Destaque da RedeTV!, Encrenca cresceu em 2020: “Hoje em dia é difícil não só fazer humor, mas viver”

A atração foi a primeira a se adaptar à pandemia e reagir com ascensão na audiência

Publicado há um mês
Por Cadu Safner
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Há mais de seis anos na grade de domingo da RedeTV!, o Encrenca foi uma das poucas atrações dentre todas da televisão brasileira que fecharam 2020 com saldo positivo, tanto em audiência quanto em faturamento.

Conduzida pelo mesmo time desde a estreia, ocorrida durante a Copa do Mundo de 2014 – Tatola Godas, Dennys Motta, Ricardinho Mendonça e Ângelo Campos -, a atração segue com todos em boa forma e plena sintonia.

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Único programa a não interromper os trabalhos durante todo o período da pandemia e o primeiro a tirar a plateia e implantar métodos de prevenção contra o coronavírus, a equipe contou em entrevista ao Observatório da TV como foi ver a ascensão do programa nesse período em que as produções inéditas foram paralisadas ou drasticamente reduzidas.

A pandemia foi um aprendizado para a humanidade. Ninguém estava esperando por isso, ou contando com essa possibilidade. Todas as pessoas, em qualquer atuação ou área de trabalho, tiveram que se adaptar. No nosso caso não foi diferente”, explicou Dennys Motta, músico e também radialista desde 1997.

Encrenca vai ao ar aos domingos, na RedeTV! (Divulgação: RedeTV!)

Enaltecido por jovens e crianças, o programa chegou à televisão sendo comparado ao extinto Pânico na TV. Hoje, com uma identidade própria, o Encrenca é referência no segmento de conteúdos de internet na TV e prova da inovação em mesclar o tradicional e popular humor com o moderno.

Carro-chefe do entretenimento da RedeTV!, o programa é líder de audiência na emissora e segue invicto contra a Band, no horário. Os números inclusive melhoraram nesses meses de pandemia de covid-19. E engana-se quem acredita em desavenças dentro da equipe.

Motta revelou que, nesses seis anos, tanto os parceiros de apresentação quanto a equipe nunca se deslumbraram com o sucesso, nem se deixaram levar pela vaidade de estarem no horário mais caro e disputado da TV aberta.

Equipe do programa Encrenca, na RedeTV! (Reprodução: Instagram)

Deslumbre e essa vaidade besta de que nós somos a ‘última bolacha do pacote’. Isso não! A gente foi aparecer [na televisão] e fazer sucesso depois de velho. Essa vaidade da vaidade a gente não tem“, contou Dennys.

As perspectivas e vontades para os próximos tempos, o dia a dia de trabalho na RedeTV!, a relação com os donos Amilcare Dallevo e Marcelo de Carvalho e o politicamente correto: descubra essas e outras visões do Encrenca numa entrevista inédita!

CADU SAFNER – Passada a cobrança inicial de substituir o êxito do Pânico, inclusive no ar no mesmo dia e horário, como é consolidar a cada semana um programa de humor que tem a família como constante foco de atenção?

DENNYS MOTTA – Na verdade, a cobrança era muito maior por parte das pessoas que estavam fora do nosso ambiente do que de quem estava dentro. É uma coisa que temos que, no dia de hoje, prestar mais atenção. Mas não é uma dificuldade.

Acreditamos nisso, pensamos desse jeito, claro que, ninguém é perfeito. não somos os representantes da família ideal, padrão da família brasileira, mas temos esse principio de família.

Todo mundo tem seus filhos, tem respeito por quem está dentro de suas salas. Nós nos policiamos para que a coisa fique leve e que ninguém precise torcer o nariz, ou trocar de canal naquele momento por causa de alguma violência ou algo que possa ofender.

Encrenca é o carro-chefe do entretenimento da RedeTV! (Divulgação: RedeTV!)

CS – Como foi pra vocês lidar com um estilo de produção diferente por causa da pandemia e depois voltar ao estúdio sem a presença da plateia?

DM – A pandemia foi um aprendizado para a humanidade. Ninguém estava esperando por isso, ou contando com essa possibilidade. Todas as pessoas, em qualquer atuação ou área de trabalho, tiveram que se adaptar. No nosso caso não foi diferente.

Não teve uma surpresa na volta ao palco, porque fomos o único programa que não parou. Não passamos uma reprise sequer, um gravado. Continuamos fazendo ao vivo em todo momento. E fomos o primeiro programa tirar a plateia. Não precisou de lockdown.

Nós nos adaptamos rápido porque o programa é todo feito com celular. Rapidamente nos adequamos a essa realidade e continuamos indo para a emissora aos domingos e fazendo o programa.

CS – Nesses anos, qual foi a maior encrenca em que a trupe se envolveu? Uma que vocês sequer imaginavam e que se tornou uma dor de cabeça.

DM – É impressionante, mas não há grandes encrencas em que tenhamos nos envolvido. Dificilmente nos metemos em algo que cause desconforto. A maior encrenca que a gente arrumou foi ter que começar com o próprio Encrenca.

Quando o Marcelo [de Carvalho] chamou a mim e ao Tatola para uma reunião e quis nos dar um programa no domingo à noite, ao vivo, sem que a gente tivesse qualquer experiência em TV, estreando no meio da Copa [do Mundo] de 2014, no primeiro domingo de Copa, foi a maior encrenca em que a gente entrou. Sem saber o que fazer direito, mas num tesão danado. E fomos lá e fizemos o que podíamos. Nada causou transtorno maior que a própria estreia. No bom sentido.

CS – Hoje é possível apontar alguma influência maior que sirva de motor ou inspiração ao programa?

DM – A maior influência do Encrenca é a própria audiência. Exibimos vídeos e coisas comuns que ocorrem com as pessoas no dia a dia e as pessoas filmam isso. Sempre fomos ligados e estamos percebendo que isso vem sendo uma tendência muito grande e acaba chamando atenção de fora, em emissoras como a Globo, por exemplo.

A Fátima Bernardes, por exemplo, ela todo dia está pondo o assunto de algum vídeo que rolou. Não estou dizendo que a gente inventou isso, não temos exclusividade sobre isso. A maior influência é o que acontece no mundo, que as pessoas registram. A gente está muito atento a enxergar isso. A maior influência é a vida, as pessoas, o dia a dia.

CS – O ambiente televisivo mexe muito com o ego das pessoas e pode elevar o grau de vaidade delas a proporções inimagináveis. Em algum momento vocês viveram esse deslumbre com a fama e com o sucesso do programa? Já caíram do cavalo com isso?

DM – Não tivemos nenhum momento de deslumbre. Tivemos momentos de vaidade por termos nosso trabalho reconhecido por pessoas que a gente admira, por exemplo, participando de um Teleton como convidado e ter o Carlos Alberto de Nóbrega, que nos disse: ‘Pô, meninos, você são muito bons, vocês fazem um negócio novo, um humor simples e bacana’. Ter um Carlos Alberto de Nóbrega dizendo que assiste ao programa é motivo para ficar envaidecido.

O Dedé Santana, sendo que Os Trapalhões sempre foram referência para nós, falar que conhece o programa, isso é motivo de vaidade. Agora, deslumbre, essa vaidade besta de que nós somos a ‘última bolacha do pacote’, isso não! Graças a Deus a gente foi aparecer e fazer sucesso depois de velho.

Essa vaidade pela vaidade nunca tivemos. Queremos viver bem assim e aproveitar o sucesso que o Encrenca tem para proporcionar coisas boas para nossa família e momentos bons que a gente talvez não tenha vivido ainda. Mas jamais a ponto de achar que somos artistas.

CS – Como é o ambiente de trabalho na RedeTV!, com a equipe de produção e com os donos Amilcare Dallevo e Marcelo de Carvalho?

DM – O ambiente na RedeTV! é muito bom. Estamos muito à vontade dentro da emissora e conquistamos um espaço que dificilmente imaginamos ter em outro lugar. A confiança da equipe, dos donos, a liberdade que temos para produzir e colocar no ar o que mais acreditamos.

Nossa equipe é muito focada no trabalho, temos uma dinâmica muito bem elaborada pelo Ricardo [de Barros], nosso diretor. Em relação ao Amilcare [Dallevo] e ao Marcelo [de Carvalho], eles são nossos amigos, fomos contratados especialmente pelos dois, através de uma indicação de um amigo nosso.

Faz um ano que não os vemos, por motivos óbvios, mas nos falamos sempre. temos um grupo de WhatsApp para conversar o que for necessário. Confiamos no que a emissora entrega a nós e a emissora confia no que a gente entrega a ela. E o resultado, tanto comercial, de faturamento, quando de audiência, é muito bom.

CS – Ao lidar com o humor, vocês ficam sujeitos a retaliações por algum comentário fora de contexto. Como é a relação de vocês com o politicamente correto?

DM – O politicamente correto é chato para caramba. Hoje em dia é muito difícil não só fazer humor, mas viver. Andar na rua é difícil, você não pode ter opinião sobre quase nada. Se você tem uma opinião que discorda daquele grupo que você está inserido, você é o tal do ‘cancelado’. Mas quem nos cancela é Deus. Daí para frente é só um monte de gente ditando regras.

É óbvio que há um monte de coisa que mudou no mundo, que não cabe mais. Que as pessoas usavam para rir da cara do outro. Mas nunca foi uma característica do Encrenca. Chamamos as pessoas para brincarem com a gente e não para brincarem com a cara dos outros.

Se você pegar Chico Anysio, Jô Soares, Os Trapalhões, esses mais antigos, com as piadas que eles faziam eles estariam presos hoje em dia, ‘cancelados’. Eles se utilizavam de coisas homofóbicas, gordofóbicas, racistas, e no mundo não cabe mais isso, essa intolerância. Temos isso em nosso DNA, de não ofender ninguém, mas é claro que, se você escorregar, as pessoas estão prontas para dar uma porrada na sua cabeça.

Em geral, as pessoas gostam de ver o circo pegar fogo. Na televisão, temos um público muito mais abrangente, muita criança. Por isso, nós nos preocupamos em nos comunicar de um jeito que todos entendam e sem ofender ninguém. Ficamos nos policiando nesse sentido.

O Encrenca vai ao ar todos os domingos, às 20h, na RedeTV!

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