Troféu Imprensa erra ao não indicar apresentadores sem auditório

Publicado há 2 anos
Por André Santana
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Que o Troféu Imprensa, cuja edição 2019 foi exibida hoje (28) no SBT, faz um resumo distorcido do ano que passou, isso não é novidade. Afinal, desde que seus finalistas começaram a ser definidos por meio de enquete na internet, os concorrentes passaram a ser quem tem mais fãs. No entanto, há outra distorção na premiação, e que vem de tempos: nas categorias Melhor Apresentador e Melhor Apresentadora, só concorre quem tem programa de auditório.

Neste ano, Silvio Santos, Rodrigo Faro e Ratinho concorreram na categoria masculina. Já na categoria feminina, as concorrentes foram Eliana, Fátima Bernardes e Patrícia Abravanel. A estranheza já aparece com a presença de Patrícia Abravanel, que não tem um programa para chamar de seu desde 2016. Porém, como participa do Programa Silvio Santos, ela também foi enquadrada entre “apresentadores de auditório”.

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Por conta desta distinção, nomes que realmente marcaram 2018 ficaram de fora do prêmio. Marcos Mion foi aplaudidíssimo por público e crítica à frente de A Fazenda. Mas não foi lembrado nesta edição do Troféu Imprensa porque não é mais um animador de auditório, e sim um mestre de cerimônias de reality show. Tiago Leifert, que foi bem à frente do BBB do ano passado, também ficou de fora. Já entre as mulheres, Ana Maria Braga nunca concorreu pelo Mais Você. E não há dúvidas de que Ana está entre as mais importantes apresentadoras da TV brasileira.

Por isso, esta categoria tende a ficar cada vez mais complicada. Afinal, ela ainda se chama “Melhor Apresentador ou Animador”. Mas, com a atual tendência de formatos importados, os apresentadores têm se tornado mestres de cerimônias. Quase não há animadores à frente de programas que levam suas assinaturas. Até mesmo os animadores atuais, como Eliana e Luciano Huck, já apresentam programas cujo auditório é mera peça decorativa. São outros tempos, e o Troféu Imprensa ainda não percebeu isso.

Troféu Imprensa x Troféu Internet

Como premiação, o Troféu Imprensa não mais representa a realidade da TV brasileira. E isso não é de hoje. Desde que a atração começou a definir seus finalistas por votação pela internet, os concorrentes passaram a ser bastante questionáveis. Afinal, os três mais votados não são, necessariamente, os melhores, e sim quem tem mais fãs. Com isso, os membros do júri são obrigados a escolher um dentre três que não representam o ano que passou.

A categoria Melhor Novela representa bem tal distorção. Os três finalistas foram As Aventuras de Poliana, do SBT; O Outro Lado do Paraíso, da Globo; e Segundo Sol, da Globo. Poliana tem seus méritos, claro, mas está ali porque tem fãs ativos na votação on line. Com isso, tirou do páreo outra novela que merecia mais. E as outras duas restantes não agradaram à crítica. Assim, O Outro Lado do Paraíso ganhou não por ser a melhor, e sim por ser a “menos pior”, na opinião dos jornalistas votantes. Complicado.

Há anos o Troféu Imprensa ganhou um “irmão”, o Troféu Internet. Sendo assim, este segundo troféu já é um prêmio que consagra quem tem mais fãs votantes. Ou seja, não há motivos para que o Troféu Imprensa seja, também, um Troféu Internet. Do jeito que está, o Troféu Imprensa é “imprensa” apenas no nome. Uma pena.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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