Sucesso como vilão em Malhação, Arlindo Lopes fala dos novos rumos do personagem e diz: “Fui chamado de mau-caráter nas ruas”

Publicado há 2 anos
Por Cadu Safner
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O personagem Getúlio, de Malhação: Vidas Brasileiras, está vivendo uma nova fase na novelinha teen da Rede Globo. O ator Arlindo Lopes concedeu uma entrevista ao Observatório da Televisão e fez uma análise dos últimos acontecimentos na vida de Getúlio até aqui e ainda revelou alguns detalhes do que o público pode esperar. Confira:

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Seu personagem começou na novela sendo muito odiado. Faz um resumão de como foi este período para você?

“O Getúlio começou fazendo mal ao sobrinho. Incentivando que ele roubasse no colégio com a desculpa de que assim eles pagariam um advogado para tirar a mãe do Érico da cadeira. Com isso ele foi se ferrando e acabou sendo preso e colocado num lugar de jovens . Estão em reabilitação se recuperando de vários crimes.

Passou um perrengue conforme o sobrinho passou por isso eu acho que ele começou a mudar. Ele se envolveu com a Isadora, que é a Ana Beatriz, eles aplicaram golpes, roubaram um colar de uma viúva, a mulher morreu. Eles foram se envolvendo em várias coisas ela foi presa e salvou ele. Com isso ele começou a rever. Neste momento ele está numa onda mais leve.

Ele se envolveu com a Mel, a Maria Rita, filha da Camila Morgado na história, na próxima quinzena vai ser em torno dessa amizade dos dois. O Getúlio querendo se dar bem mais uma vez, envolve ela numa confusão e ele fica desesperado em querer tirar ela disso. Ela é uma criança, né.. mas agora ele pode mudar de vez.”

“Tinham senhoras que me chamavam de mau-caráter e ridículo”

Então ele não tinha mudado de fato, era só um ensaio?

“Sim, ele já estava mudando. Ele já estava legal, algumas pessoas ficaram impressionadas. O que ele era no inicio para o que é agora. Nas ruas eu era xingado, é uma coisa nova pra mim, nunca tinha feito um personagem que despertasse isso nas pessoas. Tinham senhoras que me chamavam de mau-caráter, ridículo, teve uma senhora que me deu cotovelada num horti-frutti.

Eu fiquei um pouco assustado. Agora que ele começou a se envolver com a Mariana, Isadora, e agora com a Brigite, ganhou um pouco dessa empatia, mesmo estando tudo errado. E agora as pessoas falam comigo mais de boa. Mias nunca perde aquela coisa de me chamar de 171.”

O que era melhor, o início do personagem ou agora. O que é mais instigante?

“O que era diferente fazer ele na primeira parte de Malhação era a surpresa das pessoas em em me ver como um mau-caráter., um vilão. Todos os outros personagens que eu fiz, na TV e no teatro, são carismáticos, alguns são dramáticos. O Getúlio é carisma zero. Então, isso pra mim foi diferente. Mas eu gosto de estar vivendo esta parte. Eu tive que ir desconstruindo ele aos poucos. O texto foi mudando. Eu acho um exercício incrível como ator passar por todas essas partes por onde o personagem está passando.”

“O teatro está ameaçado”

 Você acha que a Brigitte tem parte nessa mudança do Getúlio?

“Sim, com a Isadora ele ainda era golpista, ele queria se dar bem, mas com a Brigitte , ela fez ele entrar na linha. A gente já sabia que a Ana Beatriz sairia daqui para fazer O Sétimo Guardião. Quando ela saiu de Malhação ela disse que cantou a bola para a Patricia Moretzon (autora) e Nathalia (diretora), de que meu par deveria ser  Mariana Armellini, então ela diz que é um pouco madrinha deste casal. A gente acabou tendo humor nessa história e acabou seno um ponto importante dentro da trama.”

O que você pode adiantar sobre os próximos passos dele?

“O que posso dizer é que para ele conseguir comprar um presente de natal pra ela. Ele vai pegar um bico e vai levar a Mel para acompanhá-lo neste extra. E ai é que toda a confusão vai começar. Ele vai se enrolar para dar esses presentes e ai tem muita coisa envolvida. Tem armadilhas, escalar prédios, tem muita coisa para acontecer que eu não posso falar muito.”

Você lançou muitos filmes este ano. Como tem sido essa fase no cinema?

“Os filmes que eu fiz nos últimos anos juntaram todos e foram lançados este ano. O primeiro foi Berenice Procura, depois foi Alguém como Eu, com a Paola Oliveira do qual eu faço o melhor amigo dela lá. A Voz do Silêncio, que eu faço um jovem soro positivo, um personagem dramático, filho da Marieta Severo. E agora começa o Beijo no Asfalto, que eu faço só uma participação. É bem legal, mas, piscou perdeu. Toda a história está costurada com este encontro que eu tenho com o Lázaro Ramos.”

“Adoraria fazer mais cinema”, diz Arlindo Lopes após lançar 4 filmes em 2018

Como é contracenar com a Maria Rita (atriz mirim)?

“Ela é um amor. É uma geniazinha. A gente gravou uma cena onde eu quis tratar ela como adulta, e ela quis me tratar como criança. Então, acho que a relação se deu assim e voltaram do set, e me falaram que ficou muito fofo e que temos muita química. E disseram que tinha a possibilidade de uma quinzena com os dois. Ela é um máximo, super concentrada, fizemos leituras juntos. Tudo ela fala que me adora, que eu sou o melhor parceiro. Vou até enviar um e-mail para a Patrícia agradecendo. A Patrícia disse que essa dupla é uma ‘chuva de like’.”

Você sempre pegou personagens bem joviais. Qual a receita para aparentar tanta jovialidade?

“Eu vou fazer 40 anos no dia 7 de março. Mas realmente acaba caindo pra mim esses personagens. Eu acho que a receita de você ser jovem pode ser pelo fato de você estar feliz com o que você está fazendo. Eu também me olho e não me acho com 40 anos. Quando eu fui fazer o teste para o Getúlio, não sabiam se eu podia fazer porque na sinopse ele tinha 23 anos. Ai vim, fiz o teste, mas a Patrícia mudou, e inverteu a ordem dos números. De 23 ele passou a ter 32. No filme que eu faço com a Marieta, eu tinha que ser o filho mais velho, mas o diretor mudou a ordem e me colocou eu como o filho mais novo dela, porque não imprimia eu como mais velho.”

“Eu tenho uma relação muito legal com crianças”

Como você avalia sua carreira. Está tudo legal ou tem algo que você gostaria de fazer?

“Eu amei ter feito esses 4 filmes, Adoraria fazer mais cinema. Mas não é tão fácil fazer filme, é uma outra galera. Acho que eu sentia falta de fazer mais cinema e nesses últimos 3 anos foram muito bons. Claro que a gente é ansioso, tenho vontade de mais projetos deveriam estar acontecendo, e que eu não deveria ter tempo para ficar tranquilo. Com a Malhação gravando 2 ou 3 vezes por semana eu consegui tocar vários projetos para 2019.

Mas eu acho que eu estou num lugar que quando você faz televisão não dá para fazer muito teatro. Você tem que dançar conforme as necessidades das gravações. Queria fazer teatro, mas é difícil arrumar patrocínio, estamos tentando captar recursos. Compramos os direitos de uma peça recentemente do Lerry Crane, o projeto está ai faz um ano e meio. É um elenco enorme e não dá para fazer com menos.

O autor entendendo o que está acontecendo no Brasil, estendeu os direitos sem a gente ter que pagar nada. Ele acha necessário fazer a peça no Brasil, que fala sobre o surgimento do HIV no Brasil. Que é um assunto que eu trabalhei no filme A Voz do Silêncio. Acho que a gente precisa voltar a falar, principalmente neste momento em que temos um novo ministro da saúde que já disse que não vai apoiar esses programas de informação e educação sexual e os programas de apoio a quem se contaminou. Nesse momento essa peça se faz mais urgente. A gente quer estreá-la em 2019.”

“Eu tenho uma relação muito legal com crianças”

“Eu acho que TV e cinema estão menos ameaçadas neste momento. Acho que o teatro está mais ameaçados porque as pessoas começaram a atacar a Lei Rouanet, elas não sabem o que estão falando, chega a ser ignorante. Eu acho que a Lei Rouanet precisa ser reformulada. Eu tenho dois projetos para dirigir, uma delas que ganhou patrocínio, o Umbela, vamos fazer com música ao vivo.”

E seus projetos infantis?

“Eu tenho uma relação muito legal com crianças. Por isso fazer Malhação coma Maria Rita, é muito especial, inclusive eu quero fazer uma peça com ela após Malhação, já falei pra ela. As Aventuras do Menino Iogue, foi muito bom, rendeu bastante, nós não tínhamos patrocínio. Botamos dinheiro do bolso. A peça ganhou vários prêmios e no ano passado fizemos uma turnê pelas cidades de São Paulo.

Eu não sabia que eu pudesse dirigir e foi o máximo.  Depois passei a projetar essa série para a TV, que mistura dois mundos, um lúdico e o real. É uma série musical, não é animação. Estamos desenvolvendo. Está caminhando. Temos sentido uma repercussão muito bacana. E queremos falar sobre adoção com ela. Todas as crianças da série são filhos adotivos.”

***Entrevista feita pelo jornalista André Romano 

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