Vida pessoal, a história no SBT e relação com Anitta: as verdades de Leo Dias

Publicado há 3 anos
Por Redação
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Era por volta das 14h45 quando a reportagem do Observatório da Televisão chegou ao camarote 2222, em Salvador (BA), na última quinta-feira (8). A entrevista do dia foi com Leo Dias. Mas descobrimos rapidinho que se o chamarmos de Nado ou Leonardo Antônio, ele atenderá da mesma forma.

Após o fim de sua participação ao vivo no Fofocalizando, Leo atendeu nossa equipe e perguntou: “Porque uma entrevista comigo?”. A gente explica, Léo.

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Leo Dias é um dos apresentadores da atração, que com um ano e meio no ar, levanta a audiência ao mesmo tempo em que coleciona polêmicas nas tardes do SBT. O programa é uma aposta pessoal de Silvio Santos, que volta e meia dá o seu feedback em forma de pitacos.

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Mas não é apenas isso. Hoje, Leo Dias é certamente o mais reconhecido jornalista de celebridades do Brasil. Ele rechaça o rótulo pra si. É repórter e de rua – um dia depois dessa entrevista ser feita, lá estava Leo, na rua, para ser o primeiro a entrevistar Anitta antes da cantora entrar no circuito Barra-Ondina.

Leo falou na entrevista sobre ser “amigo de Anitta”, mas falou também sobre como foi a explosão da sua carreira, a saída da RedeTV! e a chegada no SBT, além de outros detalhes da sua carreira e vida, jamais antes vistas em outro lugar. Confira o bate papo na íntegra:

Leo, por que falar sobre celebridades?

Porque Deus quis! Acho que Ele quem quis mais do que eu. Desde moleque a televisão sempre fez parte da minha vida muito intensamente. Me lembro que meu pai me proibia de ver televisão, achava pesadas algumas cenas, por exemplo aquelas entre Édipo (Felipe Camargo) e Jocasta (Vera Fischer) em Mandala. Ele percebeu que eu assistia TV excessivamente, tinha medo que eu virasse gay e me proibiu, mas não adiantou nada (risos). Quando me formei, uma colega de faculdade foi convidada a trabalhar na Revista Amiga, e rejeitou a vaga dizendo que não tinha estudado quatro anos para trabalhar nesse tipo de publicação, já eu não tinha problema nenhum com esse tipo de jornalismo. A gente sai da faculdade achando que vai direto para a bancada do Jornal Nacional, e de repente acontece o choque de realidade. E eu encarei a redação da Revista Amiga, em 1997, de lá fui para a Manchete, Chiques e Famosos. Em 2001 pedi demissão para viver um ano sabático. Passei 1 ano na Austrália estudando inglês, curtindo a vida. Eu realmente curtia muito. Voltando ao Brasil, trabalhei na revista Contigo!, e depois fui para a redação do Jornal Extra, como repórter do caderno de TV. E lá, eu acabava fugindo das tramas de novelas para buscar algo da realidade. Sempre gostei mais da realidade do que da ficção, e com isso dei vários furos fazendo com que as pessoas passassem a me olhar de forma diferente. “Como esse repórter que cobre TV consegue dar tanto furo de vida real?”. Eu noticiei por exemplo em primeira mão a gravidez da Giovanna Antonelli, porque eu conhecia uma garota, que a Giovanna descobriu no lixão enquanto gravava Da Cor do Pecado, noticiei a demissão da Marlene Mattos da Band, e depois de uma mudança do jornal passei a assumir uma coluna, e nunca mais saí das colunas, essa é a minha veia. O Leo Dias de raiz é aquele lá de 2005 a 2011.

Léo Dias com Preta Gil no Fofocalizando em Salvador (Reprodução/Instagram)

Você disse que em sua temporada fora do Brasil, você “Curtia a vida” no passado. Não curte mais?

Não curto tanto mais. Estou mais velho, com 42 anos, mas eu curtia a ponto de ir para a boate no sábado e sair na segunda. Esta boate tem 3 pisos, então ficávamos mudando de piso só para eles limparem. Há uma intensa comunidade gay na Austrália, e me diverti muito.

Você se considera maldoso?

Não mais. Eu tive que me adequar. Eu tenho certa maldade, mas seguro. Sou um Leo Dias lapidado. Na televisão tive que me lapidar, lá não sou o Leo Dias 100% mas posso acioná-lo, ele está aqui dentro em algum lugar. Acho que todo mundo tem um “Leo Dias” dentro de si, mas se controla. Outro dia entrei em um táxi e o motorista me disse que participava de um grupo de Whatsapp chamado “Leo Dias”, e perguntei “Como assim?”, e ele respondeu: “Quando a gente quer ser ferino um com o outro, no grupo a gente desce toda a verdade” (risos).

Você é muito popular, virou uma celebridade também? O que você acha disso?

Eu não gosto disso, não me vejo como celebridade. Ontem eu estava andando pelo Shopping mais popular da Bahia. Estava desabando uma chuva mas eu estava lá, e as pessoas começaram a perguntar:  “Caramba, é o Leo Dias que está aqui?”. Sim é o Leo Dias, qual o problema? Estava lá sozinho na fila do McDonalds. Eu sou esse, não sou diferente de ninguém, não querer esse status de celebridade para mim. Gosto de estar no palco do Fofocalizando, mas prefiro estar aqui, na rua. Eu sou o repórter que leva a notícia para o Fofocalizando, e eles comentam e debatem. A minha função ali não é de debatedor. O meu lugar é na rua. Eu prefiro 10 mil vezes estar no Rio de Janeiro, que é a nossa Hollywood, do que estar no palco em São Paulo. Eu sei que existe uma certa pressão para eu me mudar para São Paulo, mas eu prefiro o Rio. É onde eu vou ter o contato mais direto com os artistas, é onde eu vou saber mais dos furos, é onde tudo acontece, e eu levo as notícias do Rio de Janeiro para São Paulo.

Você falou nas redes sociais recentemente que achou que não teria vida quando saiu do Grupo Globo. Quando você percebeu que tinha vida?

Eu me lembro muito bem que quando eu fui demitido, eu botei a mão na cabeça e pensei “Acabou”. Então eu saí do prédio do jornal O Globo, que é o mesmo do Extra, e andei chorando pela rua, e fui para a casa de um ex-namorado e desliguei o telefone. No dia seguinte o Yahoo me ligou, eles já tinham me ligado antes de eu ser demitido querendo fazer uma proposta, mas eu perguntei para a pessoa que estava me ligando por que eles queriam me fazer uma proposta e a pessoa me disse: “A minha mulher é sua fã”.  Eu não conhecia o cara, ele era de São Paulo, e me disse: “A minha mulher te adora, falou que você tem coragem de fazer o que ninguém faz”.  Então eu acho que fui o primeiro da imprensa brasileira a quebrar aquele paradigma da imprensa contemplativa. A imprensa não tem que só entrevistar e reportar o que o artista fala quando dá entrevista, ela tem que saber também o que aconteceu por fora, e saber que o ator é pago para mentir. Ator mente naturalmente, e eles vão mentir, eles sabem mentir como ninguém, e não podemos ter uma imprensa só baseada nos fãs. Eu admito que não sou mais aquele Leo Dias de antigamente, mas o espaço está aberto. Eu me pergunto muitas vezes quem será o novo Leo Dias, e lamento o fato de não termos alguém ainda. Eu quero que surja uma pessoa com um jornalismo verdadeiro, na carne, aquele Leo Dias que enfiava a faca na carne.

Tem quem te acuse de proteger a Anitta. Você a protege?

Eu abro algumas concessões em relação à Anitta. Hoje eu entendo o tempo dela, e a gente se respeita muito. Eu sei que é um privilégio ter contato direto com ela, a gente se fala muito, e às vezes ela diz: “segura essa informação”. Eu fui o primeiro a descobrir sobre o noivado e o casamento dela. E ela pediu: “Não publica, por favor” e eu disse: “OK”. O Leo Dias hoje sabe dar esse tempo. Eu sabia que ela tinha se casado, mas não sabia onde, e ela disse pra mim: “Eu casei mas não foi no cartório. Teve um cartório, mas eu não fui até lá”. A Anitta não mente, esse é o nosso elo, ela não mente. Este é o Leo Dias moderado, que eu tive que adequar para a televisão. Tive que recuar e dar dois passos para trás, afinal não adianta você brigar com o mundo. Eu penso duas vezes antes de dar a notícia. Aprendi com a Luma de Oliveira uma coisa: às vezes uma bomba vai estourar, é melhor que eu dê a notícia, e eu falo isso para os artistas. É melhor que eu dê, pois a primeira versão dita o tom de todas as outras. Por exemplo, eu dei recentemente que a Marisa Orth vai desfilar na frente da bateria da Unidos da Tijuca, então eu falei com a Juliana Alves e ela me deu o OK, “Pode dar, é verdade mas não dá em tom de rivalidade, não dá em tom de ‘eu perdi o poder’”. Juliana Alves é a rainha, ela vai desfilar este ano com uma mulher ao lado dela, se eu desse “Marisa Orth disputa poder com Juliana Alves” ia ser este tom, mas eu noticiei no tom de surpresa, não no tom de guerra.

Como o Fofocalizando chegou até você?

Ninguém acreditava em mim, e eu acho que nem eu mesmo. Eu achava que não cabia no SBT. Achava o SBT moderado demais para mim e aí eu me adequei a ele. Quando eu comecei a estudar mais a história do Silvio Santos, descobri que ele adorava fofoca desde o início da vida dele. Parece que no programa de rádio do Silvio tinha um quadro de fofocas com o Nelson Rubens. O Silvio não me conhecia, não sabia quem eu era, aí o Lucas Gentil e o Márcio Esquilo conversaram comigo. Conversei primeiro com o Lucas no Rio de Janeiro e a minha primeira resposta foi “Não”. Eu comecei ganhando menos, fui para o SBT ganhando menos do que eu ganhava na RedeTV!, e não era contratado, era freelancer, e o combinado era participar de dois programas por semana. Depois eu liguei para a RedeTV! avisando que estava saindo.

Mas você deixou portas abertas na RedeTV!?

Acho que sim.  Depois de sair pedi uma reunião com o Amilcare, fui a São Paulo, e ele me pediu para voltar para RedeTV!, mas eu disse “Não”. Ele me ofereceu o triplo do que eu ganhava no SBT e continuei negando. Ele queria que eu comandasse o TV Fama do Rio de Janeiro, como é no Fofocalizando. Eu seria um dos apresentadores do TV Fama. Eu acho que a RedeTV! só me valorizou depois que eu fui para o SBT afinal a grama do vizinho é mais verde, sabe? A emissora só começou a olhar para mim direito quando saí, mesmo ganhando muito mal no SBT.

E mesmo assim você decidiu enfrentar o desafio de integrar o programa Fofocalizando?

Fui e sem certeza do amanhã! Era contrato de prestador de serviços. Eu não tenho carteira assinada, mas hoje eu estou no casting. Quando eu me vi no rol dos apresentadores do SBT, eu falei: “Não, tem alguma coisa de errada. A minha roupa nem está adequada para o rol de apresentadores. Eu estou feio, horrível” (riso).

Como foi a sua chegada no SBT?

Eu fui muito bem recebido. Eu trato as pessoas lá como a minha família. Hoje eu não tenho mais dúvidas em relação ao futuro. O futuro para o Fofocalizando é promissor. Quando a gente acha que o Fofocalizando não pode se reinventar, ele vai e se reinventa, e ainda traz a Lívia Andrade que dá uma cara nova.

O público está comprando essa rivalidade, trocas de farpas entre a Lívia Andrade e a Mara Maravilha. Você tem saído em defesa de alguma das duas? A Mara age inconsequentemente?

Eu cheguei uma vez para a Mara e falei: “Acorda! Não existe o Tom sem o Jerry. Não existe o gato sem o rato. Você precisa de um opositor”. Hoje ela percebeu isso. Ter a Lívia Andrade ali é reforçar o personagem da Mara Maravilha. Falei para ela encarar como personagem, não encarar como vida real. Não é vida real, e personagem não tem que agradar todo mundo. Eu descobri, até mesmo que o Leo Dias é um personagem. Quando eu começo a sair com alguém e a pessoa me chama de Leo Dias já está fud*** comigo, porque meu nome é Leonardo. Se me chamarem de Leonardo Antônio ganham mil pontos.

Chamar só de Leo já está tranquilo para você? (risos)

Leo eu aceito. Mas se me chamar de Nado ou Leonardo Antônio já ganhou. Quem me chama assim é porque é íntimo meu. A minha família não me chama de Leo.

Você já teve a sua vida pessoal invadida, exposta?

Não. A minha vida não desperta interesse e nem quero que desperte. O que gera interesse é o fato de eu descobrir detalhes da vida dos famosos. As pessoas reagem à minha presença de maneira bem natural, nem pedem muita foto porque eu sou do povo, eu vim do povo e as pessoas sabem que eu não sou artista. Eu não me comporto como tal, não quero status de celebridade. Aqui eu vou estar na rua juntos dos repórteres esperando para entrevistar todos os cantores.

Cobrir os bastidores das celebridades afeta o relacionamento pessoal com amigos?

Afeta. Celebridades não são meus amigos. Eu não sou amigo da Anitta, eu estabeleci com ela uma relação estreita, mas absolutamente profissional. Quando a gente tem que separar as coisas, fazemos friamente. Eu acho que houve ali com a Anitta um encontro.

Fora do círculo de famosos, você tem pessoas em que confia? Você sai? Consegue curtir bem?

Claro que eu tenho amigos. Eu tenho amigos muito fiéis, poucos, mas extremamente fiéis e que sabem tudo sobre mim. Eu não sou isso aqui, a minha vida não é isso aqui, isso aqui é o Leo Dias. A minha vida é outra coisa, eu sei separar muito bem a minha vida. Eu sei exatamente onde minha vida começa e termina, claro que eu usufruo, às vezes, dos prazeres que é estar na tela do SBT.

Quais seriam esses prazeres?

Tipo, não enfrentar fila para entrevistar o Alok e passar na frente de todo mundo (risos). Chegamos e fomos recebidos pelo Alok, ele foi lá fora falar com a gente. Na Anitta, eu acho que vou ser o primeiro ou então, talvez, eu venha na van com ela. Mas eu sei que no dia que eu perder o SBT, perder a minha coluna e não tiver nenhum veículo por trás, eu não vou ser mais recebido pela Anitta. O Alok não vai mais sair do camarim. Eles estão ali porque eu tenho veículos poderosos por trás, só isso.

Para encerrar: como você se define como pessoa?

Como eu me defino como pessoa? Sabe o que eu acho, sem falsa modéstia? Eu sou rápido, sou inteligente e eu pergunto o óbvio. A minha inteligência faz eu perguntar o óbvio. O óbvio, às vezes, simples é o diferente. Eu não quero perguntar muito da carreira das pessoas, eu quero saber da vida pessoal. Quero saber se a pessoa faz coisas normais, vai na fila do banco. Eu perguntei ontem para a Claudia Leitte se ela vai para a reunião dos filhos. Como ela fala com eles? Inglês? Português? Eles falam “Oxe”? Têm sotaque? É isso! São perguntas banais, bobas, mas é a minha inteligência ao comum. A minha inteligência faz isso. Eu sou inteligente, mas sou comum.

* Entrevista feita por Gabriel Vaquer
* Colaboraram: Cadu Safner e Greicehelen Santana

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