“Noto que as mulheres têm um certo pânico dessa personagem”, afirma Débora Falabella sobre Irene

Publicado há 4 anos
Por Leandro Lel Lima
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

De personagens intensos, Débora Falabella entende muito bem. Desde a sua estreia na Globo, como a Mel de O Clone, a atriz vem se destacando por conta da complexidade de cada um deles. E esse mérito também é de Gloria Perez e, claro, de João Emanuel Carneiro de Avenida Brasil.

Em seu terceiro trabalho com a autora, Débora comemora a repercussão que Irene tem causado junto ao público, em especial o feminino. A personagem é misteriosa, entra com tudo para acabar com o casamento de Eugênio e Joyce. Mas a preço de quê? Bom, essa é uma pergunta que só Gloria pode responder, já que nem a atriz sabe os caminhos que Irene irá tomar.

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Em entrevista ao Observatório da Televisão, Débora analisa o comportamento de Irene, de Eugênio e ainda fala da parceria com a autora de A Força do Querer: “Eu sempre tive muito prazer de trabalhar com a Gloria, porque eu acredito que ela seja uma das grandes autoras que a gente tem”, destaca a atriz que segue em cartaz em São Paulo com a peça Contrações.

Veja também: Juan Alba relembra Terra Nostra e se prepara para nova série do Canal Brasil sobre diversidade sexual

Este é o seu terceiro trabalho com a Gloria Perez. Como analisa o trabalho da autora e a construção dos seus personagens?

Eu sempre tive muito prazer de trabalhar com a Gloria, porque eu acredito que ela seja uma das grandes autoras que a gente tem de dramaturgia, na nossa televisão. Ela escreve personagens interessantíssimos. Eu pude fazer parte dessas histórias. Desde um dos meus primeiros trabalhos na TV, que foi a Mel, O Clone, depois eu fiz o Dupla Identidade, que eu era a Ray e agora a Irene.

São personagens super complexos, não são nada simples, assim como nós seres humanos somos. E o que eu acho que é mais interessante é que ela escreve muito sozinha, ela vai criando esse personagem também ao longo da trama, então você vai descobrindo junto com o público e até com ela própria sobre esse personagem.

Acho que o que ela assiste dos atores também influencia. É muito interessante trabalhar com os textos da Gloria, tirando que ela escreve muito bem, os diálogos são muito bem escritos e para mim está sendo um enorme prazer trabalhar com ela novamente.

Como construiu, ou ainda vem construindo, a Irene? Buscou na literatura, filmes e outros meios formas de entender o comportamento dela? Conversou com algum terapeuta?

Eu estou muito ligada ao que está no texto. Até porque como é uma personagem que vai entrando e se revelando durante a trama, eu também não sei muito sobre ela e isso que eu acho que é o grande barato de se fazer uma novela: é quando você tem que deixar espaço para o que essa personagem pode ser. Eu ainda não sei qual é o tipo de psicopatia dela, a obsessão que ela tem, mas eu vou deixando espaço para que isso possa ir para qualquer lugar. Isso que eu acho que é tão interessante: eu vou de certa forma intuitiva, de acordo com o que o texto me leva. Como ela escreve muito bem a gente consegue fazer isso muito tranquilamente e se divertir com isso, mas é um personagem que a gente precisa ficar atento mesmo, muito ligado ao texto. Então a minha preparação vai a partir daí. É claro que eu tenho algumas características dela, que eu coloco ali na personagem que o próprio texto me dá, mas eu te falo que a maior construção é ligada ao texto. Claro que também vi filmes sobre mulheres com algum tipo de obsessão ou de psicopatia, mas isso tudo são apenas referências para algo que ainda vai acontecer, para uma personagem que é única, por isso eu acho tão interessante.

É interessante dizer que a gente, às vezes, nas novelas trabalhamos com o preparador. A gente já tem uma escolha particular. E esse trabalho é o segundo trabalho assim importante na televisão, que eu tenho trabalhado com a Iara de Novaes, que é a minha sócia no Grupo 3. Ela é uma grande diretora, atriz e preparadora de elenco também, o que muita gente não sabe. Ela faz coach de atores, então ela é uma pessoa que está sempre comigo e no caso da Irene é uma pessoa que tem sido super importante pra essa construção.

Já conheceu ou conhece alguém com o mesmo comportamento? Como o público tem reagido?

O mais interessante de tudo isso é a reação do público. Eu nunca tinha feito uma vilã mesmo. Já tinha feito uma personagem que esbarrava na vilania, mas também um pouco no humor, mas essa personagem gera um ódio interessante. Noto que as mulheres têm um certo pânico dessa personagem, que seria a imagem da usurpadora, da mulher que toma o marido e é interessante observar isso. As pessoas têm muito mais ódio dessa personagem, claro, ela está fazendo de tudo para tomar esse homem, mas não falam muito do Eugênio, que o homem está se deixando levar. Então é interessante perceber como as mulheres reagem a essa personagem. Isso eu acho que é muito forte e volta e meia alguém me fala que conhece uma pessoa assim, que aconteceu uma história assim. Então é interessante perceber isso.

Eugênio tem da Irene motivação para seguir com seus planos, o que ele já não encontra na esposa, Joyce. O que falta em Eugênio?

A Gloria pensa muito bem nisso. Ela coloca uma mulher que gosta de conquistar e de dominar esses homens que, por algum motivo, estão com uma fragilidade. Eu acho que a Gloria coloca esse personagem do Eugênio como o homem muito bom, mas está passando por uma dificuldade e que por isso fica mais frágil e que vai acabar caindo na história da Irene. Acredito que a construção dos personagens e a forma como eles se encaixam estão sendo escritos pela Gloria de uma forma muito inteligente.

No teatro você segue em cartaz com Contrações. Emma, a sua personagem, vive conflitos com uma chefe durona. Impossível não ver a peça e lembrar daquele chefe chato, mal-humorado, regras e mais regras que fazem parte do mundo corporativo. Quais lições o público pode esperar desta história?

Contrações é uma peça que já ficamos em cartaz há muito tempo. É da minha companhia, que é o Grupo 3 de Teatro. A gente já ficou em cartaz em São Paulo, no Rio e já viajamos com ela para outros lugares. Já estamos em cartaz até com outro espetáculo novo da companhia. No final do ano e no ano que vem entramos em cartaz com Love, Love, Love. Mas teremos a oportunidade agora de mostrar esse espetáculo de repertório na Mostra Premmia de Teatro.

É uma peça que fala sobre assédio moral dentro do ambiente de trabalho. Fala da história de uma chefe e de uma funcionária e é um espetáculo que causa muita identificação na plateia. Quem já não passou por isso? Quem já não sofreu com o poder? A gente tem uma reação maravilhosa do público, que se identifica com a história tanto do lado da funcionária como do lado da chefe. Acredito que a peça fale um pouco sobre esse mundo que a gente vive, capitalista, onde o importante é realmente você ter dinheiro, ganhar dinheiro. Ele é necessário para que o mundo se mova e eu acho que é uma peça interessante de se assistir para refletir mesmo sobre isso, sobre essa maneira que a gente vive hoje em dia no mundo.

Serviço:
Contrações – Auditório Ibirapuera – SP – com Débora Falabella e Yara de Novaes
Sábado, 17/06, às 16h, com audiodescrição. Domingo, 18/06, às 19h, com interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras)
Duração: 80 minutos. Classificação: 14 anos.
Ingressos: R$20,00 e R$10,00 (meia)

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio