Renato Góes esclarece cenas de Os Dias Eram assim “A nudez não será o chamariz”

Publicado há 4 anos
Por João Paulo Reis
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Renato Góes será Renato, um médico humanitário na supersérie Os Dias Eram Assim que estreia na próxima segunda-feira (17). O ator que viverá o protagonista da história conversou com o Observatório da Televisão durante a festa de lançamento da supersérie e contou sobre a preparação para viver o personagem, a parceria com Gabriel Leone e o momento político conturbado da época em que se passa a história. Confira:

Conta pra gente sobre seu personagem na supersérie Os Dias Eram Assim.

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Eu acho isso muito especial de ter vindo dessa forma e nesse momento. Primeiro protagonista de uma história tão bonita e num momento tão propício para se falar sobre o assunto e ainda tem o mesmo nome que eu. O Renato é um cara que sabe o que quer, idealista, família pra caramba, um cara que ama de verdade, e faz tudo pelo outro. Eu comento com a equipe que todas as histórias do Renato são a preocupação dele com quem está ao lado dele: o irmão, a mãe, a família. Sempre com um olhar para o próximo.

Sua performance em Velho Chico foi super elogiada e agora protagonizando essa supersérie, você sente a responsabilidade devido as pessoas estarem apostando em você?

Tem uma passagem muito legal de quando eu tava fazendo Cordel Encantado com o (Marcos) Caruso da evolução natural da profissão e ele falou “Quando vierem os aplausos, que eles alimentem, não teu ego mas a sua responsabilidade”. Esse é o momento disso, de estar focado na responsabilidade mas não é de agora. Não é algo que veio de surpresa, estou construindo. Estou batalhando aqui há 11 anos, longe da minha família.

Qual a principal parte do seu trabalho de preparação?

Antes de começar a gravar, por volta de novembro de 2016, eu estava conhecendo o texto e me adequando ao personagem. Sobre a personalidade dele, a informação que tive é que ele viria a ser um médico sem fronteira, então resolvi beber dessa fonte frequentando a central deles e percebi que esses médicos fazem isso apenas pelo amor ao próximo.

O que você fazia lá?

Eles têm uma base no Centro do Rio onde eles comandam tudo no Brasil. Eles me apresentaram a história deles em fotos,, fazíamos Skype com pessoas que estavam em campo. Tiveram alguns que puderam fazer a reunião com a gente pessoalmente pra eu ter ideia da experiência.

Como foram suas gravações?

Começamos a gravar no Chile, mas ali não é o início da série. Quando você começa pela externa, pisar num outro lugar e ficar o tempo inteiro em contato com a produção até mesmo no hotel faz com que você respire o personagem e isso é muito bom. Tudo o que eu precisar fazer depois disso, terei muito mais propriedade.

A série avança e 3 momentos diferentes do personagem serão mostrados. Como foi isso pra você?

Essa é uma preocupação minha, da produção e da direção. Pensamos mais em relação a interpretação e ao momento que vamos mostrar de 70, 79 e 84. O que mudou em cada um deles. A gente não quer pesar na caracterização, somente dar verdade ao personagem.

E você acredita que essa evolução do personagem se dá pelo tempo?

Não pelo tempo. Conheço pessoas que não tiveram evolução de personalidade nenhuma com o tempo, mas essa experiencia dele de ser exilado, depois ser médico sem fronteira, voltar e ver que os problemas de um hospital comum podem parecer tão pequenos mostra pra gente a importância maior do personagem e não na caracterização da passagem de tempo.

Em relação a história de amor do Renato, ele acha que a Alice o traiu?

São relações diferentes. O amor não acaba, a paixão não acaba, o motivo que justifica uma nova história de amor, mas são amores e relações completamente diferentes.

Como foi a questão histórica pra você?

Li um livro chamado Exílio. Claro que a gente aprende coisas ao longo da vida mas acabamos esquecendo. Vi alguns documentários mas fui mesmo atrás de um bom livro, e de pessoas que colaboraram como Peninha e Nelson Mota que a direção trouxe pra conversar com a gente durante workshop e nos contar um pouco como era. Tivemos entendimento como eram os artistas, os militares que não aderiram por exemplo.

Essa temática te interessa?

Sempre. Sempre gostei, por acaso hoje faço faculdade de história.

Geralmente as novelas das 23 horas têm muitas cenas quentes pela liberdade do horário. Isso foi tranquilo pra você?

Isso pra mim nunca foi tabu mas tratamos de forma muito bonita. Sempre tive sorte de trabalhar com diretores que fazem esse tipo de cena com muito cuidado e nossas cenas são de uma delicadeza, com pouca exposição. A nudez não vai ser o chamariz da novela de jeito nenhum, o chamariz é o amor proibido que tenho certeza que as pessoas vão se identificar e gostar.

Mais um amor proibido pra você.

São arquétipos que é uma coisa clássica que funciona. Romeu e Julieta é um lugar de referência sempre sobre o amor e a paixão. Aqui existe a opressão da história, além dos pais e da família.

Nessa novela o Gabriel Leone faz seu irmão, e ele interpretou seu filho em Velho Chico e o trabalho de caracterização deixou vocês dois muito parecidos. Como é a parceria com ele?

A gente trata isso com muito carinho. Nossa ligação já era muito forte em Velho Chico e com tudo o que aconteceu durante a novela já seria pra sempre e logo em seguida fazermos irmãos é muito significativo. Temos muito orgulho do trabalho um do outro. Fazer irmão dele é muito fácil porque já temos essa relação normalmente.

É uma época que você viveria?

Com certeza. Estamos vivendo um momento que temos que lutar e saber dos nossos ideais. Talvez as vitórias fossem as mesmas e as dificuldades também, ou talvez maiores por falta de acesso a coisas que hoje a gente já discute abertamente, mas existia uma riqueza de cultura, na música. Nessa época tinha uma liberdade do seu filho poder sair na rua, das pessoas poderem sair de casa com calma. Eu gostaria de viver esse momento de arte.

Você está cantando na abertura?

Estou. Eu não canto normalmente, mas já havia feito o Marcelo D2 no cinema e foi minha forma de me familiarizar mas a música nunca esteve dentro de mim como um artifício que eu tivesse. Toco violão, bateria e percussão, gosto do ritmo mas não cantar.

Entrevista realizada pelo jornalista André Romano

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio