Os 27 anos do Aqui Agora, “uma arma do povo”

Publicado há 3 anos
Por Fábio Costa
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Em 20 de maio de 1991, às 18h30, o SBT lançou um telejornal que marcaria sua história e influenciaria diretamente o jornalismo e toda a concorrência – inclusive o da Globo, que teve de acompanhar o movimento da audiência na ocasião. O Aqui Agora atravessou a década de 1990 com a marca do noticioso popular, de linguagem fácil, repórteres correndo com a polícia atrás de bandidos e coberturas de casos que causavam grande comoção popular. Era o total inverso de seu “irmão” TJ Brasil, apresentado por Boris Casoy, que vinha na sequência da grade da emissora.

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Ivo Morganti e Christina Rocha na bancada do jornal

O Aqui Agora foi criado quando se identificou por meio de uma pesquisa que os telespectadores usuais do SBT, os que assistiam às novelas, aos programas de Silvio Santos, Hebe Camargo, por exemplo, não eram em geral os mesmos que acompanhavam o TJ Brasil e o Jornal do SBT, então recém-estreado e apresentado por Lilian Witte Fibe. Pensando nisso, um telejornal que se dirigisse ao público cativo da casa mostrou-se uma necessidade, e seus bons resultados levaram até o Jornal Nacional a se “popularizar”, com mais reportagens sobre crimes do dia a dia e não apenas os que envolvessem figuras públicas, por exemplo, além de ter edições que duravam mais ou menos tempo no ar, conforme as necessidades de Ibope. Na época, o Jornal Nacional durava 30 minutos de segunda a sexta-feira e chegava a 40 aos sábados, mas passou a poder ter de 30 a até 50 minutos, mesmo na semana.

Vídeo:Jornalista explica como Globo se articulou para derrotar o Aqui Agora, do SBT; assista!

No time inicial de apresentadores estavam Ivo Morganti, Christina Rocha e Patrícia Godoy. Também apresentaram a atração Sérgio Ewerton, Silvia Garcia, Liliane Ventura e Arnaldo Duran. Celso Russomanno já figurava na época com suas reportagens de defesa dos direitos do consumidor e havia comentários de Enéas Carneiro, o folclórico político, e de Adilson Maguila Rodrigues, que falava (pasmem) de economia. Mas a graça estava justamente nisso, em comentários improváveis feitos por uma figura improvável com seu modo de falar peculiar. Além deles, locutores de vozes marcantes como Luiz Lopes Corrêa, a cargo das notícias internacionais, e Jorge Helal. Hermano Henning e Roberto Cabrini entravam do exterior com matérias. A grande inspiração era o noticiário argentino Nueve Diario.

Alguns dos repórteres que marcaram no Aqui Agora, cobrindo desde sequestros a outros casos escabrosos da crônica policial, foram Gil Gomes, ícone do rádio popular; Wagner Montes, Gerson de Souza, Herberth de Souza, Célia Bravin, Sérgio Frias, Celso Teixeira, Carlos Cavalcante, Luiz Ceará, Edi Polo, o hoje global César Tralli e Magdalena Bonfiglioli, entre outros. Comentando, além de Maguila e de Enéas (comentários políticos), estiveram presentes Osmar di Pieri (direitos dos aposentados), Carlos Alberto Sardenberg (economia), Nelson Rubens (fofocas dos artistas) e o Felisberto “Feliz” Duarte com a previsão do tempo.

Celso Russomanno diante de carro de reportagem do SBT nos anos 1990
César Tralli numa reportagem que fez para o Aqui Agora

Jacinto Figueira Jr., o lendário Homem do Sapato Branco, também fez reportagens para o Aqui Agora, entre elas uma visita ao Castelinho da Rua Apa, região central de São Paulo, que você pode ver aqui, em vídeo do canal São Paulo Antiga no YouTube:

A empolgação com os bons números de audiência do Aqui Agora, que “contaminavam” todas as atrações seguintes – TJ Brasil, novelas e linha de shows – fizeram com que durante algum tempo houvesse uma segunda edição, a partir de 1993; a primeira era exibida no horário tradicional das 18h30, e a segunda entrava às 19h45min. Enquanto na Globo o Jornal Nacional era (e ainda é) ensanduichado por duas novelas, o jornal de Boris Casoy no SBT foi recheio de um sanduíche de Aqui Agora. Além da audiência, outra motivação para esse expediente era o desejo de preparar o terreno para as novelas brasileiras da casa, sendo que a primeira delas deveria estrear ainda em 1993, mas veio mesmo apenas em maio de 1994.

Talvez o momento mais lembrado do Aqui Agora, até pela grande polêmica suscitada na época e a discussão em torno do jornalismo e seus limites, foi a reportagem sobre o suicídio da jovem Daniele Alves Lopes, em 5 de julho de 1993. Daniele tinha 16 anos e se atirou de um prédio próximo à Praça Ramos de Azevedo, no centro da capital paulista, onde trabalhava como recepcionista. O repórter Sérgio Frias estava próximo do local e a passagem de um carro do resgate chamou sua atenção.

A imagem congelada do momento do suicídio, captada pelas câmeras do Aqui Agora

No decorrer dos anos, com as muitas críticas ao modo agressivo de se fazer jornalismo adotado pela atração e o enfraquecimento do formato, além de constantes mudanças de horário, o Aqui Agora perdeu força e tornou-se mais “light”, ainda popular, mas mais próximo de um telejornal convencional. Nessa fase, o casal Eliakim Araújo e Leila Cordeiro chegou a apresentá-lo. “Um telejornal vibrante, uma arma do povo, que mostra na TV a vida como ela é”: com esse slogan o programa se sustentou no ar até 1997, quando saiu do ar no final de abril. Algumas semanas depois, apresentado por Ney Gonçalves Dias, o Aqui Agora voltou à grade, mas tornou a ser tirado do ar depois de alguns meses.

No início de 2008, o jornalístico voltou reformulado, com apresentação de Luiz Bacci, Joyce Ribeiro, Herberth de Souza e Christina Rocha e reportagens sobre celebridades por Antonio Guerreiro. Mas durante dois meses, em meio a constantes derrotas na audiência (que não chegou a dois dígitos), confusões de bastidores e trocas de apresentadores, com direito a agressão de um produtor da atração por Herberth, em abril Silvio Santos determinou a retirada do ar do Aqui Agora, cuja última edição foi exibida no dia 11. Existem “filhotes” do programa, como o Brasil Urgente e o Cidade Alerta, mas não se obtém neles o mesmo resultado, cada um com suas características próprias.

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