Larissa Bracher comemora a volta de Benedita em Novo Mundo

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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Larissa Bracher estava em São Paulo, quando foi convocada para participar novamente da novela Novo Mundo, dando vida à Benedita, irmã da vilã Domitila (Agatha Moreira). A atriz bateu um papo com o Observatório da Televisão e contou sobre a oportunidade de atuar numa nova com cunho histórico, já que a mineira considera a história do Brasil uma de suas paixões. Confira:

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Como está sendo sua volta à personagem Benedita?

Quando fui chamada para fazer a novela era uma participação de no máximo 3 meses, que acabaria naquela cena da Domitila expulsando a Benedita daquela forma violenta, mas na rua ou aqui de dentro mesmo, as pessoas diziam “Você vai voltar”, parecia um tipo de intuição coletiva. Para minha surpresa, eu estava com uma peça em São Paulo, e a produtora de elenco me ligou dizendo que durante um grupo de discussão, as pessoas pediram a volta da personagem. Acho que tem a ver com o desejo que as pessoas têm de ver a Domitila se dando mal, e também pela identificação pela Leopoldina (Letícia Colin). Na história, a Benedita teve dois filhos com Dom Pedro, os autores poderiam não querer abordar isso, porque eles foram amantes mais ou menos na mesma época em que ele era amante da Domitila. O relacionamento dele com a Domitila ficou mais conhecido porque ela gostava do status social que isso trazia para ela. E agora na novela, a Benedita vai voltar para a novela grávida, e se une ao Chalaça (Romulo Estrela) para fazer uma vingança contra a Domitila.

Ao mesmo tempo que o público quer ver a Domitila se estrepar, a Benedita também não é?

A Benedita também. Ela foi muito humilhada.

Como é a repercussão e o carinho nas ruas?

Engraçado, essa novela tem uma coisa muito especial. Vem gente de todas as idades falar comigo. Os meus pais são dois intelectuais e não costumam acompanhar novelas, eles começaram a assistir às minhas cenas e amaram a novela. Acho que essa novela está pegando um público que não estava habituado a assistir novelas, mas um público que se interessa por história. Existe uma pesquisa muito grande na construção de enredos, figurinos, é tudo muito fidedigno.

Você se sente lisonjeada ao ver seu nome aparecer nos grupos de pesquisa da Globo?

Eu achei a coisa mais legal porque é o pedido do público. Claro que seria tão bacana quanto se fosse uma escolha dos autores, e claro que tem o aval deles, mas o público pedindo é bem bacana. A impressão que dá é que o público ficou mais próximo.

Você chegou a pesquisar algo sobre a Benedita?

Eu sou apaixonada por história. Talvez por ter passado minha vida toda em Ouro Preto, Minas Gerais, numa casa onde meus pais sempre privilegiaram o conhecimento da história, eu sempre gosto de saber onde estou pisando. Já produzi três espetáculos com foco histórico, um deles inclusive sobre o Dom Pedro II. Sempre pesquisei sobre a vinda da família real, sempre fez parte do meu vocabulário, e com a Benedita, fiquei mais atenta à essa personagem, apesar de não ter tanta coisa sobre ela como tem sobre a irmã.

A Domitila na história do Brasil sabia sobre o envolvimento da irmã com Dom Pedro?

Sabia. Elas tinham uma rixa porque a Domitila mandou matar a irmã três vezes. E o Dom Pedro sempre assumiu a paternidade dos filhos da Benedita. Quando ele se casou de novo com a Dona Amália. Ele assumiu a paternidade do Rodrigo, filho dele com a Benedita, inclusive deixou escrito em testamento.

Pra você está sendo quase um sonho participar de uma obra que conta parte da história então…

Um sonho, porque é uma coisa que adoro. Acho muito interessante que a história para muita gente é quase como uma galeria de arte, que as pessoas chegam na porta e não sabem se vão entrar. A novela está popularizando o gosto pela história e provocando um retorno à própria origem. Temos uma certa responsabilidade agora, nós atores porque nos transformamos na imagem daquela pessoa, se eu te perguntar agora como era a Leopoldina você vai me dizer que era a cara da Letícia.

Na televisão a vemos com visual de época e agora com barrigão, e no teatro, como é a sua personagem?

Minha personagem fala sobre uma discussão que temos que falar até ela se tornar organizada e natural, que é a discussão de gênero. Então é uma peça de 4 diretores de bastante prestígio aqui no Rio, são 4 monólogos, de 4 pessoas falando sobre a questão LGBT e gênero. Esse formato já tem muito lá fora, monólogos de 20 minutos numa mesma peça. É um tema bem delicado, e eu faço uma personagem que nasceu homem, na Austrália, e aos 26 anos transicionou e trocou o sexo para mulher, viveu 10 anos como mulher, com tudo o que cerca a vida de uma mulher, e depois disse “Eu não me encaixo nesse gênero binário, eu não sou uma coisa nem outra”, e ele ganhou o direito de ser a primeira pessoa no mundo com gênero X, ele é genderless, não tem gênero. Ele varia, tanto no passaporte, e identidade. Já tem várias pessoas com gênero X no mundo, e o tanto de gente que sofre com essa disforia corporal, que fala “Ei, eu sou menina, não sou menino” ou vice-versa é enorme. Esse é o trabalho que já fiz em teatro, que percebo que tem uma razão social de existir.

É importante falar sobre isso porque o Brasil é o país que mais mata LGBT’s no mundo.

O Brasil é o país que mais mata LGBT’s no mundo, e eles se matam porque eles não têm representatividade, agora é que estamos falando mais sobre isso. A questão do transgênero sempre existiu mas estava escondida na sociedade. Nesses estudos são como se fosse um trilho de trem, o lado direito e o esquerdo representando o gênero masculino e feminino tradicionais e no meio um infinito de outras coisas. O Paquistão que é super avançado nos estudos dessa área, já tem 38 classificações de gênero. Tem trans que detesta homossexual masculino, tem trans casado com mulher, tem esse macho alfa que gosta de ter relacionamento com homens. Aqui no Brasil, quando alguém quer fazer a transição, essa pessoa tem que se consultar com um psiquiatra para dar início ao processo, lá fora eles enxergam como questão hormonal, então o primeiro passo é passar por um endócrino.

Nessa peça você se veste como?

A peça não tem cenário, sou eu com um tablet no escuro. É um figurino masculino, mas faço a transição desde a criança percebendo que estava no corpo errado, passando por aquela fase de aceitação social dos meninos durante a adolescência, e na fase adulta indo para o gênero X, inaugurando esse portal do gênero X.

Foi mostrado no programa da Oprah um caso de uma menino que transicionou, uma menina que se transicionou, eles se casaram e tiveram um filho.

Tá vendo? Tem várias coisas, por exemplo outro dia vi um cara tipo o Schwarzenegger, forte, enorme de tanto músculo, que deixa o cabelo e as unhas grandes, mas tem aquele corpo. O pai das Kardashian, era um atleta que foi infelicíssimo, transicionou e aí você pensa “Agora essa pessoa está feliz”. Existe um reencontro do seu eu verdadeiro, que as pessoas que transicionam têm, que é muito bonito. A hormonização, a pessoa precisa estar muito certa do que está fazendo porque é quase uma quimioterapia, muito violenta que acontece no seu corpo, e geralmente as pessoas que fazem estão muito certas porque passaram muito tempo sofrendo com aquilo. Estou muito feliz por estar falando sobre coisas que eu amo.

*Entrevista realizada pelo jornalista André Romano.

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