Mais do que você gosta.
Assine o Star+
Publicidade
Não foi possível carregar anúncio
Publicidade
Não foi possível carregar anúncio
Flora e Donatela

A reprise de A Favorita no Vale a Pena Ver de Novo veio em hora errada?

A exemplo da exibição original, novela enfrenta alguma resistência do público atualmente

Publicado em 19/07/2022
Publicidade
Não foi possível carregar anúncio

No ar desde o dia 16 de maio, a reprise da novela A Favorita no Vale a Pena Ver de Novo foi bastante saudada por uma parcela da “bolha noveleira”, que ansiava por um resgate da história na TV aberta – ela já constava do catálogo do Globoplay desde maio de 2020. Mas isso ocorreu numa boa hora?

Exibida originalmente entre junho de 2008 e janeiro de 2009, A Favorita enfrentou alguns problemas de recepção na ocasião. Era o trabalho de estreia do autor João Emanuel Carneiro na faixa das 21h da TV Globo, e sua proposta de não deixar claro de cara quem era a vilã e quem era a mocinha do enredo causou algum estranhamento.

Continua depois da publicidade
Não foi possível carregar anúncio

Durante os primeiros dois meses de novela, João Emanuel levou o espectador a pensar que Flora (Patrícia Pillar) era inocente e pagou por quase 20 anos por um crime cometido por Donatela (Cláudia Raia): o assassinato de Marcelo (Flávio Tolezani), amante da primeira e marido da segunda.

Pais do rapaz, Gonçalo (Mauro Mendonça) e Irene (Glória Menezes) também se dividiram na questão. O empresário sempre acreditou na inocência de Donatela, enquanto Irene se deixou levar pela ideia de que Flora não matou seu filho, e jamais gostou da nora, que se casou de novo, com Dodi (Murilo Benício), um amigo desde a juventude, e criou Lara (Mariana Ximenes), filha de Marcelo e Flora.

Temerosa da aproximação de Flora dela e de sua família, depois de cumprir a pena e deixar a cadeia, Donatela tramou para que a antiga parceira de carreira na música sertaneja, com a dupla Faísca & Espoleta, ficasse afastada e se prejudicasse. Também foi capaz de coisas como pagar Maria do Céu (Deborah Secco) para separar Lara do namorado pobre, Cassiano (Thiago Rodrigues), por exemplo.

De sua parte, Flora se faz de vítima para todos, na esperança de levar as pessoas a acreditarem em sua inocência. Ela conta com a ajuda de Irene para se aproximar de Lara, a filha que não viu crescer, com o nome falso de Sandra. Mas revela-se a assassina não apenas de Marcelo como também do médico Salvatore (Walmor Chagas), testemunha de acusação.

Exibida depois do almoço, por volta das 15h, a reprise de O Cravo e a Rosa (2000/01), que não integra o Vale a Pena Ver de Novo, tem registrado índices semelhantes aos de A Favorita, cartaz da sessão oficial de reprises e levada ao ar no fim da tarde, quando há mais televisores ligados e potencialmente mais espectadores potenciais. Ou seja, A Favorita tem sofrido mais com a concorrência em sua faixa horária.

Não quero colocar aqui em xeque as qualidades de A Favorita, novela da qual inclusive gosto bastante. A pergunta do título se deve justamente a esses números de audiência que talvez estejam aquém do que a produção merece e do que o Vale a Pena Ver de Novo pode obter, concorrendo essencialmente com dois jornalísticos (Cidade Alerta, da Record TV, e Brasil Urgente, da Band) e dramaturgia mexicana (as novelas Cuidado Com o Anjo e A Desalmada, do SBT).

A liderança segue sendo da TV Globo, mas com menos folga do que se está acostumado a ver, digamos assim. Pelo seu teor “pesado”, com um enredo bastante elaborado em torno do embate de Flora e Donatela, que inclusive praticamente deixa de lado as tramas paralelas, A Favorita talvez caísse melhor – e fosse melhor – durante o período de maiores restrições da pandemia de covid-19, quando foram reprisadas diversas novelas. Às 21h, a saber, Fina Estampa (2011/12), A Força do Querer (2017) e Império (2014/15).

Não dá para sabermos se uma reprise poderia ir melhor, pior ou ficaria na mesma se ocorresse em outro horário ou época. Sempre depende não apenas da novela em si, mas daquilo com o que ela concorra, das outras novelas no ar na época, entre outros fatores.

Se por um lado o ibope de A Favorita não passa dos 15 pontos, por outro a liderança é assegurada e os números são bastante constantes, o que mostra que a história tem prendido novamente quem a acompanha, pela primeira vez ou não.

A confiança da TV Globo na reapresentação também parece ser grande, já que A Favorita foi escolhida para estar no ar num período que engloba eleições e Copa do Mundo, ou seja, pouco propício à estreia de outra novela. Com cerca de 58 capítulos originais (de um total de 197) exibidos em 46 de reprise, a novela ainda tem bastante chão pela frente.

A reprise de A Favorita vem, sim, em boa hora, e talvez não tenha sido promovida antes em razão de dificuldades enfrentadas para a reclassificação de obras originalmente contraindicadas para menores de 10 anos. Apesar dos problemas de audiência das primeiras semanas em 2008, a novela se recuperou quando deixou claras as regras do jogo para os noveleiros ainda reticentes e foi bem no geral.

Com bom texto, bom elenco, boa direção e enredo eletrizante – em que pesem os problemas das tramas paralelas que não empolgam -, fossem outros tempos e quem sabe essa reapresentação tivesse acontecido em menos de 14 anos…

As informações e opiniões expressas nesta crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

Publicidade
Não foi possível carregar anúncio

Deixe o seu comentário

Em Alta

Carregando...

Erro ao carregar conteúdo.

Publicidade
Não foi possível carregar anúncio
Publicidade
Posting....