Produções da Netflix estão mais inclusivas

No entanto, ainda falta diversificar, com mais latinos e personagens LGBTQ nas telas

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Um estudo amplo sobre diversidade feito pela University of Southern California (USC) aponta que a Netflix atingiu índices de inclusão de gênero e raça compatíveis com a realidade em suas produções feitas nos Estados Unidos. Mas mostra onde ainda há falhas.

Falta ainda incluir, tanto nas telas como no trabalho por trás das câmeras, mais elenco principal e trabalhadores latinos, asiáticos e indígenas, além de maior número de personagens LGBTQ e pessoas com deficiência.

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O estudo faz o comparativo em relação à população total dos Estados Unidos, e pode servir como um indicativo de políticas e linhas a serem adotadas pela empresa nas suas próximas produções.

O serviço de streaming é o maior dos Estados Unidos e do mundo, e acaba de levar 12 prêmios no Globo de Ouro no último domingo (28), liderando a edição com as principais estatuetas.

O levantamento foi conduzido pelo Instituto Annenberg, ligado à USC, com o objetivo de medir como a empresa promovia a inclusão na tela e nos bastidores, com verificação do pessoal retratado nas obras como elenco, em divisão por gênero, raça/etnia, LGBTQ e deficiência.

A pesquisa também averiguou o pessoal que trabalha nas produções por trás das câmeras – ou seja, diretores, escritores, produtores. A amostra do estudo foi de 126 filmes e 180 séries lançados pela empresa de entretenimento ao longo dos anos de 2018 e 2019.

Gênero

De uma forma geral, o estudo concluiu que a Netflix reflete igualdade de gênero em funções-chave, o que é importante porque tem havido grande pressão para que as empresas de entretenimento incluam mais meninas e mulheres na tela, e também contratem mais profissionais diversificados para exercer funções de bastidores no cinema e na televisão.

Na tela, meninas e mulheres preencheram metade dos papéis principais do elenco em filmes e séries da Netflix de 2018 e 2019, o que reflete exatamente a metade da população dos Estados Unidos.

Nos bastidores, a empresa ampliou a porcentagem de mulheres cineastas e produtoras, bem como de criadoras e escritoras de séries. Assim, metade da força de trabalho da Netflix e sua liderança sênior são mulheres.

Quanto à totalidade de personagens, no entanto, meninas e mulheres ainda representam pouco mais de um terço de todos os personagens com falas no conteúdo da Netflix, deixando ainda uma lacuna entre ficção e realidade.

De acordo com o estudo, filmes com apenas diretores, escritores ou produtores homens são menos propensos a apresentar personagens com identidade feminina. 

O estudo sugere que, ao se ampliar o portfolio de cineastas e criativas do sexo feminino, pode-se aumentar ainda mais a prevalência de meninas e mulheres na tela.

Raça/etnia

No aspecto racial/étnico, o estudo considerou que a Netflix demonstrou crescimento significativo na diversificação. Na tela, houve uma maior participação de atores negros entre os personagens de destaque e com fala nos filmes e séries, atingindo representação proporcional à população negra/afrodescendente daquele país (que é de 13,4% da população).

Também por trás da câmera houve maior inclusão de talentos negros em posições criativas importantes. O percentual de funcionários negros na Netflix também aumentou nos últimos três anos.

Mas ainda há espaço para melhorias. A invisibilidade é uma grande preocupação no conteúdo para os artistas de origem hispânica e latina. Embora essa etnia represente 18,5% da população nos Estados Unidos, artistas dessa origem ocuparam menos de 5% dos papéis de destaque em filmes e séries.

E também há poucos representantes para o elenco com ascendência do Oriente Médio, Norte da África e também para os índios americanos e originários do Alasca.

Comunidades nativas do Havaí e das ilhas do Pacífico não apareceram em mais da metade das histórias em 2018 ou 2019. Isso tudo se estendeu ao emprego por trás das câmeras, havendo poucos contadores de histórias identificados com essas comunidades no conteúdo de entretenimento da Netflix.

LGBTQ e pessoas com deficiência

Já a representação da comunidade LGBTQ (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e queers) nos conteúdos ainda está abaixo da média dos EUA. Enquanto 12% da população daquele país se identificam como membros do LGBTQ, o conteúdo da Netflix ainda não se aproximou dessa marca em sua representação de elenco principal e de todos os personagens com falas.

Além da falta de personagens LGBTQ em geral, o conteúdo da Netflix também carece de inclusão interseccional nesta comunidade.

Por exemplo, personagens LGBTQ eram principalmente do sexo masculino, com representatividade predominantemente branca, com falta de mulheres e pessoas de cor retratadas como LGBTQ, além de serem na maioria jovens adultos, sendo poucas vezes mostrados como pais nas histórias.

Um padrão semelhante se desenrolou para personagens com deficiências: o conteúdo da Netflix não atingiu os 27,2% da população dos EUA que se identificam como portadores de alguma deficiência.

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