário), de Órfãos da Terra (Reprodução)

Você tem observado comentários das pessoas sobre essa fase da personagem?

Eu estou
tentando não pensar muito no que as pessoas vão pensar, mas no que eu acredito.
Como seria se eu fosse essa mulher. Por exemplo, a minha depressão não é aquela
em que estou sempre chorando. Eu acho que á depressão é uma coisa que não tem mais
nada a ganhar, nada a perder. Ela [a personagem] tem conflitos com esses filhos
que já tem. Depressão é uma coisa seríssima, ela fala que não consegue [cuidar
dos filhos]. A questão da depressão para mim também é complicada porque eu sou
uma pessoa que resolve, se eu uma hora estou triste, eu saio disso muito
rápido. Eu tenho as minhas maneiras, mas não posso fazer isso com a personagem
.”

Misturar humor com dramaticidade

 A Aline passou um tempo medindo a temperatura para detectar o período fértil, que foi muito divertido de ver. Como foram as gravações dessa fase?

Eu
confesso que foi difícil para mim porque eu tive que me aprofundar nesse
universo, descobrir um pouco dessas questões da inseminação e dos tratamentos
para engravidar. O grande barato é que a família toda é árabe, onde tudo é um drama,
mas também tudo é comédia. Você está numa questão muito difícil, de repente
alguém fala alguma coisa e vira uma festa. A riqueza dos personagens dessa
família é muito bacana. Para mim, é uma personagem que nunca fiz. As minhas personagens
eram sempre de muito humor e eu estou tendo que fazer um pouco de drama, uma
verdade para que as pessoas se reconheçam nessa mulher. É um desafio
maravilhoso que eu nem sei como agradecer esse presente
.”

Essa característica mais dramática da personagem é diferente da sua personalidade, né?

A minha mãe estava conversando comigo e foi muito engraçado porque ela falou assim: ‘agora eu quero ver se você trabalha bem. Fazer chorar é difícil, fazer rir é fácil’.”

Simone x Maternidade

Você já é mãe? Adoraria uma criança?

Não sou.
Mas, se um dia eu quiser ter um filho e não poder, com certeza adotaria. Eu acho
que filho não precisa nascer da gente, o amor é uma coisa muito mais forte
.”

Você pensa em casar e ter filhos?

Eu sou uma pessoa muito livre. Não digo que não teria vontade de casar e nem de ter filhos, mas eu acho que isso é uma responsabilidade tão grande. Eu sou muito pé no chão, mas sou muito sonhadora. Por exemplo, eu morro de vontade de estudar musical nos Estados Unidos. Então fico me imaginando com uma criança. Eu preciso aproveitar a minha juventude para fazer tudo que eu gosto. Por isso que eu acho que adotaria, porque eu não tenho essa preocupação de tenho 40, 50, 60 anos. Se um dia eu quiser ser mãe e tiver estrutura para isso, eu quero participar da educação da minha filha. Não quero deixar para a babá cuidar ou a avó.”

Emagrecimento

O que te levou ao processo de emagrecimento?

Eu tive dois
cistos na tireoide e, há mais de três anos, cuido da alimentação e dos
exercícios. Eu sempre fui ioiô, engordava e emagrecia para fazer os papéis.
Como eu tive esse problema na tireoide, ou eu operava ou emagrecia. E como eu
sou muito medrosa, detesto hospital, emagreci. Foram dois anos de tratamento
com a minha endocrinologista, a doutora Elaine Dias. E assim, 90% do sucesso do
meu emagrecimento foi na minha cabeça, não ter aquela pressão de precisar
emagrecer. Temos que cuidar da nossa saúde para a gente, não para ninguém. Eu
sempre falo que não emagreci por uma questão de estética, mas por uma questão
de saúde. Isso está me fazendo superbem, eu tenho uma vida muito mais saudável
agora. No dia a dia de gravação, eu sou a famosa marmiteira
.”

Antes do seu emagrecimento definitivo, você sofreu muitas alterações no peso?

Eu
emagrecia um ou dois quilos por mês. Quando emagrecia para fazer algum
trabalho, eu tinha que emagrecer quatro, cinco quilos por mês. Teve trabalhos
em que eu cheguei a emagrecer 20 quilos em dois meses. Então, como foi devagar,
com acompanhamento médico e com exercícios, foi tranquilo. Como eu sou
bailarina e tenho uma musculatura mais bacana, não fiquei tão flácida. Tem que
ser no seu tempo de saúde
.”

Você foi muito criticada ao falar sobre o seu emagrecimento no programa Encontro com Fátima Bernardes. Você se incomoda com esses julgamentos?

Tudo que falam sobre mim, me instiga a querer melhorar e ser melhor. O que falam de mim, que não diz respeito a mim, eu tento explicar de uma maneira bem-educada e amorosa explicar o meu ponto de vista.”

A morte de Aziz

Quem você acha que matou o Aziz, personagem do Herson Capri?

Eu, particularmente, acho que não foi nenhum desses que estão sendo muito óbvios. Eu acho que é gente que já está [na novela], mas a gente nunca ia imaginar. Eu apostaria na Camila [Anaju Dorigon] ou no meu pai [Miguel]. A Camila também é um pouco óbvia, não sei. Ela sabia onde ele estava.”

Aziz, personagem de Herson Capri em Órfãos da Terra (Foto: Paulo Belote/ Globo)

Sonho de participar do Popstar

O Show dos Famosos está fazendo sucesso no Domingão do Faustão. Você gostaria de participar de algum reality artístico da Globo?

Eu queria muito fazer o Popstar, eu estou tentando há três anos. Eu quero ser chamada para fazer o Popstar. Eu também adoraria fazer o Dança dos Famosos. O Show dos Famosos eu acho que seria muito óbvio, porque eu sou de musical, mas faria também. Apesar de ser muito parecido e muito a minha praia, é um desafio. Muita gente não sabe que eu canto, então o Popstar, de cara limpa, seria minha paixão.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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