Aline Dias avalia a personalidade de Úrsula, seu papel em Salve-se Quem Puder

Atriz comemora o retorno da trama de Daniel Ortiz, na qual interpreta personagem que sofre de ansiedade

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No próximo dia 22, Salve-se Quem Puder retorna ao horário das 19h, com os seus capítulos iniciais. Para repercutir essa volta, a coluna conversou com Aline Dias, intérprete de Úrsula, uma das antagonistas da trama de Daniel Ortiz que movimentou bastante a primeira temporada do folhetim protagonizado por Vitória Strada, Juliana Paiva e Deborah Secco.

A Úrsula não é uma má pessoa. Ela está completamente vulnerável devido à doença que ela tem. Ela já teve depressão, que é outra doença superséria… Ela perde o controle, dos sentimentos, das emoções – e por conta disso, sim, faz coisas que ultrapassam o caráter dela, que são consideradas vilanias”, pondera Aline, defendendo a personagem. Confira o papo com a atriz: 

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ANDRÉ ROMANO – Durante a primeira temporada da trama, você recebeu depoimentos no Instagram de garotas que se identificam com a Úrsula?

ALINE DIAS – Eu recebi algumas mensagens, sim. Foi muito legal receber de imediato esse retorno. Elas falaram que se identificaram, que é um tema muito interessante a ser abordado numa novela – porque é uma doença do século. Uma doença que muitas vezes fica inibida, porque a própria pessoa não consegue diagnosticar isso. Está sendo muito interessante mostrar os vários momentos e as várias nuances que a ansiedade provoca no ser humano.

AR – E nas ruas, o que as pessoas falam?

AD – Por enquanto eu ainda não tive nenhum retorno na rua. As pessoas se mostram meio tímidas, outras não têm certeza se eu sou mesmo a atriz [que interpreta Úrsula]. Nas ruas eu nunca fui parada, mas nas redes sociais já recebi mensagens e fiquei muito feliz com esse retorno.

AR – A Úrsula pode ser considerada uma vilã?

AD – A Úrsula não é uma má pessoa. Ela está completamente vulnerável devido à doença que ela tem. Ela já teve depressão, que é outra doença superséria… Ela perde o controle, dos sentimentos, das emoções – e por conta disso, sim, faz coisas que ultrapassam o caráter dela, que são consideradas vilanias. Mas é uma pessoa que precisa de tratamento, precisa de um olhar médico, precisa ser cuidada, precisa procurar uma ajuda. E ela não tem noção de que está novamente mergulhada na ansiedade – porque ela já esteve internada, e novamente está voltando com isso. A Úrsula está sem essa noção, está completamente cega pelo namorado, e isso torna, sim, as atitudes dela muito cruéis – mas que nem por isso fazem dela uma má pessoa.

AR – O ciúme é apenas a ponta do iceberg nos problemas da Úrsula?

AD – Eu acredito que ele seja apenas um dos gatilhos pras crises de ansiedade da Úrsula, que envolvem sentimento de medo, de perda e de muita insegurança. Ela é muito insegura com relacionamentos e isso lhe traz muito sofrimento. O ciúmes é, sim, uma das pontas do iceberg dos problemas dela.

AR – A Úrsula é capaz de tudo?

AD – A Úrsula está doente, e ainda não se deu conta de que precisa de uma ajuda profissional. Não se dá conta de que estava novamente tendo essas crises, mesmo já tendo sido internada várias vezes… Ela quer estar a par dos sentimentos, quer ter esse controle sem nenhuma ajuda. Eu não sei qual vai ser o desfecho da Úrsula. Torço muito por uma redenção, para que ela procure uma ajuda – e que a gente [através da novela] fale muito sobre a importância dos psicólogos, dos psiquiatras, dentro dessa doença que está matando tantos jovens. Torço pra que ela busca uma ajuda antes que o pior aconteça, porque a gente nunca sabe o desfecho da história de uma pessoa que tem crises de ansiedade, que sofre de depressão, e não tem uma ajuda, não tem apoio… Então eu torço pra que a história da Úrsula termine bem.

AR – Torce para que as pessoas entendam que ela está doente e não louca?

AD – Com certeza! A gente não pode taxá-la como louca! Muita gente não tem essa informação do que é ansiedade, pensa que é frescura – e ansiedade não é uma frescura! Eu torço pra que as pessoas entendam que as atitudes radicais que ela tem, em relação ao relacionamento com o Teo, com os pais dela… Esse tanto de ciúmes e insegurança que ela sente são frutos de uma condição patológica que ela está vivendo. Cortar o mal pela raiz seria ela realmente procurar uma ajuda.

AR – Você já se anulou em algum relacionamento antigo? Se sim, como foi?

AD – A gente tem fases nas nossas vidas, né? Eu tô com 28 anos agora, sou uma mulher super madura, e a cada ano eu sinto que vai crescendo a minha maturidade em certas situações. Sou mãe, então tenho outras prioridades, outras preocupações, outra cabeça. Mas sim, já me anulei, já fui muito insegura em relacionamentos, já pensei muito mais no outro do que em mim mesma. Era uma coisa que eu demorei muito pra perceber. E, depois que percebi, eu consegui terminar de boa e tal… Mas, por um tempo, eu realmente fiquei muito vulnerável, sem saber o que fazer, com medo de perder… E estava infeliz, né? A gente acaba não percebendo o que está acontecendo no relacionamento, porque a gente está muito cega, querendo que dê certo uma coisa que não está dando mais.

AR – Já teve medo de perder namorado?

AD – Já tive, sim. Como disse, é fase, né? Com o tempo a gente pega essa maturidade, essa segurança – e ter essa insegurança também não é um defeito. A gente às vezes precisa procurar uma ajuda, conversar, procurar um psicólogo, fazer uma terapia – e terapia é uma coisa que eu acho que vem tão pro bem do ser humano! Uma coisa que vem pra somar, justamente pra você crescer – como mulher, como ser humano, pra se posicionar em certas situações. Depois que comecei a fazer terapia, eu tenho muita segurança de algumas coisas que eu faço na minha vida, sou muito mais calma em relação a certas decisões. Graças a Deus eu não tenho os mesmos problemas que a Úrsula, em relação a ansiedade e tudo o mais… Mas no início sempre bate uma insegurança em relação a trabalho, a relacionamento, quando a gente é adolescente, jovem… E com o tempo a gente vai pegando essa maturidade e entendendo o que é que faz bem pra gente, o que a gente quer pra vida. Já tive medo perder [um namorado], de ser esquecida, mas hoje eu posiciono de uma maneira muito mais saudável em relação a isso.

AR – Como hoje você lida com perdas?

AD – Eu não tive nenhuma prova de perda no momento em que estou vivendo. Mas tenho muita fé em Deus e acredito que as perdas que a gente tem na vida é pra gente ganhar lá na frente de uma certa maneira – em termos de maturidade, ou de remover algo que estava travando a nossa vida. Eu sempre procuro olhar o lado bom das coisas. Às vezes é difícil, ainda mais quando se trata de alguma morte ou um término [de relação] – mas pode ter certeza de que lá na frente surpresas esperam pela gente. Eu tenho muito fé nisso. Lidar com perdas é doloroso no início, no momento, mas depois eu consigo entender o que aguarda por mim no futuro.

AR – Que tipo de personagem você gostaria de fazer e ainda não teve oportunidade?

AD – Olha, eu estou com esse papelzão [Úrsula], que eu fiquei superfeliz de poder fazer… Já pensei em fazer tantas coisas… Mas acho que você simplesmente fazer a mulher brasileira, do dia a dia, igual a Regina Casé está fazendo [como Lurdes, em Amor de Mãe], é maravilhoso! Uma mulher que trabalha, que tem filhos, que tem opiniões… Que protege, que briga, que chora, que bebe, fica bêbada… Que dança, que ri, que gargalha, se emociona… Essa mulher que tem mil facetas, e que a Regina Casé está fazendo brilhantemente. É um papel que já diz tudo, né? Ali são várias mulheres dentro daquela personagem. E, claro, algumas não enxergam, outras estão de cadeira de rodas, outras já tiveram problemas com drogas, outras têm ansiedade, outras têm depressão, outras têm problema num relacionamento, outras são homossexuais, transexuais… Mas todas elas têm histórias densas, histórias de luta, de glória, enfim… Fazer qualquer uma dessas mulheres seria um presente pra mim.

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