Produção de 1993, Sonho Meu ousa com mocinha ardilosa

Cláudia, vivida por Patrícia França, engana o vilão para salvar a filha

Publicado em 17/8/2021
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Grande sucesso da Globo no horário das seis da década de 1990, Sonho Meu nunca havia sido reprisada até sua estreia recente no Viva. A trama de Marcílio Moraes, baseada em A Pequena Órfã e Ídolo de Pano, foi a escolhida para dar sequência à faixa de novelas das 12h40, que vem se dedicando a produções de apelo infanto-juvenil.

Sonho Meu tem mesmo cara de novela para crianças. Da abertura lúdica, na voz de Xuxa e José Augusto, às desventuras da doce Laleska (Carolina Pavaneli) e seu cãozinho Toffe, tudo remete ao universo infantil. Entretanto, a trajetória de Cláudia (Patrícia França), a protagonista do enredo, não parece assim tão pueril. Na verdade, ela se destaca justamente por destoar do arquétipo da mocinha inocente.

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Cláudia luta para reaver a guarda da filha Laleska, que vive num orfanato. A menina foi retirada da mãe pela tia, por conta da violência doméstica sofrida por Cláudia, que penou nas mãos de Geraldo (José de Abreu), o marido mau caráter. A jovem, então, foge do marido violento e faz o que pode para conseguir reaver Laleska.

E ela faz tudo mesmo! Ao contrário da mocinha clássica, sobretudo as vistas no horário das seis da Globo, Cláudia é esperta e arma para conseguir o que quer. Neste momento da reprise no Viva, ela é quem engana o vilão da obra, Jorge (Fábio Assunção). O playboy tem interesse na moça, e ela se aproveita desta situação para conseguir uma quantia em dinheiro que salvará Laleska de uma grave doença.

A mocinha enganar o vilão para conseguir dinheiro é uma subversão um tanto quanto ousada para os padrões tão conservadores de uma novela das seis. Cláudia se mostra calculista quando percebe que o interesse de Jorge pode fazê-la conseguir salvar a vida da filha.

Em contrapartida, Lucas (Leonardo Vieira), o verdadeiro interesse amoroso de Cláudia, é um fraco meio abestalhado. É um romântico pouco capaz de atitudes, preferindo chorar pelos cantos. Trata-se de mais uma subversão de Sonho Meu, que coloca a mocinha no controle da situação, enquanto o mocinho apenas aguarda. Outra ousadia para os padrões de 1993.

Claro, as atitudes de Cláudia são todas justificadas pelas situações-limite de sua vida. Ela teve uma vida sofrida, um casamento violento e uma filha que lhe foi tirada das mãos, e que, ainda por cima, sofre com grave doença. Agora, ela usa as armas que tem, sem pudores, para conseguir driblar tantos problemas. É uma heroína que vai à luta e enrola os vilões. Por isso mesmo, uma personagem muito interessante e rara, até mesmo para os dias de hoje.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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