A Vida da Gente mostra que conversas rendem boas histórias

Lícia Manzo foi sagaz ao criar uma trama intrincada e baseada em diálogos

Publicado em 6/8/2021
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“A gente precisa conversar” foi uma das frases mais ouvidas ao longo de A Vida da Gente, novela das seis da Globo que termina nesta semana. A trama, exibida originalmente entre 2011 e 2012, revelou Lícia Manzo, que assinará a próxima novela das nove da emissora, Um Lugar ao Sol, e mostrou que uma boa conversa rende histórias muito interessantes.

Claro, A Vida da Gente não foi só conversa. A trama foi toda baseada em relações humanas, tendo como elemento em comum as novas configurações familiares. Ana (Fernanda Vasconcellos), Manu (Marjorie Estiano) e Rodrigo (Rafael Cardoso) são irmãos de criação que se veem num triângulo amoroso; Alice (Sthefany Brito) viu a mãe adotiva se envolver com o pai biológico; Lourenço (Leonardo Medeiros) foi doador de sêmen para gerar o filho do irmão, Jonas (Paulo Betti), mas acabou entrando na justiça pela guarda da criança; Dora (Malu Galli) e Marcos (Angelo Antonio) formam uma grande família com uma “bagagem” de relações anteriores; enfim.

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Além disso, a trama principal, na qual Ana passa anos em coma e, quando acorda, encontra um mundo ao qual não pertence mais, gera conflitos sentimentais (e até éticos) muito intrincados. Quando Ana vê Manu ocupando um lugar que ela acreditava ser seu, como fica o amor fraternal? Trata-se de uma discussão sem “lados”: Ana e Manu se veem como rivais, mas foram, as duas, vítimas de um revés.

Todo este drama deu espaço para profundas discussões de relação. Com isso, o desenrolar dos acontecimentos do folhetim se deu diante de muita conversa. Todos os personagens tinham confidentes e, por meio das confidências, traduziam ao público seus próprios sentimentos. As cenas da novela são quase grandes terapias, no melhor sentido da palavra.

Com isso, por meio de diálogos muito bem escritos, Lícia Manzo conseguiu estabelecer uma conexão direta com a audiência. O envolvimento do público com A Vida da Gente acontece quando há a identificação do espectador diante das situações. E é por isso que o público acabou se vendo dividido entre Ana e Manu de maneira tão “apaixonada”: quem assiste se coloca diante daquela situação, e sua reação se dará a partir de seu próprio repertório de vida.

Irmãs

A Vida da Gente levou o relacionamento entre irmãs a lugar muito complexo. O ápice da trama, que é quando Manu flagra Ana e Rodrigo se beijando e todas as consequências deste ato, causou mágoas muito profundas e de difícil resolução. Ambas saíram feridas nesta situação, o que criou uma armadilha para a própria autora: como resolver um conflito deste tamanho sem parecer forçado?

A doença de Júlia (Jesuela Moro) foi a solução encontrada para promover a paz entre as protagonistas. No entanto, a autora poderia ter ido ainda mais longe, afinal, não se tratava de uma ferida fácil de fechar. Talvez a melhor das soluções teria sido Ana e Manu terem preferido uma à outra, e as duas se afastassem de Rodrigo. Mas, claro, se a autora optasse por isso, compraria uma briga com boa parte da audiência. Porém, seria um final mais coerente diante de tantos empecilhos. Nenhuma das duas merece alguém tão fraco e indeciso como Rodrigo, vamos combinar?

No entanto, pelo conjunto da obra, A Vida da Gente cumpriu sua missão com louvor. Apresentou um drama humano da melhor qualidade, contou com um elenco em estado de graça e, ainda usufruiu da assinatura de Jayme Monjardim, diretor capaz de transformar cada take numa paisagem de encher os olhos. Valeu a pena revisitar esta novela tão terna.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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