Bella Piero define nova personagem em Malhação: “É um ser humano um pouco desequilibrado”

Publicado há 2 anos
Por João Paulo Reis
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Em Malhação: Vidas Brasileiras, Bella Piero será Sofia, uma jovem que se apaixona platonicamente por Garoto (Pedro Maya). Ela passa a perseguir o rapaz, depois de perceber seu sucesso como rapper na internet. Após três meses do fim de O Outro Lado do Paraíso, a atriz ainda colhe os louros de sua personagem na trama de Walcyr Carrasco. Em conversa com o Observatório da Televisão, ela falou sobre a nova personagem e afirmou que ainda recebe mensagens de pessoas que tomaram coragem de denunciar abusos devido à personagem. Confira:

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Vamos falar de O Outro Lado do Paraíso, porque é impossível não falar. Depois de tudo o que aconteceu com a Laura, como foi a repercussão?

“Não dá para contabilizar e verbalizar tudo o que reverberou por causa da Laura. Estou digerindo ainda. Agora em Malhação é a primeira vez que interpreto outra personagem depois disso, dando voz a outro público. A Laura me mudou muito como atriz, como mulher e como ser humano. Me fez evoluir vidas, e meus parceiros de cena contribuíram para isso. Alinhar aquilo o que a gente gosta de fazer com uma função social desse peso é incrível. As denúncias de abuso triplicaram (depois da personagem) e virei representante de uma campanha de empoderamento feminino da ONU chamada Ela Decide, sobre reprodução. É tudo isso”.

Durante esses três meses de férias, o que você fez?

Eu me cuidei. Tive uma entrega muito grande em vários níveis possíveis. Tanto físico, emocional e psíquico. Tive que me reorganizar para contar outra história”.

Bella Piero fala de nova personagem em Malhação: Vidas Brasileiras

Então conta para a gente a história de sua nova personagem em Malhação.

A Sofia é uma menina de 17 anos, estuda no Colégio Sapiência, e é super inconsequente como quase todo adolescente é. Não pensa no que está fazendo e falando. É um ser humano um pouco desequilibrado (risos). Ela se apaixona pelo Garoto (Pedro Maya), que é incluído na escola após ser adotado pelo Heitor (Luis Gustavo). Ele fica famoso após gravar um clipe de hip hop, e a Sofia é maníaco-obsessiva, começa a persegui-lo, bota na cabeça que ela quer ser namorada dele de qualquer jeito. Ele está sofrendo um pouco na minha mão, mas só em cena (risos)”.

Você já foi fã de alguém?

Nossa, tenho muitos ídolos. Nunca fui tão obsessiva como a Sofia, ela tem uma patologia. Tem um vazio existencial muito grande, que ela compensa nas relações com as pessoas. Graças a Deus tive uma base familiar muito boa, e meus ídolos só me somaram”.

Quem são eles?

“Brigitte Bardot, Catherine Deneuve, Gloria Pires, Fernanda Montenegro, Marieta Severo, com quem trabalhei (risos)”.

Você se baseou em quem para fazer essa personagem? E como está sendo esse figurino?

“Eu até fiz uma brincadeira com as figurinistas, porque sempre me colocam como Wandinha da família Addams. Eu sou sempre a Wandinha, e já acreditei que sou a louca e vou sempre fazer esses perfis diferentes de maluca, da esquizofrênica, psicopata. O referencial que tenho da Laura, fiquei quatro meses em preparação e estudei muitas doenças que estou trazendo agora para a Sofia”.

Tem alguma peça de roupa da personagem que você levaria para o seu closet?

Essas pessoas que têm um desequilíbrio geralmente são muito sedutoras. A Laura é desequilibrada e sensual. Tenho peças parecidas com as dela como minissaias, mas só”.

Redes sociais 

Como é para você participar de Malhação com uma carreira já consolidada?

Estou muito feliz de estar aqui porque reencontrei grandes amigos com quem já trabalhei como o Arlindo Andrade, Camila Morgado, e André Frambach. Tenho muitos amigos aqui e essa galera vem com uma base enorme. Somos a nova geração e queremos fazer dar certo. Estar com eles está me trazendo uma leveza depois de um furacão que foi Laura na minha vida”.

Como você lida com redes sociais?

Eu converso muito com meus fãs. Eu acho que essa troca é essencial para o meu trabalho. Meu trabalho é com o público e para o público. Eu quero comunicar, transformar, e faço isso diretamente com eles. Na época da Laura, eles mandavam inúmeras mensagens sobre abuso e questões ligadas ao assédio. Eu pedi para a Globo me ajudar a formatar uma resposta, porque eu não dava conta de responder tudo. O público ainda não conheceu a Sofia porque ela ainda não entrou no ar. É uma ótima pauta para conversar com a galera jovem porque eles são muito apaixonados, têm muito sentimento. Com certeza farei um post relatando isso, que antes de ter um ídolo e amar alguém, a gente precisa se amar, entender quem somos e de onde viemos”.

Você falou de ídolos da dramaturgia, mas na música você tem algum?

“Quando eu era menor, eu era apaixonada, enlouquecida pelo RBD. Eles vieram fazer um show no Rio. Eu era muito pequenininha e não pude ir. Até falei para o meu namorado, que se eles voltassem, eu faria de tudo para ir no show deles. Não importa a idade, quando a gente é fã, é fã mesmo. Mas sem psicopatia (risos)”.

Bella Piero revela loucura que um fã já fez por ela

Você já viveu algum episódio de alguém ter uma paixão platônica por você?

Já, e é assustador (risos). A pessoa criou um fake no Instagram e me mandava coisas como ‘você está linda com essa blusa listrada’, ‘tenho um carro parecido com o seu’, ‘a placa do seu carro é tal’, ‘sei onde você mora’.

O que você fez?

Mandei uma mensagem pedindo para ela se identificar porque passa do limite, então a gente pode ficar assustado com isso. Ela falou que não ia se identificar, e eu disse: ‘Ok, então eu vou ter que te bloquear e não ler mais as suas mensagens’. Normalmente tenho o maior cuidado, carinho e vontade de falar com os seguidores. Acho essencial estar em contato. Depois do bloqueio ela parou, pelo menos não mandou mensagem dizendo que está me vendo mais, então a gente acredita nisso”.

O público de Malhação é diferente da novela. Já se fala na sua participação?

É um público muito fiel, é impressionante. Eu acho que a Sofia não terá grande proporção porque será uma participação breve, mas já me mandaram prints e estão super felizes porque irei fazer parte de Malhação”.

Que tipo de adolescente você foi?

Eu costumo falar que já nasci velha. Não tive muito essa fase de adolescência. Comecei a estudar teatro com 7 anos, então com 11 anos estava lendo Stanislavski. Então vivi um pouco essa rebeldia de adolescente com 17 ou 18 anos. Aliás, não considero nem como rebeldia e sim tomar a rédea da vida e falar ‘vamos lá que agora é comigo’, mas minha adolescência mesmo foi aula, casa, praia, teatro”.

A importância de Laura em O Outro Lado do Paraíso

Depois de sua personagem Laura, alguma mulher te procurou dizendo que você a incentivou a denunciar algum caso de abuso?

Muitas mulheres e homens. Proporcionalmente as mulheres são muito mais vítimas que o sexo masculino, mas existem sim, e eles me mandavam mensagens. É incontável”.

Depois da Laura, aumentou seu nível de conscientização em relação ao assédio?

“Eu acho que claro, aumentou muito depois da Laura, mas é impossível ser uma mulher hoje em dia, nessa sociedade machista que vivemos e não ter passado por algum assédio. Digo moral, verbal, psicológico. É impossível. Eu dei até uma entrevista sobre isso, e saiu no título da reportagem. As pessoas vieram dizendo: ‘A Bella nunca foi assediada’. Mas esse assédio é composto por várias coisas. É a piada que você escuta, a ridicularização, a inferiorização. Sempre vivi isso, mas agora não aceito mais”.

Teve alguma situação que foi bem marcante?

Muitas. Eu entendi meu lugar de fala como mulher, como atriz jovem na sociedade em que a gente vive, numa empresa enorme como a Rede Globo, e fora porque não trabalho só aqui. Entendi que majoritariamente a gente passa por isso, e busquei meu empoderamento e não aceitação desse tipo de acontecimento”.

Você responde?

“Deixo bem claro o que está acontecendo. Pode ser às vezes em que a gente começa a falar, e um homem corta a gente, por achar que a palavra dele é mais importante, não nos deixa terminar nosso assunto, ou mesmo uma coisa familiar, afetiva. A gente naturaliza isso”.

Novos Convites

Você não se leva a sério, mas talvez esse seja o caminho, não é? Na época da Laura por exemplo, você chegou a compartilhar os memes seus te comparando à Wandinha.

“Na época dos memes da Wandinha, estávamos muito adiantados já gravando a hipnose da Laura (O Outro Lado do Paraíso). Um dia cheguei no set, e mostrei para o diretor dizendo que as pessoas estavam levando a situação para um caminho totalmente diferente do que queríamos mostrar, e ele me respondeu: ‘É isso! Eles estão culpabilizando a vítima. É isso que a gente quer, e depois vamos inverter o jogo’. Foi muito importante até terem esses memes dizendo que ela estava fazendo mimimi, que ela era dramática demais, e depois se compreendeu. Foi bom para alertar as famílias que aquele silêncio, ou reações esquisitas e fora de contexto podem indicar alguma coisa. Deixa os pais, professores e educadores mais atentos”.

Sobre sua carreira, depois da Laura houveram muitos convites?

“Recebi alguns convites, não muitos, até porque acho que precisa existir um eco do tempo da Laura sair do inconsciente coletivo. Mas fui procurada sim por vários canais, só que estou tomando cuidado para escolher a história que quero contar. Acho importante estar alinhada com o meu momento de vida, e sobre o que quero falar”.

Final de Vinicius

O que você achou do final do Vinicius, abusador da Laura em O Outro Lado do Paraíso?

“A gente mostrou a realidade, mas eu gostaria de ter mostrado a importância da inclusão dessas pessoas. Claro que o verbo não é pagar pelo que eles fizeram, mas terem a consciência do que foi feito. Que haja essa punição porque é um crime tenebroso, mas essas pessoas precisam ser tratadas. Não é só punindo que iremos acabar com isso. A pessoa precisa sim perceber que ela cometeu um ato criminoso e doentio, precisa de tratamento e acredito na reinclusão dessas pessoas na sociedade”.

Queria saber se você se inspirou em algum caso para contar a história dessa menina em Malhação.

Eu não cheguei a me inspirar em nenhum caso real porque me ligaram um dia antes e não tive tempo para pesquisar casos verídicos, mas foi um ótimo insight. Vou dar uma olhada com certeza”.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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