No primeiro debate com candidatos a prefeito de São Paulo, foi difícil saber “qual é o destaque”

Candidatos perdem tempo com acusações e provocações ao invés de expor planos para as cidades

Publicado há um mês
Por Christiano Blota
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A Band inaugurou os primeiros debates aos candidatos às prefeituras pelo Brasil. A iniciativa foi louvável, e este colunista acompanhou o trabalho de bons e competentes jornalistas.

A discussão procura ser democrática, oferecendo tempo para que os aspirantes ao cargo possam se expressar. Cada candidato teve igual oportunidade de perguntar e responder questões importantes das cidades, ou quase isso.

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Mas o problema é que, depois que o debate acaba, a democracia perde espaço com a repercussão do tema. Por quê? Quando termina a discussão entra um jornal, com falas editadas de candidatos Brasil afora.

O risco de beneficiar alguém é grande, mesmo que não seja a intenção. Repercutir o tema ajuda mais a emissora do que a democracia – e a Band prega o oposto. É preciso cuidado e zelo com detalhes que podem estragar discussões políticas importantes para as cidades do Brasil.

Quando se edita o depoimento de um (a) candidato (a), o princípio da imparcialidade pode ser comprometido. No confuso mundo da edição (ainda mais quando há pressa), alguns aspirantes a prefeito podem parecer mais preparados do que outros, contrariando o que vimos ao vivo.

Quando o âncora dos outros jornais da casa pergunta ao repórter ao final do debate “Qual o destaque?”, a democracia construída com zelo, para a discussão ao vivo, fica comprometida. Se o repórter vai comentar os melhores momentos, em algumas cidades, a questão igualitária fica complicada.

Primeiro porque não se falou de todas as cidades do Brasil – democracia seria abordar todas, sem exceção. Segundo: quem já trabalhou como repórter ou âncora sabe que em algumas ocasiões o profissional fala apenas para preencher espaço ou dar um certo dinamismo a um jornal morno.

É obrigado a entrar ao vivo, sem assunto, porque o (a) “mala” quer rapidez e interação entre as praças. Nesse processo, quando o jornalista recebe a ordem de entrar ao vivo para trazer dinamismo ao canal, ou iniciar a discussão com o apresentador, um comentário mal colocado, por falta de assunto, pode estragar a imparcialidade.

Resumindo: acabou o debate, não tem repercussão. Seria o ideal, mas em emissoras que precisam de audiência a equação fica difícil, é preciso reconhecer.

No que diz respeito aos programas mostrados, principalmente no de São Paulo, nota-se que a vencedora na corrida à Prefeitura foi uma inteligência artificial: o Google. Sim. Foi o mais citado. Se fosse uma “inteligência humana”, já teria levado no primeiro turno.

O candidato é pego de surpresa, em um ataque verbal inesperado, e a saída é falar do Google. Quando alguém é atacado com veemência pelo adversário pode esperar que a defesa vai ser: “Isso é fake news, procura no Google para você ver a notícia verdadeira, minha real história”.

O problema é que no Google há fake news e notícias tendenciosas a todo momento. A própria empresa se diz preocupada com as informações falsas que são divulgadas, lutando todos os dias para monitorar os assuntos sem comprovação de veracidade.

E o pior são colunistas e jornalistas irresponsáveis que jogam notícias em sites sem comprometimento com a verdade, prejudicando a democracia, com interesses diversos, não pautados pela ética.  

A informação que aparece no Google não necessariamente condiz com a verdade. Então, essa história de “Está me acusando? Procura no Google” não cola.

No mais foi um debate de muitos ataques, até infantis, poucas propostas mostradas, tentativa de derrubar os mais fortes nas pesquisas, claro. Antes de perguntar ou responder um tema proposto o candidato aproveita a chance para achincalhar o próximo.

O que se nota é uma batalha verbal na tentativa de desmoralizar o rival e pouquíssimas ideias a respeito do futuro da cidade. A meta é destruir o oponente e, se der tempo, falar sobre as propostas que possam melhorar a a vida da população. Aliás, melhorar a cidade é algo que fica em segundo plano, apenas um detalhe.

Então, o mediador pergunta para o candidato X que, antes de responder à questão, gasta 80 por cento do tempo amaldiçoando o adversário Y. E o adversário Y, por sua vez, aguarda o momento de devolver a bordoada, mesmo que outra pergunta seja feita muito tempo depois. Não quero ver briga de criança, quero ver proposta. É pedir muito?

Sendo assim, eu vi explicações “rasas” sobre Cracolândia; acusação de dinheiro mal administrado; Plano Diretor; comida servida em creche; calçada destruída; Cocô no chão e mais uns pitacos que realçam nossos problemas e não apresentam soluções.

Quando alguém tentava disfarçar que não entendia o teor da pergunta, a vontade era falar: “Põe a máscara que evita covid. Assim ninguém entende o que você fala”.

Devemos reconhecer que a culpa não é somente do (a) candidato (a), mas do pouco tempo que tinha para se manifestar. Por sua vez, a Band estava sem muita opção para fazer algo diferente, devido ao alto número de participantes.

Então, a conclusão positiva é que o eleitor atento sabe quem são os interessados em ocupar o cargo de prefeito. Mas, se quiser ter certeza em quem realmente votar, com reponsabilidade, deve estudar muito a vida política das pessoas envolvidas nas eleições.

O debate refletiu apenas os primeiros minutos de um jogo eleitoral, que pode ir para a prorrogação e o resultado é incerto.

Outras discussões vão chegar, em outras emissoras, sites, e desejo de todo coração que o povo brasileiro acerte nossos representantes, vote inspirado, preparado, planejado.

A população merece ser feliz, precisa de casa, comida, moradia, estudo, saúde. E cada prefeito vai ser responsável por isso, desde que haja diálogo com os governos estadual e federal.

É preciso votar no (a) mais preparado (a), alguém que tenha competência e coração, que pense realmente no próximo e tenha na alma a missão de ajudar, e não a vaidade e a prepotência que levam ao caos.

O prefeito de uma cidade deve encarar a missão com honra e persistência. Porque ser eleito representante do povo não é “glamour”. O prefeito não é o dono da cidade, ele é o escolhido para servir com humildade um povo cansado e merecedor.

*As informações e opiniões expressas nesse texto são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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