“O público vai pra casa repensando a vida”, afirma Virginia Cavendish sobre peça que aborda as polêmicas reformas do governo

Publicado há 4 anos
Por Leandro Lel Lima
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Com trabalhos pontuais na TV, a atriz Virginia Cavendish consegue marcar na memória do público seus personagens por conta do contexto social em que estão inseridos. Além da telinha, a pernambucana está presente de forma mais intensa no teatro e no cinema.

Na TV Globo, integrou o elenco de dezenas de produções, mas foi em O Cravo e a Rosa, 2000, onde deu vida à Bárbara, uma feminista que vivia um triângulo amoroso numa trama que se passava nos anos 20, e também nas produções O Auto da Compadecida, 1998, e O Pai Ó, 2008, que a atriz se destacou.

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Na Record/FOX, protagonizou Avassaladoras, comandou na TV por assinatura uma atração dedicada à sétima arte, TNT+ Filme, além de realizar uma participação especial na série Mandrake da HBO, 2005, e As Canalhas do GNT, 2014. No teatro, seus trabalhos são intensos, como Antígona e Édipo Rei ainda nos 90/2000. No cinema fez parte de Califórnia rodado em 2015.

Atualmente em cartaz no Teatro Porto Seguro com a peça Não Vamos Pagar!, a artista dá vida à Antônia, uma mulher à frente do seu tempo e que coloca na mesa problemas sociais que assolam a vida de milhões de brasileiros e que estão estampados nas capas de jornais como as reformas da previdência, trabalhista, machismo, empoderamento feminino, manifestações, abuso de poder, entre outros. A produção estreou em 2014.

Em entrevista exclusiva ao Observatório da Televisão, Virginia fala sobre o papel da mulher na sociedade e como o arte pode auxiliar o público a compreender melhor o que o cerca: “O público vai para casa repensando sua vida. E imagino, de forma positiva e alegre”, analisa a atriz, mãe da também atriz Luísa Arraes (Babilônia 2015) e esposa do diretor Guel Arraes, sobre a montagem.

A mulher tem conquistado cada vez mais voz na sociedade (ingresso nas universidades, mercado de trabalho, empoderamento entre outros). Antônia ajuda o marido nas contas da casa, mas desempenha um papel que é “despertá-lo” para questões sociais. Como analisa esse relacionamento? Como analisa o papel da mulher atualmente?

O Dario Fo, como um grande escritor, colocou a mulher como protagonista familiar na nossa peça. Ela está à frente de seu marido em questões de reconhecimento e conscientização política e social. É uma ativista que esbraveja por seus direitos. Através dela, seu marido ao final da peça, sofre uma transformação, ao afirmar que ela tem razão em suas brigas e questionamentos. Ele vai repensar que cidadão deve ser dali por diante. Isso é um movimento lindo. Dario Fo é muito moderno e generoso em seu olhar para as minorias.

Em tempos de reformas e discussões tão acaloradas no mundo político, a peça apresenta cenas com movimentos de greve, protestos, machismo, acesso à questões básicas como alimentação, abuso de poder por parte de policias, péssimas condições trabalhistas… Como tem sido o retorno do público durante esses quase três anos em cartaz?

Maravilhoso. Porque ele toca em todas essas questões de forma suave. O público vai para casa repensando sua vida. E imagino, de forma positiva e alegre.

Como analisa a sua profissão levando em conta os sentimentos que pode provocar no público?

Necessária e de muita responsabilidade, principalmente, porque produzo também. E escolho o que eu realmente quero falar em cada projeto que desenvolvo.

Em um determinado momento da peça os personagens dizem: “Quem é que não vai ficar do lado de gente trabalhadora e honesta como nós?” Comente por favor:

É um texto que diz “as pessoas decentes estarão sempre do nosso lado”. É um olhar lindo sobre o povo. Que a maioria, não todos, ele frisa, são pessoas honestas e trabalhadoras. E estarão juntas se for preciso. O Dario Fo escreveu seus textos pensando no mendigo que fica na porta da Capela Sistina, não para seus turistas e visitantes.

Novos projetos pra TV, teatro e cinema? 

Sim, nos três veículos. Mas ainda em fase de preparação.
Qualquer coisa estou por aqui.
Beijos e beijos.

Serviço: 
Teatro Porto Seguro – Não Vamos Pagar! de Dario Fo.
De 12 a 21 de maio – Sextas e sábados, às 21h. Domingos, às 19h.
Classificação: 12 anos. Duração: 95 minutos. Gênero: Comédia.
Ingressos: R$ 70,00 plateia / R$ 40,00 balcão e frisas.

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