Temporada que quebra tabus, Malhação: Viva a Diferença ganha oportuna reprise

A temporada é um divisor de águas na história de Malhação

Publicado há 4 meses
Por André Santana
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Em tempos sombrios, quando a polarização ganha força até mesmo em período de pandemia, a reprise de Malhação: Viva a Diferença chega num momento oportuno. Afinal, a temporada assinada por Cao Hamburger não apenas se tornou um divisor de águas na história de Malhação, como tocou em temas que ainda encontram urgência nos dias de hoje. Sendo assim, revisitar a história das “five” é reforçar uma mensagem positiva e esperançosa.

Viva a Diferença chamou a atenção, inicialmente, por quebrar alguns paradigmas de Malhação. Pela primeira vez, a história se passava numa diversa São Paulo, e não num Rio de Janeiro de cartão postal. E, pela primeira vez também, a história estava centrada em cinco meninas, e não num casalzinho meloso. Ao invés de apostar numa trama em que uma vilãzinha faz armações absurdas para impedir um namoro, Viva a Diferença preferiu uma trama também folhetinesca, mas focada na celebração ao que é diverso.

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Para isso, a trama junta cinco meninas de universos completamente distintos: Bené (Daphne Bozaski), Keyla (Gabriela Medvedovski), Tina (Ana Hikari), Lica (Manoela Aliperti) e Ellen (Heslaine Vieira), talvez, não seriam amigas em condições “normais”. Mas elas se conhecem num momento tenso, quando Keyla entra em trabalho de parto num metrô parado. Isso as aproxima, amarrando seus universos e fazendo-as aprender umas com as outras. A sensação de “tribos” que se reúnem é reforçada pelo cenário, uma São Paulo vibrante, mas, ao mesmo tempo, cheia de contrastes.

Assuntos urgentes

Com esta proposta mais arrojada, Malhação: Viva a Diferença tocou em temas urgentes e bastante relevantes. Em seus 213 capítulos, a trama falou de gravidez na adolescência, amor livre, racismo, feminismo, desigualdade social, assédio, fake news, e tantos outros assuntos. E todos eles a serviço da trama, sem forçar a barra e nem parecer panfletário. Além disso, pela primeira vez, Malhação tem entre seus protagonistas uma menina com a condição do espectro autista, e outra bissexual.

Mesmo assim, Malhação: Viva a Diferença não perde o folhetim de vista. Para isso, a trama alça Malu (Daniela Galli) como grande vilã. Ela é má por ser má, sem maiores sutilezas, mas nem isso tira o brilho da temporada. Pelo contrário, já que Daniela Galli nada de braçadas no papel.

Em suma, muito do que Malhação: Viva a Diferença discute ainda está na ordem do dia. Por isso, é uma boa oportunidade revê-la. Escolha mais que acertada da Globo.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo. 

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