Band inicia nova era, mas não pode descuidar do entretenimento

Publicado há 6 meses
Por Cadu Safner
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O movimento da Band diante das dificuldades encontradas em decorrência da crise econômica, e também da transformação da linguagem televisiva e os novos hábitos populares, tem sido louvável. Com isso, podemos definir o momento atual como um renascimento, já que, há exatamente um ano, a emissora de propriedade da família Saad passava por uma crise institucional como pouco se viu em mais de 80 anos de Grupo Bandeirantes.

O turbilhão enfrentado pela Band foi o inferno mais efervescente que uma rede brasileira deste porte enfrentou desde a crise da RedeTV! em 2015, sem dúvida. De cortes em massa a perda de identidade, passando por um forte embate familiar e administrativo, até a perda de seu medalhão e um dos maiores nomes do jornalismo do país, Ricardo Boechat.

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Para se ter uma ideia, a Band abriu 2019 dispensando cerca de 300 funcionários (números irreais, segundo a Comunicação da emissora à jornalista Cristina Padiglione, na época). Tal situação ocasionou uma verdadeira dança das cadeiras nos cargos executivos. O “troca-troca” foi visto com descontentamento por profissionais gabaritados das mais diversas áreas, que respondiam a esses nomes e, a certa altura, já não sabiam mais a quem obedecer.

Sede da Band em São Paulo (Reprodução: Band)

A tempestade está passando

Os ajustes operacionais e de reestruturação ainda ocorrem em 2020, porém, com muito mais cautela e responsabilidade. A Band recorreu a parcerias com produtoras para estancar maiores gastos e também numa tentativa estratégica de sobressair-se a crise industrial e ao recuo dos investidores. Aos cambaleios a Band foi atrás de Roberto Justus, um gigante da publicidade. Uma contratação forte e bem prestigiada pelo setor financeiro. Embora sua reestreia com O Aprendiz tenha ficado bem longe do esperado em números de audiência, Justus agregou valor ao casting e reverteu créditos ao cofre da emissora. Uma parceria que, melhor afinada, estará no ponto certo para conquistar a audiência na próxima temporada.

O jornalismo da Band, dispensa comentários, segue impecável. Um trabalho em conjunto com as demais redes do Grupo, entre rádios, impresso, TV a cabo e digital, a Band sempre faz bonito, mas isso é assunto para depois. O que parecia ser impossível mesmo, aconteceu em pouco tempo, a crise atingiu o Melhor da Tarde, que, desesperada se “vendeu” ao sensacionalismo barato e “porco” de um site de fofocas popularmente conhecido por propagar fake news. Resultado: a imprensa especializada se voltou contra o programa de Cátia Fonseca e passou a ignorar os fatos da atração. E, como é sabido, TV sem imprensa não existe.

Cátia Fonseca apresenta o Melhor da Tarde (Divulgação: Band)

O impacto da rejeição bateu a porta do programa, que, com a credibilidade em jogo, recomeçar do zero foi a saída. O Melhor da Tarde tirou longas férias e voltou reestruturado com dois bons profissionais para ocupar a vagada fofoca. Rodrigo Riccó, diretor da atração, tirou da RedeTV! dois nomes de prestígio no mercado: Rafael Pessina (Ex-TV Fama) e Cíntia Lima (Ex-A Tarde É Sua/Sonia Abrão). “A gente pensava, poxa! para falar de artistas e, mais que isso, tem que ser uma pessoa que não só o publico goste, mas que os artistas gostem também. E você [Rafael Pessina] é fantástico das duas formas. Vai ser perfeito, será ótimo pra gente. Na hora certa as peças vão chegando e se encaixando“, disse a apresentadora sobre o novo colega de trabalho. Em 2020 o Melhor da Tarde completou dois anos de Band.

MasterChef – Exaustão

Sem dar descanso ao MasterChef, a emissora tentou emplacar a DÉCIMA temporada e, não bastando, fez questão de tirar o reality de culinária do seu horário habitual e transferi-lo para a guerra dos domingos. Não deu outra, a concorrência foi quem lambeu o beiço e assistiu de camarote a fuga do público. A perda foi de quase 1 MILHÃO de telespectadores. Sem querer dar um respiro, estrearam uma “renovação” do formato, subintitulado de Segunda Chance. Mas o desgaste da formula deu às caras e nem mesmo ex-participantes foram o suficiente para garantir audiência. Embora sua popularidade e engajamento na web, o MasterChef é um produto que precisa urgentemente sair de cena, mas não será fácil convencer o financeiro do canal.

Dramaturgia

Novela Minha Vida é exibida na Band (Divulgação)

E foi numa dessas que, cansada de errar pouco, inesperadamente interromperam a exibição da novela turca Minha Vida (O Hayat Benim), que estava em sua segunda temporada, para a transmissão de Ouro Verde, novela portuguesa com atores brasileiros e vencedora do Emmy em 2018. A atitude amadora resultou na revolta do público que acompanhava a história. A Band exibia títulos da Turquia há mais de cinco anos, em um horário com números bem consolidados.

Ouro Verde foi um tiro que saiu pela culatra e chegará ao fim em meados de julho sem o alarde das produções anteriores. Aliás, se tratando de repercussão, o quê explica os 15 anos de Floribella (2005) sem a tão aclamada reprise? Será que os direitos de exibição foram expirados? Floribella foi uma parceria da emissora com a Cris Morena Group e RGB Entertainment. Em contato com a Band, não recebemos uma resposta até o horário desta publicação. Assim que feita, atualizaremos as informações. Ainda sobre Ouro Verde, a reportagem apurou que a decisão pela novela partiu diretamente do interesse de Johnny Saad.

Mesmo com um acervo de poucas produções em qualidade suficiente de transmissão, a emissora peca pela desvalorização de sua própria história neste campo. É inadmissível a vista grossa para Meu Pé de Laranja Lima de 1998, Os Imigrantes, Serras Azuis, também de 1998, Dance Dance Dance (2007), Paixões Proibidas (2006), Água na Boca (2008) e outras.

As glórias

Silvia Poppovic e Luís Ernesto Lacombe apresentam o Aqui na Band (Foto: Kelly Fuzaro/Band)

Quando tudo parecia perdido, a Band apostou em Silvia Poppovic e Luís Ernesto Lacombe no Aqui na Band, revista eletrônica matinal dirigida pelo experiente Vildomar Batista. Dinâmico e sofisticado, a atração está na medida certa. Bem entrosados, os apresentadores se mostram confortáveis no formato e empolgados com as pautas. O jornalismo está bem presente na atração e não deixa que ele caia na mesmice dos demais programas do gênero.

O Aqui na Band trouxe visibilidade para as manhãs e resgatou a tradição da emissora também com o público feminino. Não precisa mais que isso, o público quer mesmo é o feijão com arroz bem feito, mas, para isso é preciso fidelizá-lo, ganhar sua confiança. O programa tem potencial para peitar a concorrência e ter a devida repercussão, mas é preciso dar tempo ao tempo e deixar que as pessoas explorem o produto da maneira que elas quiserem. O Aqui na Band completará seu primeiro ano em maio, sendo o melhor acerto da emissora fora do jornalismo.

Vamos falar de jornalismo?

João Paulo Vergueiro é apresentador do 1º Jornal (Divulgação: Band)

Entre todos os produtos citados acima, nenhum é tão a cara da Band quanto os telejornais. Está no DNA da emissora e isso já virou uma marca. Fincada na credibilidade editorial, a emissora não esperou o tempo passar e durante a crise, ousou e lançou o Band Notícias, Bora SP e o #Informei. Três jornais em horários estratégicos, com olhar para a necessidade do telespectador, planejado a base de muita pesquisa e dedicação de profissionais. Um acerto!

A chegada da CNN Brasil também fez a Band se mexer. Após perder bons profissionais de cargos executivos para o novo canal de noticias, ela teve que se reinventar a procurar novos valores dentro de seu próprio departamento. E assim se fez. A Band ainda conta com o apoio da Chine Mídia Group, CCTV da China, NHK NewsLine, e a gigante Grupo The New York Times que firmou a única parceria em TV na América do Sul. O jornalismo da Band tem começado às 3h45 da manhã e vai até às 20h30 com muita informação.

Do 1º Jornal ao Jornal da Band, nada fica distante do que as maiores TV’s do mundo produzem. Jornalismo ao vivo é o futuro da televisão em rede aberta e a Band faz muito bem. A evolução da linguagem televisiva, como já falamos, exige muito mais dos profissionais veteranos, mas a Band sabe reestruturá-los. E o Esporte inclui-se neste pacote.

Lançar nomes ao mercado também é tradição. O que é preciso, a partir de agora, é olhar com mais carinho para quem assiste o jornalismo do canal e quer continuar assistindo outras produtos da casa, mas não encontram. O telespectador não tem paciência para grade voadora, para novelas que começam mas não terminam, tampouco para exaustivas temporadas do MasterChef. É preciso mais atenção com este setor, mais que jornalismo, o entretenimento tem passagem livre na casa das pessoas e pode ser o mais simples das produções, desde que respeite o hábito de seu receptor.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo. 

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