Documentário

Como a atriz Ludmila Dayer salvou Anitta de doença: “No pior momento, ela foi uma bênção”

Ex-promessa da Globo estreia como cineasta no filme EU, em que revela luta contra o pânico e a esclerose múltipla

Publicado em 04/12/2022

Anitta terminou de assistir ao documentário EU, no último sábado (3), em São Paulo, aos prantos. A cantora, que testemunhou a luta da amiga, Ludmila Dayer, contra o pânico, viu a sessão de cinema exclusiva para convidados se transformar em sessão de terapia. Ex-promessa da Globo, a atriz de novelas como Malhação e Senhora do Destino estreia como cineasta com um filme sobre sua busca pelo equilíbrio físico, mental e emocional. Hoje, ela se sente curada.

Da medicina convencional aos tratamentos alternativos, Ludmila Dayer narra sua jornada pelo autoconhecimento iniciada após crises de ansiedade e pânico e intensificada quando recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla. A atriz, que mora nos Estados Unidos desde 2006 e tem uma produtora audiovisual em Los Angeles (Lupi Productions), resolveu compartilhar suas experiências com pessoas próximas. Ao encontrar Anitta, observou que ela precisava de ajuda. Foi assim que a cantora descobriu que estava com o vírus Epstein-Barr, causador da mesma doença da amiga.

“Eu sou amiga da Anitta há muitos anos, mas nossos encontros são em Los Angeles. É com a Anira (risos). Sempre falo para ela: ‘Consigo ver sua criança interior’, isso desde quando a conheci. Eu via a menina, o brilho, aquela coisa cheia de vida, espoleta. De cara eu me encantei, a gente se conectou. Quando acessei a Larissa… a Anitta, eu já estava preparada para dividir com ela um pouco do que eu estava vivendo, porque eu já conseguia inclusive explicar a história melhor, já tinha decodificado o processo na minha cabeça. Não à toa que só de olhar para ela identifiquei que alguma coisa estava acontecendo e que ela precisava de mim. Eu acredito no poder da troca. Nós, como seres humanos, crescemos um com o outro. Crescemos dividindo nossas experiências, nossa dor. Na hora, olhei e falei assim: ‘Vamos conversar'”, disse Ludmila em resposta à coluna.

“Um pouquinho mais de dois meses atrás aconteceu a situação mais difícil da minha vida inteira. Um dia antes de saber que eu estava prestes a passar pelo momento mais difícil da minha vida, eu cruzei com a Ludmila, que já era minha amiga havia anos, mas por coincidência ela falou que ia me visitar. Hoje eu não acredito mais em coincidência. Ela começou a me falar de tudo o que aconteceu com ela, que ela foi diagnosticada com esclerose múltipla, e logo no dia seguinte tive uma notícia terrível e grudei nela. Ela me ajudou de uma maneira que se hoje estou aqui com vocês, falando, caminhando, respirando, vivendo, é por causa do quanto ela me ajudou”, agradeceu a “girl from Rio”, relatando parte do que viveu nos últimos dois meses.

“Quando a gente começou todo esse contato e saíram os resultados [dos exames], eu estava com o mesmo vírus da Ludmila, em fase inicial. Não consegui nem chegar ao estágio que a Ludmila chegou. Ela foi uma bênção na minha vida e só alegria. A gente passou por uma fase em que, como ela, eu não conseguia ir para o segundo andar da minha casa. Sou outra pessoa e minha equipe não está entendendo nada. Meus amigos também não. Alguns estão me chamando de Buda, gente (risos)”

Anitta
Ludmila Dayer e Anita posam ao lado do cartaz do documentário EU
Ludmila Dayer e Anita posam ao lado do cartaz do documentário EU

Ludmila Dayer: “O filme foi minha cura”

Depois de conscientizar amigos e familiares, Ludmila tomou a atitude corajosa de contar ao público sua história com a saúde mental e decidiu produzir um documentário. Narrou em primeira pessoa, convidou a amiga Fernanda Souza para interpretá-la e, mesmo com noções básicas de cinema (aprendeu muitas técnicas no YouTube), dirigiu a fotografia para se aproximar do que havia sonhado e chamou o editor Thales Corrêa para auxiliá-la na finalização. Entretanto, a atriz e cineasta precisou se ausentar durante seis meses para cuidar dos sintomas de esclerose múltipla. Ao retornar, concluiu o material sozinha e deixou o filme com teor ainda mais autobiográfico.

“Não conseguia nem lembrar o que tinha acabado de editar, foi bem forte. Fui me tratar e, quando fiquei bem e voltei, falei: ‘Thales, esse filme agora vai ter um outro lugar para mim, vai ser muito mais pessoal. Agora, inclusive, vou ter que editar sozinha’, porque essa segunda parte eu fui criando enquanto estava editando, é como se o filme estivesse sendo criado na pós-produção. O texto, tudo que escrevi e a narração foram feitos na segunda parte. O filme acabou quando eu estava me sentindo praticamente 100% bem. Não acho coincidência nem que foi planejado, mas realmente o filme foi o meu processo de cura”, analisou.

O filme EU recebeu avaliações positivas de convidados renomados, como os cineastas Daniel Rezende (Cidade de Deus, Bingo e Turma da Mônica) e Laís Bodanzky (Bicho de Sete Cabeças, Como Nossos Pais). Nelson Sato, CEO da Sato Company e membro do júri do Emmy Internacional, se dispôs a distribuir os próximos trabalhos de Ludmila Dayer como diretora. A segunda parte do documentário, contando a relação entre Ludmila e Anitta, está em fase de desenvolvimento.

“Gostaria, primeiro, de parabenizar, e é muito importante falar isso, a coragem e a qualidade. Também queria falar para a Anitta: seja bem-vinda ao audiovisual. Eu tinha que ver esse filme hoje. Se eu contar para vocês o sonho que eu tive essa semana, o tsunami, o tamanho da onda que sonhei, e foi no dia em que eu me dei alta da minha terapia! Esse filme é muito importante e tem que ser visto por muita gente. Ele é atemporal, não tem que ser visto correndo amanhã, é um filme que veio para ficar, um filme consulta. Hoje é só o comecinho de uma grande e histórica caminhada que esse filme vai fazer, pela importância que ele tem”, afirmou Laís Bodanzky.

“É muito lindo ver você colocando em prática tudo aquilo que aprendeu e transformando em arte, então parabéns. É importante a gente frisar que esse filme não é só para as pessoas que têm uma condição, como no seu caso, diagnosticada. Ele é para todos os 8 bilhões de seres humanos hoje no planeta. Não há saída a não ser o autoconhecimento. O que mais me chamou a atenção no filme, que é muito lindo, é você ter colocado vários pontos de vista. Você coloca um neurocientista, uma consteladora, uma xamã, e isso eu achei muito importante porque às vezes a gente acaba trocando uma crença por outra que nos parece levar a um autoconhecimento. E a Anitta é muito gênia, já quer a parte 2!”, elogiou Daniel Rezende.

Siga o colunista no Twitter e no Instagram.