Com Tereza Cristina assassina, Fina Estampa assume de vez tom absurdo

Ao transformar Tereza Cristina em assassina, Aguinaldo Silva perde controle de sua trama

Publicado há 3 meses
Por André Santana
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A vilã Tereza Cristina (Christiane Torloni) carrega um segredo que ela protege a qualquer custo em Fina Estampa. Assim, quando ela se sentiu ameaçada por Marcela (Suzana Pires), tratou de encomendar a morte da jornalista. Mesmo tentando não sujar as mãos de sangue, a dondoca acaba tendo que, ela mesma, dar cabo da “inimiga”. Trata-se do segundo assassinato da vilã na novela de Aguinaldo Silva, mas é o primeiro premeditado. Ou seja, Tereza Cristina se torna, de fato, uma assassina.

A partir daí, Fina Estampa assume, de vez, um tom de farsa. Isso porque a trama vai carregando nas tintas cada vez mais. Como o jeito de comédia histriônica é aprovado pelo público, o autor vai tratando de elevar a dose cada vez mais. Com isso, Tereza Cristina assume uma persona maluca histérica extremamente exagerada. Em suma, se torna uma caricatura pobre e uma assassina com um estranho tom cômico.

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A elevação do tom de Tereza Cristina coincide com o aumento do absurdo na novela como um todo. Fina Estampa vai ficando tão forçada, que a história vai começando a perder o foco, baseando-se unicamente em situações episódicas sem muito nexo. Assim, ao mesmo tempo em que a rivalidade com Griselda (Lília Cabral) vai ficando mais intensa, seus planos para destruir a vizinha vão degringolando para o mais puro non sense, no pior sentido da palavra. Tanto que Tereza Cristina acaba colocando na cabeça que deve matar os filhos de Griselda, tramando os planos mais mirabolantes para fazer isso. Alguém se lembra que, para tentar matar Amália (Sophie Charlotte), a vilã trata de colocar uma cobra no carro da jovem? Pois é… brilhante, não?

Excesso de autorreferência

Ao mesmo tempo em que Tereza Cristina eleva o tom, aumentam as autorreferências de Aguinaldo Silva em seu texto. A vilã volta a empurrar seus desafetos escada abaixo, sempre agradecendo à Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) pela ideia. No entanto, ao invocar sempre a vilã de Senhora do Destino, Tereza Cristina vai ficando na sombra da antológica personagem. Com isso, ela perde força. Torna-se uma imitação pouco inspirada. O que é um desperdício, ainda mais se considerarmos a força da atuação de Christiane Torloni. A atriz merecia brilhar com uma vilã 100% original, e não como uma cópia mal ajambrada.

Uma pena, se considerarmos que, quando Fina Estampa começa, Tereza Cristina desponta como uma personagem menos caricata. Ela é uma perua e dondoca, sim, mas, em suas primeiras cenas, ela aparecia mais humana. Havia uma preocupação legítima com a família. E ela até chegou a demonstrar admiração por Griselda quando a conheceu. Ou seja, Tereza Cristina tinha mais camadas, que vão sendo abandonadas quando Fina Estampa eleva o tom fantasioso. A novela só fez degringolar a partir daí.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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