Notorious B.I.G.: sucesso e tragédia do rapper

Documentário da Netflix conta trajetória do artista do Brooklyn, em Nova York, assassinado aos 24 anos na Califórnia

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O documentário Notorious B.I.G. – A Lenda do Hip Hop (Biggie: I Got a Story To Tell), que estreou este mês na Netflix, resgata a história mas não a romantiza, nem torna uma vítima do sistema o artista assassinado aos 24 anos de idade, em Los Angeles/EUA, um crime até hoje não esclarecido.

Nascido Christopher Wallace (1972-1997), ele chegou a utilizar o nome de Biggie Smalls, mas teve de abandonar a alcunha porque já havia outro artista com esse nome. Notorious B.I.G. tem sua história de vida, criminalidade e morte destrinchada pelo relato de amigos, produtores e família.

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Sua mãe nasceu na Jamaica e migrou para os EUA, onde era professora e engravidou de um homem que já era casado, tendo criado o filho sozinha. Christopher teve uma infância simples na periferia não turística de Nova York, no violento bairro do Brooklyn dos anos 1980 e 1990.

Notorious B.I.G. em cena do documentário (Reprodução/Netflix)

Os depoimentos da mãe e também da avó, no entanto, mostram que ele tinha apoio e carinho familiar, estudava na escola católica local e passava as férias da infância e adolescência na Jamaica.

A convivência com os ritmos e linguagens musicais que ele vivenciava no Caribe ao lado dos talentos da música negra do Brooklyn, como feras do jazz nas redondezas, dariam a Notorious todo um repertório que o fez se destacar naquele ambiente diverso.

Tanto na batalha de rimas do hip hop quanto no acompanhamento às suas batidas, ele se diferenciava. Numa das cenas, Notorious acompanha com seus versos a bateria de um dos papas da percussão, Max Roach (1924-2007), e o resultado é incrível.

As más companhias e a ambição de ter para si produtos caros explicam no documentário em parte o envolvimento com o tráfico. No começo dos anos 1990, começava a se popularizar o uso do crack e o bairro era um território fértil para o tráfico.

Ainda adolescente, o talentoso rapper trilhou esse caminho, cercado por amigos que queriam ter carrões e dinheiro. A mãe, Voletta Wallace, conta que por mais de uma vez expulsou o filho de casa.

Notoriuous B.I.G.: rapper e ostentação. foto: Reprodução/Netflix

Ele era um amante de relógios Rolex e dinheiro. Notorious mostrava que seguiria o caminho que lhe rendesse mais. Em um dos momentos quis levar drogas para vender em outras cidades, tempos depois já se gabava de estar fazendo quatro shows por semana, ganhando US$ 10 mil por cada um, o que era (e ainda é) um bom dinheiro!

O filme é dirigido por um cineasta especializado na cena musical, Emmett Malloy, e tem imagens de acervo, entrevistas com amigos assumidamente criminosos, e companheiros da jornada artística, com qualidade de velhas fitas de VHS. Mas tudo vale pelo registro, até mesmo uma recorrente explicação sobre a geografia do Brooklyn por meio de mapas de ruas e esquinas do bairro, na falta de um material audiovisual mais completo.

Os anos 1990 foram também um período tumultuado na esfera do hip hop. Em 1996, o grande astro da Costa Oeste, Tupac Shakur (1971-1996), foi assassinado em Las Vegas. Meses antes, ele tinha sobrevivido a um tiroteio quando estava em Nova York – na ocasião, houve acusações de envolvimento de Notorious B.I.G. nos atentados ao artista, com quem tivera contato anterior.

O filme traz depoimentos do produtor musical Sean Combs, o P Diddy (também conhecido como Puff Daddy e Puffy), que tinha uma gravadora e também assina a produção executiva do documentário. Notorious teve dois álbuns de enorme sucesso, Ready to Die e Life After Death (lançado após sua morte), que venderam um total de 30 milhões de cópias.

As letras não eram suaves, tratavam de assuntos pesados de bandidagem, tanto que nas rádios só podiam ser tocadas em horários noturnos.

Notorious B.I.G. não cantava a felicidade, morreu cedo, deixou mulher e dois filhos pequenos, mas é importante que sua história seja lembrada de forma direta. Sem lei, também não sobra muito lugar para poesia.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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