Gabriel Leone fala sobre a animação de fazer um personagem que vive no auge da ditadura em Os Dias Eram Assim

Publicado há 4 anos
Por João Paulo Reis
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Gabriel Leone poderá ser visto novamente na TV a partir da próxima segunda-feira (17). Ele interpretará Gustavo na supersérie Os Dias Eram Assim, jovem que vive na década de 1970 e passa por uma série de torturas devido a ditadura militar. 

Em Os Dias Eram Assim, você interpreta um personagem que vive num ambiente de torturas. Você sentiu na pele o que é uma tortura?

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Não dá pra dizer que estou sentindo na pele, mas estou tendo uma noção muito leve porque viver isso de verdade é muito pior: viver com censura, viver sem liberdade. Por mais que a gente esteja se esforçando ao máximo pra passar a verdade com isso, não dá pra dizer que senti nem um pingo do que viveram naquela época.

Como foi pra você fazer uma cena de tortura?

Muito duro, não só as cenas de tortura física mas as de tortura psicológica também. É um lugar muito desgastante só de estar representando, então imagina como é viver isso de verdade.

Como era chegar em casa e desapegar disso?

No próprio set graças a Deus temos uma equipe e um ambiente favorável a isso. É um ambiente leve por mais que estejamos falando de algo pesado. Todo mundo tem consciência da confiança e amizade que temos pra ir nesses buracos tão profundo sem que isso nos tome por inteiro. É um processo individual de tentar blindar essas energias ruins, e da equipe de lidar da melhor forma possível com isso.

Houve alguma cena em que você ficou comovido com a situação?

Mais forte do que a tortura física, que a gente faz com toda uma estrutura de ficção, foi vivenciar a tortura psicológica de estar dentro daqueles lugares. Acho que isso foi o que mais doeu.

Você é bem jovem e não se lembra dessa época, mas você tinha alguma referência antes da supersérie?

Claro, eu estudei na escola de forma acadêmica mas foi um período que sempre me chamou atenção, inclusive a produção cultural daquele momento.

Quem é o Gustavo antes e depois de viver tudo isso?

Gustavo é um jovem estudante e jovem artista ainda que de forma amadora, e conhecemos pouco dele porque ele é contra a ditadura, não é ligado a nenhum movimento mas por conta de um deslize na vida a trajetória dele muda e ele passa a viver essa situação toda que vai deixar marcas não só físicas na vida dele, mas também psicológicas. Isso vai levar ele a lutar mais ainda contra a ditadura.

Ele vira uma pessoa mais introspectiva?

No primeiro momento sim, mas depois ele canaliza isso num lugar de seguir com a luta.

Você vê semelhança entre o personagem e você?

Primeiro a questão de sermos dois jovens, então tem uma série de reações que acontecem com ele que me coloco no lugar dele, e também sou músico, também toco e isso está servindo ao personagem. O Gustavo está vivendo um período que sempre me chamou atenção, então existe um desejo muito grande dentro de mim, uma vontade de viver esse personagem.

Você vê semelhanças entre as lutas daquela época com as lutas atuais?

Eu acho que de modo geral não porque ao longo da ditadura a luta principal era pela liberdade. Eram tempos de chumbo onde as pessoas desapareciam e viviam com medo. Os jovens, os artistas abraçaram essa luta pela liberdade e hoje as coisas não são tão explícitas como naquela época então as lutas são mais específicas.

Entrevista realizada pelo jornalista André Romano

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