A Força do Querer marca reinvenção de Gloria Perez

Trama enxuta e três protagonistas são algumas das novidades

Publicado há um mês
Por André Santana
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Sucesso de 2017, A Força do Querer ganha uma edição especial no horário nobre da Globo. A novela de Gloria Perez, em sua época, manteve o público ligado numa história que carrega o DNA de sua autora, com muitas viradas folhetinescas e merchandising sociais bem realizados. Mas apresenta um ar mais moderno, mostrando que a novelista buscou uma reinvenção neste trabalho.

Adepta das heroínas fortes e apaixonadas, como Jade, de O Clone (2001), ou Dara, de Explode Coração (1995), desta vez Gloria apostou em três figuras femininas. Ritinha (Isis Valverde), Jeiza (Paolla Oliveira) e Bibi (Juliana Paes) dividem o protagonismo da novela, revezando-se no plano principal do enredo ao longo de toda a obra.

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Esta mudança de eixo narrativo permitiu que A Força do Querer não fosse baseada, unicamente, num romance arrebatador. A novela conta histórias de amor, claro, mas ela dá mais espaço aos perfis femininos e seus diferentes desejos. Com isso, o folhetim ganha novas cores.

Além disso, A Força do Querer conta com poucos personagens, todos muito bem amarrados. Conforme vai aproximando suas heroínas (Bibi e Ritinha tornam-se amigas, enquanto Jeiza rivaliza com as duas em vários momentos), todos os núcleos da obra vão se entrelaçando de uma maneira harmônica e eficiente.

Efeito Salve Jorge

A Força do Querer parece uma correção de rota na carreira de Gloria Perez. Em sua trama anterior, Salve Jorge (2012), a autora não teve um resultado feliz ao insistir em velhos vícios, que foram ficando cada vez mais antiquados. O excesso de personagens divididos em núcleos pouco produtivos prejudicaram o andamento da narrativa.

Por exemplo: em Salve Jorge, Leonor Flores Galvão (Nicette Bruno) era a matriarca de uma família rica, que vivia numa suntuosa mansão. Vários personagens da trama viviam naquela casa. No entanto, com o excesso de personagens da novela, muitos deles passavam capítulos sem dar as caras.

Neste contexto, Carlos (Dalton Vigh) e Caíque (Duda Nagle) ficaram capítulos e capítulos sem aparecer. Quando já estavam praticamente esquecidos, ressurgiram como se nada tivesse acontecido. Ou seja, a mansão dos Flores Galvão era tão grande que os personagens simplesmente não se encontravam lá dentro.

Já em A Força do Querer, não há famílias de milionários habitando mansões. Há ricos, claro, mas eles vivem em luxuosos apartamentos, que dão um ar mais realista à história. Os personagens não desaparecem, pelo contrário: eles têm a presença potencializada em razão do número reduzido de tipos. Há alguns personagens que acabam não cumprindo grandes funções, como Dantas (Edson Celulari), mas nada que se compare ao visto em Salve Jorge.

Essência mantida

Mesmo trazendo novidades ao seu estilo, Gloria Perez se manteve fiel a várias de suas características como autora. Uma das “inventoras” do merchandising social, a novelista toca em assuntos pertinentes em A Força do Querer, como o vício em jogo de Silvana (Lilia Cabral).

Além disso, a novela se propõe a desmistificar a transexualidade, por meio da trajetória de Ivana (Carol Duarte) que se descobre Ivan ao longo da obra. Na época de sua exibição original, a personagem foi bem-aceita e compreendida pelo público. Será interessante acompanhar se a onda conservadora atual trará mudanças na aceitabilidade de Ivana/Ivan.

Em suma, com A Força do Querer, Gloria Perez um novelão típico de sua galeria, mas imprime um ar moderno que funciona muito bem. Por isso, o título é uma boa escolha para uma edição especial.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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