Análise: Rejeitado no passado, “padrão SBT” é adotado no cinema e até na Globo

Emissora, que faz aniversário nesta quinta (19), espalhou sua história e seus programas na TV, no streaming e no cinema

Publicado em 19/8/2021
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Aniversariante desta quinta-feira (19), o SBT pode se considerar “vingado” após décadas sendo tachado pela crítica e pela imprensa como uma emissora “brega”. Atualmente, é cada vez mais comum ver, em outros canais, atrações com a cara da rede de Silvio Santos. Parece que o jogo virou, e o elogiado “padrão Globo de qualidade” está mais próximo do que nunca do outrora rejeitado “padrão SBT”.

Formatos já apresentados por Silvio Santos, como Show do Milhão e Family Feud, ganharam versões na Globo sob o comando de Luciano Huck. A partir de setembro, Quem Quer Ser um Milionário? irá para o Domingão, enquanto Tem ou Não Tem (nome muito mais SBT do que Family Feud) permanecerá no Caldeirão, desta vez com Marcos Mion e famílias famosas. Outra marca do SBT, as novelas mexicanas foram anunciadas com pompa pelo Globoplay, serviço de streaming da Globo.

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Até atrações que nunca passaram no “canal 4 de São Paulo” receberam tal comparação. O recém-estreado The Masked Singer Brasil, elogiado por esta coluna como o “programa mais SBT da história da Globo”, reúne o que o canal de Silvio Santos ofereceu de melhor ao público nas últimas quatro décadas: um entretenimento despretensioso, para assistir jogado no sofá. Quer algo mais SBT do que chamar celebridades para pagarem mico disfarçadas em fantasias esdrúxulas? A Globo fez.

Ivete Sangalo e Sidney Magal no The Masked Singer Brasil (Divulgação/TV Globo)

A “SBTização” da Globo também pôde ser notada na série Hebe, protagonizada por Andrea Beltrão e exibida na TV em 2020. A líder de audiência praticamente “construiu” um SBT em seus estúdios para dramatizar momentos icônicos da apresentadora na rede vizinha, que já inspirou outras produções para o cinema e o streaming. O filme Bingo: O Rei das Manhãs retratou o vício de Arlindo Barreto quando interpretou o palhaço Bozo. A plataforma Star+, da Disney, terminará em breve as gravações de O Rei da TV, série sobre Silvio Santos.

Homenagear o SBT, ainda mais na Globo, seria algo impensável décadas atrás. O canal costumava ser visto pela concorrência, pelo público mais qualificado e pela imprensa como sinônimo de TV “cafona”, “malfeita” e com programas que beiram o mau gosto. Críticas que refletem um pensamento preconceituoso, classista, de uma suposta elite que abomina quem sabe se comunicar com o pobre. Silvio Santos, em contrapartida, sempre se orgulhou do “espírito camelô” que imprimiu à sua emissora, até hoje dependente de seu criador.

Nos anos 70, a Globo tirou Silvio Santos de sua programação para implantar seu “padrão de qualidade”. Na década de 1990, Jornal Nacional produziu somente para sua equipe uma edição sensacionalista, ao estilo Aqui Agora, como exemplo do que não fazer. A baixaria do SBT também foi ridicularizada no Casseta & Planeta em uma época em que citar a “rival” era terminantemente proibido, na histórica sátira a Ratinho (o Programa do Elefantinho).

Hoje, o ridicularizado é reverenciado. Quem cresceu assistindo a Bozo, Show de Calouros, Banheira do Gugu, Chaves e novelas mexicanas (atrações que seriam reprovadas no “padrão Globo de qualidade”) é quem cria conteúdos para a TV e o cinema. Em seus 40 anos, o “padrão SBT” é o maior legado que a emissora deixa para o audiovisual.

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