Falas Negras: atores comentam participação no especial da Globo

Barbara Reis, Izak Dahora, Guilherme Silva e Tulanih Pereira participam da atração

Publicado há 11 dias
Por André Santana
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

No dia 20 de novembro, a Globo exibe o especial Falas Negras, em alusão ao Dia da Consciência Negra. A atração traz falas históricas, interpretadas por atores, todas em primeira pessoa, em um projeto criado por Manuela Dias, sob a direção de Lázaro Ramos, e que mostra que o espírito de luta e de resistência dos povos afrodiaspóricos ultrapassa a barreira do tempo, os limites territoriais, e permanece vivo até os dias de hoje.

Entre os depoimentos autobiográficos que serão apresentados no Dia da Consciência Negra estão os de Martin Luther King Jr., da ativista Rosa Parks, do líder da Revolução do Haiti Toussaint Louverture e um misto de falas de duas manifestantes durante os protestos nos Estados Unidos à época da morte de George Floyd.

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Em entrevistas abaixo, os atores Guilherme Silva, Izak Dahora, Barbara Reis e Tulanih Pereira descrevem sobre a emoção de atuar no especial.

Guilherme Silva interpreta Martin Luther King Jr. – Pastor batista e ativista político, que nasceu nos Estados Unidos, viveu entre 1929 e 1968. Dentro do movimento negro, lutava pela igualdade civil entre negros e brancos e tinha como estratégia de luta o método da não-violência e a pregação de amor ao próximo, inspiradas nas ideias cristãs.

Como foi interpretar Martin Luther King Jr.?

Guilherme Silva – Foi de grande responsabilidade, mas ao mesmo tempo de muita satisfação, novos aprendizados, reavaliações e entendimentos de muitas das coisas que venho pautando e desenvolvendo em minha vida pessoal, com a família, amigos, colegas de trabalho e em minha carreira profissional artista e ativista. Muitas das questões, ideais, estratégias, árduas batalhas e conquistas que nossos antepassados, avós, avôs, o próprio Martin Luther King Jr, a Lélia Gonzalez, Marielle Franco, Nina Simone, Malcolm X, Luiz Gama, Abdias do Nascimento, e tantas outras personalidades fizeram e fazem, pautaram, batalharam e conquistaram, para que hoje, felizmente, possamos colher bons frutos em termos de direitos civis, mas que, ainda, precisamos lutar e mostrar a importância de tudo isso que ainda se faz necessário.

Qual o significado do dia 20 de novembro para você?

GS – Para além de uma data comemorativa, é uma data de apelo e exigências, em prol da visibilidade e conscientização das mazelas, infelizmente, ainda sofridas pelos afrodescendentes. É de extrema importância para que possamos expor o que ainda precisa ser revisto das práticas epistemicidas fomentadas pelo racismo estrutural. Então, dessa forma, para mim, a data tem um significado importante e necessário!

Izak Dahora vive Toussaint Louverture – O líder da Revolução do Haiti viveu entre 1743 e 1803, foi escravizado até os 30 anos, e ainda assim aprendeu a ler e escrever. Ao ganhar a alforria, em São Domingos (atual Haiti), Toussaint liderou o levante que conduziu os africanos escravizados a uma vitória sobre os colonizadores franceses, aboliu a escravidão no local. Capturado e preso em 1802, ele deixou o Haiti sob o comando de Jean-Jacques Dessalines, que venceu a Revolução e, em 1804, proclamou a independência de São Domingos.

Como foi interpretar Toussaint Louverture?

Izak Dahora – É muito significativo para um ator saber que interpreta um personagem de relevância histórica ou que integra um projeto de importância histórico-social. “Falas negras” reúne esses dois atributos. Então, interpretar Toussaint Loverture é uma oportunidade que me deixou desde sempre honrado. E, estudando para o projeto, descobri um desses elementos misteriosos entre ator e personagem difíceis de explicar: um dos filhos de Toussaint chamava Isaac. (A fonte é o livro “A revolução do Haiti e o Brasil escravista”, de Marco Morel).

Como espera que o especial seja recebido?

ID – Fico pensando nos estudantes assistindo a esses personagens representados, buscando após a exibição mais informações nas redes e nos livros sobre os mesmos, discutindo, se reconhecendo, cobrando que suas grades curriculares incluam essas vozes tão negligenciadas; e o mesmo se pode dizer das outras faixas etárias, no tanto de informações e conscientizações que o contato com essas personagens emancipatórias pode causar. Esse projeto propicia o encontro potente com ícones da negritude, cujas trajetórias têm sido, há séculos, invisibilizadas pelos poderes hegemônicos. Penso que “Falas negras” faz parte de um processo histórico brasileiro e internacional irreversível.

Barbara Reis interpreta Rosa Parks – Ativista dos direitos civis, nasceu nos Estados Unidos e viveu entre 1913 a 2005, atuava no Montgomery, capital do Estado de Alabama, no Sul dos Estados Unidos, centro dos maiores conflitos raciais do país. É tida como a “mãe do moderno movimento dos direitos civis” nos Estados Unidos.

Como foi interpretar Rosa Parks?

Barbara Reis – Eu sempre tenho o prazer de interpretar mulheres fortes. Rosa veio ao meu encontro. Uma mulher que, com uma decisão, iniciou toda a história da luta antissegregacionista. Uma potência. Eu estou me sentindo muito honrada de fazer parte de um elenco que admiro demais, grandes atores que representam muito do que esse especial quer falar, e claro, ser dirigida por Lázaro Ramos.

Qual o significado da data de 20 de novembro para você?

BR – Significa a luta pela igualdade e a inserção da população negra em todos os lugares sem restrição dos seus direitos. E traz à lembrança todos os homens e mulheres que lutaram pelos direitos, principalmente Zumbi dos Palmares.

Tulanih Pereira encarna jovem de protesto George Floyd – Atriz interpreta um misto de depoimentos de manifestantes à época do trágico episódio que culminou na morte de George Floyd, que deu início a uma onda de protestos em várias partes do mundo.

Como o assassinato do George Floyd impactou você?

Tulanih Pereira – Outro dia ouvi que todo o povo negro está com esse joelho no pescoço que assassinou George Floyd, pois a verdade é que nós não respiramos há séculos. Eu sou mãe de um menino negro e toda noite antes de dormir eu agradeço por tê-lo comigo e por poder garantir sua segurança, mas até quando? A vida do George nos foi tirada, assim como as vidas de tantos outros corpos negros que diariamente são assassinados aqui e ao redor do mundo, só que ninguém aguenta mais! Assim como Marielle, George é mais uma semente. A gente quer e vai viver! Ainda estamos respirando!

Qual a sua expectativa para esse especial?

TP – Sabe quando a gente sorri sem motivo? Como se uma felicidade inundasse o peito e transbordasse tudo ao redor? É assim que tenho sentido todos os dias. Imensamente grata à vida por este momento e mais ainda ao Lázaro Ramos e a Manuela Dias por este projeto lindo, cheio de força e que tenho a hora de fazer parte ao lado de um elenco fabuloso. É brilhante que o especial Falas Negras esteja também dando espaço para novos rostos e vozes na cena.

Idealizado e organizado por Manuela Dias, Falas Negras é dirigido por Lázaro Ramos, conta com Thaís Fragozo na pesquisa e Aline Maia como consultora e pesquisadora. Integram o elenco do especial Fabricio Boliveira, Babu Santana, Guilherme Silva, Ivy Souza, Naruna Costa, Tais Araujo, Heloisa Jorge, Barbara Reis, Mariana Nunes, Izak Dahora, Silvio Guindane, Olivia Araujo, Reinaldo Junior, Aline Deluna, Flávio Bauraqui, Bukassa, Angelo Flavio, Samuel Melo, Aílton Graça, Tulanih Pereira, Valdineia Soriano e Tatiana Tibúrcio

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Carregar mais