Com Salve-se Quem Puder, Daniel Ortiz mirou Carlos Lombardi, mas acertou Walcyr Carrasco

Autor declarou inspiração em obras de Silvio de Abreu e Carlos Lombardi para o mesmo horário

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O autor Daniel Ortiz definiu Salve-se Quem Puder, sua nova novela das sete na Globo, como um resgate às novelas das sete clássicas. Bebendo da fonte de nomes como Cassiano Gabus Mendes, Carlos Lombardi e Silvio de Abreu, de quem é discípulo, o novelista prometeu uma trama recheada de ação e comédia.

E entregou. No entanto, o primeiro capítulo da produção o aproxima mais de Walcyr Carrasco, novelista conhecido pelo excesso de didatismo, do que de suas demais “inspirações”.

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A estrutura de Salve-se Quem Puder lembra bastante o melhor de Carlos Lombardi. Sua premissa remete, de cara, a duas tramas do autor dos “descamisados”: Quatro por Quatro e Pé na Jaca. Da primeira, Salve-se Quem Puder tem as protagonistas mulheres, unidas por um acaso.

Já da segunda está o fato de que uma fazenda e tutores “caipiras” esperam por Luna (Juliana Paiva), Alexia (Deborah Secco) e Kyra (Vitória Strada) assim que elas estiverem no serviço de proteção à testemunha. Tal qual Arthur Fortuna (Murilo Benício), que perdeu tudo e foi parar na fazenda caindo aos pedaços de seu tio.

Entretanto, na execução da premissa, Ortiz está mais para Walcyr Carrasco. O primeiro capítulo de Salve-se Quem Puder foi desenhado para não haver dúvidas. Sobretudo na apresentação de Alexia e Kyra, duas heroínas puxadas para o humor, o tom “over” impregnou as cenas.

Assim, Alexia foi vista como uma “devoradora”. Já Kyra apareceu tão atrapalhada que passou do ponto. Apenas Luna teve uma apresentação menos carregada nas tintas. O que deixou claro que é ela a heroína romântica do enredo. Ou seja, Ortiz aposta no pastelão, mas deixa de lado a sofisticação no trato dos diálogos e situações que caracterizava os autores que lhe servem de inspiração.

Elenco e direção

Para aumentar o clima de pastelão, a direção de Fred Mayrink é totalmente inspirada no saudoso Jorge Fernando. Há uma evidência das gags, no intuito de não deixar dúvida ao espectador de que se trata de uma sequência de humor. O tom colorido e meio teatral também colabora para fazer de Salve-se Quem Puder um produto com a assinatura de Fernando. O que não é um demérito. A direção está em sintonia com o texto.

Porém, o grande acerto de Salve-se Quem Puder, que pode fazer a novela render, é seu elenco bem escalado. Deborah Secco, experiente, dá credibilidade a uma personagem que poderia cair no ridículo. Já Vitória Strada mostrou um surpreendente timing cômico. Ela dá graciosidade a Kyra. Enquanto isso, Juliana Paiva emplaca mais uma mocinha, tipo que lhe cai bem.

Se não tem um texto lá muito sofisticado, ao menos Salve-se Quem Puder oferece uma comédia simples e de fácil digestão, quase infantil. Com isso, Daniel Ortiz repete um estilo que funcionou bem em suas tramas anteriores, Alto Astral (2014) e Haja Coração (2016). É bem provável que funcione novamente.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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