“Ela que segura a barra da família”, conta Julia Dalavia sobre sua personagem em Órfãos da Terra

Publicado há 2 anos
Por Henrique Carlos
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A atriz Julia Dalavia vive a sua primeira protagonista em Órfãos da Terra, a próxima novela das seis da TV Globo. Na trama ela será Laila, uma jovem síria que que virá ao Brasil e será apaixonada por Jamil, personagem do ator Renato Góes. Em entrevista ao Observatório da Televisão, a atriz contou sobre como está sendo fazer uma trama tão intensa e sobre a sua personagem. Confira:

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O que mais tem te encantado nessa personagem?

“O que eu acho mais interessante da Laila, é que ela é uma mulher num lugar muito forte de heroína. Papéis que geralmente são dado a homens, essa coisa do herói, de enfrentar situações, de se salvar e salvar todo mundo. É muito legal ver mulheres ultimamente recebendo esses papéis, ocupando esse lugar que é importantíssimo. Ela que segura a barra da família, todo esse sofrimento, essa dor. E eles superam, vem para o Brasil e seguem a vida com força e alegria. Eu estou muito encantada.”

Figurino

Como foi a sensação na primeira vez que você usou o figurino?

“É diferente, porque é uma realidade paralela da nossa. É tudo muito diferente, desde o alfabeto, ao jeito que se escreve, até toda a vestimenta. Eu consigo me teletransportar vendo tudo, as locações e tudo traduzido para o árabe. Até o rótulo da garrafa de água.”

Essa é a sua primeira protagonista, né? Todo mundo elogiou sua atuação em Os Dias Eram Assim, então as pessoas esperam muito de você. Como você lida com essa expectativa?

“Sim, minha primeira protagonista. Eu não penso muito nisso, não vejo essa pressão, essa expectativa. Porque eu sempre faço o meu trabalho com o que eu tenho ali, o material do personagem, da história e como isso me toca. Como é a dinâmica da direção, dos atores, essa relação que a gente vai criando, como isso me afeta. E o que saí é resultado de muita coisa que a gente vive aqui dentro, muita coisa que a gente troca junto. Então tem tanta coisa antes disso, para chegar no resultado que a expectativa fica mais para quem está de fora.”

Equilíbrio

Mas esse equilíbrio que você tem em relação a expectativa das pessoas, é uma coisa que já vem de você ou é uma coisa que você buscou com pessoas que tem mais experiência?

“Sim, conversando muito todo dia. Aqui inclusive nesse trabalho, claro que às vezes bate uma insegurança, uma ansiedade, mas eu gosto de trocar isso. Com os meus colegas, com a minha família. E as pessoas que me dão força vão colocando o meu pé no chão.”

A sua personagem é muito forte, saindo de um país machista e vindo para o Brasil. E no Brasil todo dia a gente vê uma mulher sendo agredida, uma mulher estrupada… Como é para você dar voz a essa mulher?

“É complicado ver como o machismo se manifesta em universos tão diferentes. Lá a mulher é silenciada e tem essa cultura diferente. E aqui também não podemos dizer que é melhor, apesar de a gente ter um outro tipo de liberdade, outros costumes. Acho que é difícil dizer que somos mais avançados, eu acho que não. O machismo se manifesta de uma forma diferente aqui. Mas para mim é muito importante ver a mulher nesse lugar de força e de voz.

De poder enfrentar tudo e mostrar como é forte. E sim, uma menina pode ter essa força mesmo no oriente médio, de travessar tudo isso e a gente trabalhou muito em cima do livro A Esperança Mais Forte que o Mar. A gente vê que a mulher tem uma força incrível e quando coloca a família em baixo do braço pode atravessar mares e oceanos. E é isso que a gente está precisando.”

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Espelho

Você tem essa mulher dentro de casa?

“Sim, a minha mãe. Ela é uma mulher de muita força, passou por muita coisa na vida. Mas criou dois filhos com muita dignidade, com muito amor. Mas tem essa força sub-humana que muitas mulheres tem, que tirou não sei de onde porque passou por momentos muito tristes na vida. Mas ela está aí hoje em dia maravilhosa e feliz, se descobrindo feminista. Está se identificando e se redescobrindo no feminismo uma coisa que ela é. Porque todas as mulheres, inclusive as que não sabe o que é, não apoiam e são contra o feminismo, fazem parte disso também. Então eu acho que conhecer o feminismo e entender é se reencontrar e se identificar como mulher também.”

Estudos

Você chegou conversar com muitas mulheres refugiadas?

“Muito difícil encontrar mulheres refugiadas aqui da minha idade, que foi o que eu busquei. O homem árabe tem uma cabeça, a mulher tem outra e eu queria muito conversar com uma mulher da minha idade. Eu consegui e falei com uma que tem 25 anos. Ela veio para o Brasil há 3 anos atrás, faz astronomia na UFRJ, ela é super carioca hoje em dia. Ela me disse que sempre teve uma cabeça muito aberta, inclusive ela conflitava com os costumes e as leis do país dela.

Porque ela sempre viu como errado, ela já nasceu com uma cabeça diferente, mesmo a família dela sendo tradicional. Mas quando ela veio para o Brasil, ela viu um mundo novo em que ela se identificava, com outro tipo de liberdade. Mas eu vi que o mundo todo está de mãos dadas e parece que essa geração está conectada.”

Jamil

Como está sendo a troca com o Renato Góes?

“O Renato é incrível, é um ator super dedicado, estudioso. A gente conversa muito e acho que é nisso que acontece. Nisso que funciona quando a gente vê um outro ator com a mesma dedicação, com a mesma vontade de fazer, sendo tocado da mesma forma e consegue trocar essa ideia. Cada um trazendo uma coisa, uma história, uma informação. Fica bem legal trabalhar.”

E você acha que esse casal vai causar na internet?

“Então, eu não acompanho muito Twitter. Eu tenho Instagram, que eu sou bem ruim também de ser conectada, mas eu vejo umas coisas dos meus amigos, tem os shippers né? Eu acho que esse amor diferente e essa forma de relacionar que é a primeira vista e por ser muito puro. Diferente de nós que temos um caminho inteiro até um relacionamento, lá eles dão muito valor ao casamento e ao amor verdadeiro. Isso acontece muito rápido e na história é bonito porque é muito inocente. Mas são quase dois adolescentes se encontrando e descobrindo o amor a primeira vista.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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