Daniela Fontan, a Janete de O Outro Lado do Paraíso, revela o que ouve nas ruas: “Cala a sua boca, você fala demais”

Publicado há 3 anos
Por Renan Vieira
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Ela surgiu interpretando a empregada de Fabiana (Fernanda Rodrigues), em O Outro Lado do Paraíso. Logo, ela se aproximou da protagonista Clara (Bianca Bin) e ganhou mais relevância na história. Agora, Daniela Fontan e sua Janete ganharam popularidade entre os telespectadores.

Em entrevista ao Observatório da Televisão, ela contou como tem sido sua trajetória dentro da trama de Walcyr Carrasco e revelou como foi regressar, depois que a trama de Fabiana voltou a se entrelaçar com a de clara.

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Ainda no bate-papo, ela contou que já fez outros trabalhos, mas que sente que a repercussão de uma trama das 21h é maior. Ela explica, inclusive, que as pessoas a tacharam de fofoqueira e acabaram esquecendo que ela ajudou Clara no passado. Entenda por que na sequência.

Você já sabia que a sua personagem iria trair todo mundo?
“Gente, eu não sabia. A gente fica sabendo de 15 em 15 dias das coisas… toda semana um pouquinho. Eu pensei que eu pego metrô e que talvez eu pudesse apanhar (risos).”
E como foi, na prática, a reação do público? Alguém veio falar com você?
“No dia em que foi ao ar a primeira fofoca, eu estava indo para o ensaio de uma peça e só escutei as pessoas dizendo assim: ‘Cala a sua boca, você fala demais, fica quieta que eu vou tacar fogo na sua língua’. Toda hora, eu estava ouvindo essas frases, então pensei: ‘Deve ser comigo, foi ao ar aquela cena’. As pessoas estão muito inflamadas.”
Embora a Janete tenha feito uma fofoca, ela foi quem ajudou a Clara (Bianca Bin) a entrar na casa da Fabiana (Fernanda Rodrigues) e ficar rica…
“Mas o Brasil é um país sem memória. As pessoas do metrô não entendem isso (risos). O jornal que saiu essa história já está embrulhando peixe hoje.”
O que vem pela frente agora?
“Do que chegou a gente quase já gravou tudo, então não sei muito mais além. Vai ter essa situação da Clara ter os bens confiscados por causa da fofoca da Janete. Mas eu preciso defender a personagem: ela não fez em tom de fofoca. A gente gravou essa cena e ela falou querendo defender a Clara para o Renato (Rafael Cardoso), dizendo que ela é uma pessoa maravilhosa, tão maravilhosa que fez isso e aquilo. Ela (Janete) estava querendo elogiar e acabou deixando a Clara sem dinheiro.”
Em algum momento, a Clara vai falar sobre isso com a Janete?
“Sim. Tem essa cena. Vai dar ruim ali porque a Janete vai dizer que foi ela quem falou e que não foi por querer. A Clara fica sem saber se joga um vaso na cabeça dela, se manda matar (risos). Vai ter esse momento e a Clara vai dizer que não sabe se manda ela embora agora ou se manda depois porque não tem dinheiro para pagar. Ela (Janete) vai pedir perdão e vai ficar lá na casa… Já que foi ela quem causou, vai ter que usufruir da pobreza também (risos).”
Como é que você foi recebida pelo elenco que já estava entrosado?
“Lindamente! Quando eu cheguei aqui a Bianca (Bin) estava pulando, falando ‘que bom que você veio, seja bem-vinda’. E aí já foi lindo, conheci a Gloria Pires que é minha deusa, minha ídola nesse mundo. Foi ótimo.”
Como é estar no horário nobre?
“Está sendo muito especial. Eu nunca tinha feito uma novela das 21h. A visibilidade é muito maior. Eu já fiz papéis em outras novelas que eram até maiores e não era assim, não tinha esse apelo popular. Na primeira semana, eu fiquei em estado de choque. A gente que é ator tem um contato direto com as pessoas independentemente de estar no ar ou não. Quando você está no ar, as pessoas começam a falar da novela e quando você está fazendo teatro ou está desesperado sem emprego, as pessoas pegam na sua mão e falam assim: ‘Nunca mais vai trabalhar?’ Aquilo vai no fundo, lá dentro da gente. Carreira e ofício são coisas diferentes. Eu não sei se para a minha carreira é mais ou menos importante ter essa visibilidade, mas, para o meu ofício é importante o feedback.”
Sua família te paparica muito?
“A minha família é meio desligada nessas coisas. A minha mãe é uma pessoa que fica mais atenta, que assiste. É mais um trabalho, né? Eu faço muito teatro, então é igual. Eles torcem como torceriam se eu fosse advogada, médica ou enfermeira.”
O que você deseja para a Clara, já que aconteceu esse mal-entendido?
“Que a Clara termine logo essa vingança ou esqueça disso e entenda que a vida tem mais para dar do que já tirou. Se eu fosse amiga da Clara, eu falaria para ela desapegar dessa gente e beijar a boca do Patrick (Thiago Fragoso).”
Na vida, você já fez uma fofoquinha sem querer?
“A minha prima já falou que não conta mais nada para mim. Eu sou muito fofoqueira sem querer, eu comento na frente de quem não pode ouvir, estrago surpresas. Então, é melhor não me contar nada mesmo.”
Como é que vai ser quando a Janete der de cara com a Fabiana de novo?
“A gente já gravou essa cena. Ela dá um grito e sai correndo. Ela vê o cão na frente dela (risos).”
Você sempre é lembrada por interpretar personagens divertidos…
“Eu trabalhei muitos anos como palhaça em hospital, eu era doutora palhaça no grupo Roda Gigante, aqui no Rio de Janeiro. A gente fazia que nem os médicos, de terça e quinta tinha o horário dos palhaços passarem nas enfermarias. Nesse trabalho, eu entendi que se você quer fazer rir, você não pode fazer humor ou comédia, você tem que ser sincero. A pessoa que está fazendo comédia é o Walcyr Carrasco. Eu só preciso ler o que está escrito e levar até as últimas consequências. Tem que ser de verdade, o público é que decide se eu estou sendo engraçada. A palhaçaria me ensinou que quem faz humor é quem escreve.”
Como você sente que está, na sua vida, o lugar da mulher?

“A gente está vivendo um momento muito difícil. A gente perdeu, de uma maneira bizarra, uma representante (Marielle Franco) e junto com essa pessoa morreu um pouquinho de cada uma de nós. É sobre isso que essa morte fala. É sobre uma mulher, nesse país, não poder ocupar um cargo de militância, um cargo político, um cargo que defende os menores. Eu, como mulher, me senti um pouco assassinada também. Estou precisando refazer a minha esperança e gritar muito na rua para me recolocar e achar que eu posso. Por enquanto, estou achando que vou ser assassinada se eu tiver que falar um pouco mais alto, se eu tiver que defender alguém. Como artista, é essa morte que eu escolho e não a de ter que ficar quieta, que também é uma morte. Para as mulheres, é o momento de gritar de mãos dadas porque o Brasil está dizendo que a gente não pode. Ela representava todo mundo, mas tem uma gente burra que não entende isso e está dizendo o contrário, o que é um tiro no próprio pé. Essas pessoas não estão entendendo o que estão fazendo com o nosso país.”

* Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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