Próxima atração do Viva, Páginas da Vida dá início à fase “menos nobre” de Manoel Carlos

Excesso de personagens e trama enrolada marcaram a produção de 2006

Publicado em 13/10/2021 20:35
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O Viva confirmou a reapresentação de Páginas da Vida, trama de Manoel Carlos exibida pela Globo em 2006. Trata-se da primeira reprise da obra, que registrou índices satisfatórios de audiência na época, mas não se tornou uma unanimidade entre público e crítica. O folhetim representa o início de uma fase menos inspirada do famoso autor.

Em Páginas da Vida, a Helena da vez, vivida por Regina Duarte, é uma médica obstetra que se vê diante de uma situação extrema. Marta (Lilia Cabral) vê a filha Nanda (Fernanda Vasconcellos) morrer no parto no qual dá à luz os gêmeos Clara e Francisco; ela rejeita a neta, que nasce com Síndrome de Down, e fica com o neto. A menina, então, é adotada por Helena por “debaixo dos panos”.

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A novela tem suas qualidades, mas muitos problemas estruturais. Em Páginas da Vida, Manoel Carlos tentou repetir o formato bem-sucedido de Mulheres Apaixonadas (2003), com muitos núcleos que se revezavam no protagonismo da história.

Mas, desta vez, o excesso de personagens se revelou um problema. O autor não conseguiu desenvolver todas as histórias que se propôs, e Páginas da Vida acabou marcada por trazer grandes atores fazendo figuração de luxo, como Tato Gabus Mendes (Leandro), Louise Cardoso (Diana) e até Sonia Braga (Tônia), que aparecia em longas cenas praticando yoga numa varanda.

Além disso, a trama principal não empolgou. O grande conflito de Helena era guardar segredo sobre a origem de Clara (Joana Mocarzel) que, num determinado momento da história, terá sua guarda disputada por Léo (Thiago Rodrigues), o pai da criança, e Alex (Marcos Caruso), o avô.

No entanto, esta trama demora demais para ganhar corpo, e Helena passa vários capítulos procurando uma escola para a filha Clara. A intenção era boa: tratar de inclusão de crianças com Síndrome de Down na educação regular. Mas a trama, apesar de importante, não tinha musculatura para estar à frente da narrativa. Afinal, um merchandising social bem-feito é aquele que está à favor da história, e não o contrário.

Por fim, Páginas da Vida marca o início da parceria de Manoel Carlos com Jayme Monjardim, que imprimiu um ritmo mais lento e contemplativo à história. Novelas como Laços de Família (2000) e Mulheres Apaixonadas tinham Ricardo Waddington à frente, que vinha com uma proposta mais ágil e ritmando o texto mais cadenciado característico de Maneco. Assim, a assinatura de Monjardim, conhecido pelo ritmo mais plácido, contribuiu para aumentar a sensação de que nada acontecia na novela.

Depois disso, Manoel Carlos nunca mais foi o mesmo, e escreveu Viver a Vida (2009) e Em Família (2014), duas obras bastante inferiores se comparadas às de sua fase áurea. Mesmo assim, Páginas da Vida tem seus fãs, que poderão rever tramas que inegavelmente marcaram, como o casal formado por Viviane Pasmanter (Isabel) e Caco Ciocler (Renato), ou a rivalidade entre Sandra (Danielle Winits) e Carmem (Natália do Vale).

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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