Geisa Garibaldi é destaque no especial Falas de Orgulho: “Somos seres humanos plurais”

Negra, lésbica e empreendedora, ela é fundadora do Concreto Rosa

Publicado em 22/6/2021
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O especial Falas de Orgulho, que será exibido em breve na Globo, vai mergulhar por histórias inspiradoras de pessoas LGBTQIA+. Entre os destaques, está Geisa Garibaldi, natural de Duque de Caxias, Rio de Janeiro.

Mulher negra, lésbica, empreendedora e mãe, Geisa é mãe de Kaetano, de 12 anos. Além de alegrar a casa após a grande morte de sua mãe, o menino foi o combustível que faltava para que a carioca deixasse de vez a vida “dentro do armário”. 

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Além da luta para assumir sua orientação sexual, a moça ainda enfrentou dificuldades para buscar o seu sustento. Desde os 17 anos ela batalha vivendo de bicos, até que decidiu fazer cursos e se especializar. Geisa estudou hidráulica, construção e elétrica. O conhecimento foi essencial para fundar, em 2015, a sua própria empresa, a Concreto Rosa, com serviço de mão de obra feminina especializada.

Confira a entrevista completa com Geisa Garibaldi:

Quando você se entendeu LGBTQIA+?

Eu sempre fui lésbica, só que não me aceitava. Foi uma coisa que precisei assumir para mim primeiro. Partir do princípio de que estava tudo bem e de querer tirar aquela “culpa católica”. Quando eu era criança, sabia que tinha alguma coisa diferente, mas não imaginava que seria a minha sexualidade. Fui reprimida durante um período e automaticamente entendi que aquilo era errado. 

E quando você decidiu não esconder mais?

Quando eu descobri que estava grávida, aos 24 anos, fiquei muito perturbada. Eu tinha acabado de perder a minha mãe e sabia que não teria estrutura financeira ou emocional para cuidar de uma criança. Mas quando fiz uma ultrassonografia e ouvi o coraçãozinho dele, me apaixonei. Foi só quando o Kaetano nasceu que eu entendi que não dava mais pra esconder. Não dava pra ficar nesse medo de me assumir porque eu não queria mentir para ele. Eu queria que o meu filho crescesse sabendo que a mãe dele é lésbica e que isso não é nenhum problema. 

E como é a sua relação com ele hoje em dia?

Ele é ariano e eu sou aquariana. Ou seja, volta e meia a gente se estranha. Mas ele é muito amoroso, autêntico e tem uma personalidade muito forte. Quando eu olho para ele, me vejo, mas em uma versão menos endiabrada porque eu era muito levada quando mais nova (risos).   

Qual a sua opinião acerca da luta LGBT? O que ainda falta conquistar?

Às vezes eu acho que a gente luta tanto, mas na verdade a gente só quer viver em paz. Falta conquistar o básico: respeito. Uma das piores coisas para mim é quando as pessoas validam você pela sua orientação sexual. Coisas do tipo “ah, não presta porque é sapatão”. Isso é uma das piores taxações. A nossa luta a gente já faz. Os avanços agora precisam vir de cima. Enquanto cidadãos, nós pagamos os nossos impostos como qualquer outra pessoa. Somos seres humanos plurais e precisamos que políticas de ações afirmativas abracem toda a comunidade. 

Como surgiu a Concreto Rosa?

Eu sempre me virei sozinha. Me inspirei na minha mãe, que era essa pessoa que se virava com o que tinha e fazia tudo dentro de casa. Ela levantou sozinha o barraco que a gente morava. A gente cavou, fez a fundação… a minha mãe entendia muito de obra. Quando saí de casa pela primeira vez e casei com a minha primeira companheira, comecei a usar a obra como uma moeda de troca para negociar o aluguel. Depois de um tempo, resolvi me especializar e, quando terminei o primeiro curso que fiz, queria ter um trabalho que, de alguma forma, conversasse com o ativismo, com a inserção da mulher no mercado de trabalho. Tem muita mulher apta que não consegue se inserir nesse mercado. A Concreto Rosa nasceu assim, sem capital de giro, sem equipamento moderno e só uma maleta de ferramentas para explorar esse “mar de massa corrida”.

Falas de Orgulho é um projeto da Globo em homenagem ao mês do orgulho LGBTQIA+. O quadro mostrará a jornada de oito personagens de diferentes idades, regiões, trajetórias de vida e religiões e por trás delas, histórias de superação, preconceito e auto aceitação, passando por temas transversais às letras que formam a sigla.

O especial tem direção artística de Antonia Prado, direção de Washington Calegari e roteiro assinado por Carlyle Junior, com produção de Beatriz Besser. Rafael Dragaud é o diretor executivo e Mariano Boni, diretor de gênero. O especial vai ao ar no dia 28 de junho, logo após Império.

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