Troféu Imprensa deixou de ser uma premiação: é apenas uma atração televisiva

Publicado há 4 anos
Por André Santana
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Lá nos tempos do “guaraná de rolha”, o Troféu Imprensa tinha alguma importância na televisão brasileira. Era um prêmio dado pelos profissionais da comunicação aos melhores do ano na televisão e na música. No entanto, mesmo que o prêmio resista aos anos, sempre comandado por Silvio Santos no SBT, sua relevância já não é a mesma faz um bom tempo. E, nos últimos anos, perdeu legitimidade e representatividade, tornando-se um mero espaço para que fãs consagrem seus ídolos, sem muito critério.

Num passado nem tão distante assim, Silvio Santos explicava aos espectadores que os finalistas do Troféu Imprensa eram definidos por meio de questionários, que eram distribuídos em diferentes setores, buscando formar um grupo que representasse diferentes camadas sociais, estatisticamente falando. Com isso, havia um maior equilíbrio na escolha dos finalistas, que depois eram passados ao júri do programa, formado por representantes da imprensa especializada, e o vencedor era definido. Raramente acontecia uma “zebra”, e os finalistas eram, sim, merecedores de estar entre os melhores.

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No entanto, de alguns anos para cá, os tais questionários foram abolidos. Os três finalistas do Troféu Imprensa são definidos por uma votação na internet. E foi justamente isso que aboliu a representatividade dos votantes. Afinal, as pessoas que votam pela internet formam um grupo social específico, que quase nunca representa, de fato, diferentes camadas da sociedade. E, ainda, tais votações se tornam alvos dos fãs, que votam insistentemente em seus ídolos. É isso que explica, por exemplo, nomes como o de Larissa Manoela entre as melhores atrizes. Sem desmerecer o trabalho da menina, que é realmente uma ótima atriz, mas está bem claro que a adolescente está entre as mais votadas na internet por possuir uma legião de fãs adolescentes, que mobilizam torcidas. O mesmo fato explica a ausência de Vera Holtz entre as finalistas, sem dúvidas um dos melhores trabalhos de 2016/17. Isso também explica a votação de melhor novela ficar entre Totalmente Demais, A Terra Prometida e Carinha de Anjo, sem dúvida três tramas com “fãs internautas” bastante participativos. Eta Mundo Bom!, fenômeno de audiência, não deveria, no mínimo, estar entre os finalistas?

Além disso, começa a ficar bastante exagerada a presença do SBT em tantos prêmios. A categoria de programa infantil, por exemplo, há tempos só existe para a emissora de Silvio Santos ganhar, já que é a única rede aberta que ainda produz no segmento. Patrícia Abravanel segue acumulando troféus, mesmo não sendo a melhor apresentadora da televisão brasileira. Aliás, é uma pena que a categoria “apresentador/apresentadora” ainda só contemple animadores de auditório, impedindo nomes como César Filho, Ana Maria Braga ou Angélica estarem no páreo.

Por essas e outras, como premiação o Troféu Imprensa não tem legitimidade. No entanto, a atração ainda funciona bem como show de televisão. É sempre divertido ver Silvio Santos interagindo com as celebridades que passam pelo seu palco para receber os prêmios dos anos anteriores, ou batendo papos meio “sem noção” com os jornalistas do júri. Neste ano, foi bastante emocionante acompanhar o reencontro entre Jô Soares e o dono do Baú. Mais um momento histórico!

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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