“O espectador me tem como um velho amigo”, diz Lima Duarte, que estará em O Outro Lado do Paraíso

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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Lima Duarte está de volta a TV em O Outro Lado do Paraíso, próxima novela das 21h, que estreia no dia 23 de Outubro. A trama escrita por Walcyr Carrasco, traz grandes nomes no elenco, e coloca Lima num dos personagens centrais da história: Josafá, o avô da protagonista Clara, vivida por Bianca Bin. Em bate papo, o ator contou sobre a experiência de viver este personagem e sobre as modificações que os meios de comunicação sofreram com o passar do tempo. Confira:

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O que você pode adiantar sobre o seu personagem, o Josafá?

Ele é um homem que aprendeu a amar com as montanhas, lagos e rios. Dizem que onde ele pisa está cheio de diamantes e ouro, mas ele não procura isso. Ele viveu a vida dele longe, e nesse longe está o primeiro amor, que é a Mercedes (Fernanda Montenegro). Os dois procuram no longe encontrar um ao outro, e amarem-se ainda, sem a manifestação imediata do amor, que é transar. Se eles não tem isso, ficou o quê? O amor.

E como o senhor trata isso na vida pessoal?

Na vida pessoal eu sou um solitário, vivo sozinho e só penso nos personagens. Tenho um porção de filhos e netos na Austrália, e agora que descobri o celular, fico vendo as fotos deles.

E como é o senhor em relação a redes sociais?

Eu não tenho. Só recebo fotos, um monte de besteira, a respeito de mim, a respeito do mundo, a respeito de tudo. Só essas fotos dos meus netos me bastam. Eu assisti ao início do rádio e ao fim do rádio.

O senhor acha que o rádio acabou?

Virou outra coisa. O horário nobre agora é as 9 da manhã… O meu rádio acabou, do Ary Barroso, Almirante, esse acabou. A televisão como era antes também acabou. A internet, Netflix, Globo Play acabaram com a televisão. Já sobre o começo da internet que estou assistindo agora, não contem comigo (risos). Outro dia eu estava gravando, e chegaram para mim dizendo “Grava aí porque depois temos que derrubar esse cenário”, era o cenário do meu personagem. Gravei várias cenas, tinha uma televisão entre os objetos, era dia 18 de setembro, e me lembrei que nesse mesmo dia em 1950, foi ao ar a primeira transmissão de televisão da América Latina, a TV Tupi de São Paulo, e eu estava lá. Quando contei isso para a equipe, ninguém falou um “A”. Todas as pessoas que estavam comigo lá e viram a TV nascer já morreram, Hebe Camargo, Vida Alves, Walter Forster, só eu estou vivo e estou aqui ainda enfrentando mais um personagem. O espectador me tem como um velho amigo que vem contar piada. Num momento tão difícil como vive o país, o telespectador vai olhar pra mim e dizer “Olha esse aí, lá vem falar aquelas besteiras dele”. Eu gosto.

O público lembra muito dos seus personagens antigos?

Lembra. Eles lembram muito do Sinhozinho Malta, do Afonso Lambertini, de Da Cor do Pecado. Eu continuo querendo melão (risos).

O Senhor continua morando em São Paulo?

Agora eu moro num sítio no interior de São Paulo. Antigamente eu tinha um apartamento no Vidigal no Rio, vendi, comprei uma casa na Urca, porque trabalho aqui há 46 anos. Fico me dividindo entre os lugares. Gravei ontem o dia inteiro, e vou embora daqui a pouco para o interior de São Paulo.

Como foram as gravações no Jalapão?

Lá é bonito demais, mas faz 49 graus (risos). Você já viu as chamadas? Isso vai ser bem interessante, porque a novela que está no ar já é um sucesso, escrita pela Gloria Perez… Da Gloria Perez, eu fiz Caminho das Índias junto com a Laura Cardoso que inclusive está aqui em O Outro Lado do Paraíso também. Com Laura Cardoso, Fernanda Montenegro e eu, ao invés de chamar O Outro Lado do Paraíso, deveria se chamar 300 anos de amor.

*Entrevista feita pela jornalista Núcia Ferreira. 

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